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	<title>Jardel Music &#187; YB</title>
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	<description>Música e Áudio</description>
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		<title>O poder mágico das situações adversas</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 13:26:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>missionariojose</dc:creator>
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		<category><![CDATA[O mundo e as coisas (da música)]]></category>
		<category><![CDATA[Produções]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 490px"><a href="http://blip.fm/~ctq16"><img class=" " title="Smoke on The Water" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3e/Deep_Purple_Smoke_on_the_Water.png/800px-Deep_Purple_Smoke_on_the_Water.png" alt="Onde quer que você esteja, essa melodia está sendo ouvida em um raio de 100 metros" width="480" height="144" /></a><p class="wp-caption-text">Onde quer que você esteja, essa melodia está sendo ouvida em um raio de 100 metros</p></div>
<p style="text-align: justify;">O título desse texto me ocorreu numa conjunção de fatores, especificamente ouvindo o <a title="Machine Head" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Machine_Head_%28album%29" target="_blank">Machine Head </a>do Deep Purple no metrô, voltando pra casa depois da master do disco da Alessandra Leão. O Machine Head é um desses discos &#8220;lenda viva&#8221; &#8211; que transcendem a categoria de disco clássico, e se torna parte das entranhas da nossa cultura, surgindo em todo canto, desse moleque aqui testando uma Les Paul coreana na Rua da Concórdia com o riff-<a title="Haikai" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Haikai" target="_blank">haikai</a> de &#8220;<a title="Smoke on the Water" href="http://blip.fm/~ctq16" target="_blank">Smoke on the Water</a>&#8220;, até um anúncio de algum carro-família que eu vi ano passado, tocando &#8220;Highway Star&#8221;. Sem o Machine Head, o DP provavelmente seria uma banda de Hard Rock / Metal da segundona, brigando ali com o <a title="Dio" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dio_%28band%29" target="_blank">Dio</a> e o <a title="Quite Riot" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Quiet_Riot" target="_blank">Quiet Riot</a> por um lugar na eternidade, e fornecendo mão-de-obra especializada para os deuses da primeira divisão.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o Machine Head é um senhor disco, e não foi fácil de fazer. Na época, o Deep Purple ainda era uma banda que pegava no pesado, e na maior parte do tempo viajava de ônibus. Emendando uma turnê na outra, tinham pouco tempo pra perder em estúdio, pois eles &#8211; como nós hoje em dia &#8211; ganhavam dinheiro mesmo tocando, e não vendendo disco. A solução foi alugar a unidade móvel dos <a title="RSMU" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rolling_Stones_Mobile_Studio" target="_blank">Rolling Stones</a> e gravar na estrada, numa pausa nos trabalhos após o <a title="Montreux Jazz Festival" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Montreux_Jazz_Festival" target="_blank">Festival de Montreux</a> de 1971, no Cassino onde o festival acontecia &#8211; nessa época o festival era pequeno e durava uns dois ou três dias. Sendo que o cassino pegou fogo, durante o show do <a title="Zappa" href="http://www.zappa.com/" target="_blank">Frank Zappa</a>, e como diz o ditado, fudeu. A solução foi um hotel que estava fechado, onde fazia frio e as condições não só não eram as melhores como eram ruins pacas, e o jeito foi improvisar com colchões, camas e lençóis. O resumo da ópera, inclusive, é a própria Smoke on the Water, que conta direitinho como tudo aconteceu.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption alignright" style="width: 190px"><a href="http://www.myspace.com/alessandraleao"><img title="Caçapa" src="http://c3.ac-images.myspacecdn.com/images02/70/l_81dd53816a47400691a00d7fb8ad2e72.jpg" alt="Maestro Caçapinha e seu ouvido infalível" width="180" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Maestro Caçapinha e seu ouvido infalível</p></div>
<p style="text-align: justify;">Comparado com o Machine Head, Dois Cordões, o disco novo da Alessandra, é como o <a title="Tusk" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tusk_%28album%29" target="_blank">Tusk</a> do Fleetwood Mac, para o qual se construiu um estúdio só pra começo de conversa. Mas nem tanto, nem tão pouco. A adversidade mágica no caso foi conseguir gravar e mixar um disco cheio de detalhes em pouco tempo, desde o começo, aqui em SP &#8211; onde gravamos todas as percussões e vocais principais em menos de uma semana, ainda por cima fazendo umas duas música do zero &#8211; até o final &#8211; a participação de <a title="Jorge Du Peixe" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_d%C3%BC_Peixe" target="_blank">Jorge Du Peixe</a> no disco foi gravada aqui DURANTE a mixagem da mesma música em Recife. Ninguém teve que passar frio &#8211; acho que só a Alê reclamou um pouquinho do ar-condicionado lá da YB, mas também ninguém ficou de bobeira. Esses e alguns outros exemplos &#8211; que eu testemunhei até hoje, ou sobre os quais eu li ou assisti, me colocaram uma pulga atrás da orelha perguntando: &#8220;Será que músico só trabalha bem sob pressão?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl class="wp-caption alignleft" style="width: 308px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Deep_Purple"><img class=" " title="Deep Purple" src="http://snarfd.com/wp-content/uploads/2008/01/deep-purple.jpg" alt="Aqui todo mundo fazia o dever de casa. Talvez isso explique os penteados." width="298" height="242" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Aqui todo mundo fazia o dever de casa. Talvez isso explique os penteados.</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Talvez sim, talvez não. Eu normalmente estimo que, uma vez que a música esteja pronta do ponto de vista de melodia, ritmo, arranjo e forma, ela leva entre 6 a 12 horas pra &#8220;florescer&#8221; em estúdio &#8211; entre gravar tudo o que precisa ser gravado, aparar as arestas de performance e arranjo, e mixar. Isso é uma média no melhor estilo &#8220;ou dá, ou desce&#8221;, porque baseado nisso você planeja 100, 150 ou 200 horas pra fazer um disco inteiro, e isso é o que você tem, pro bem ou pro mal. Normalmente, a sempre presente culpa recai sobre o dever de casa malfeito, a música que não chegou pronta no estúdio, o músico que na hora H não compareceu, o café que tava morno, o cachorro que latiu. Sendo que cada exemplo de problema, há outro mostrando que esse não é um problema tão grande assim.</p>
<p style="text-align: justify;">A minha teoria propõe que sob pressão, perdemos menos tempo explorando as infinitas possibilidades do mundo pós-moderno. Mas se o importante &#8211; eu mesmo falei isso duas semanas atrás &#8211; é saber explorar as possibilidades, experimentar novas idéias, como é que fica esse negócio? Aí é que entra uma habilidade difícil de medir, e que a gente só desenvolve na lida: a nossa capacidade de fazer escolhas. Fazendo um paralelo, seria o equivalente na música e no áudio do &#8220;olho clínico&#8221;. Você não precisa ter 20 sons de caixa ou 30 takes de uma voz, o que você precisa é saber qual é o que presta. De preferência, sem ter que ouvir tudo de novo umas 30 vezes. Para este ponto, vamos recorrer à categoria &#8220;analogias úteis entre música e culinária&#8221;: É o ponto da massa e do tempero que diferenciam uma iguaria de uma papa intragável, ou mesmo de um prato bem-servido, mas sem graça.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl class="wp-caption alignright" style="width: 278px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.museudosesportes.com.br/"><img class="   " title="Bicicleta" src="http://www.museudosesportes.com.br/img_noticias/5866.jpg" alt="Essa é da época em que pedalar tinha uma conotação positiva" width="268" height="158" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Essa é da época em que &#8220;pedalar&#8221; tinha uma conotação positiva</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Esse &#8220;ouvido clínico&#8221; também é quem liga os neurônios certos na hora de inventar alguma coisa inusitada mesmo quando o bicho está pegando, e nos permite aferir se a idéia está ajudando ou é melhor parar enquanto é tempo. Eu não creio que isso seja alguma espécie de poder Jedi conferido a alguns poucos premiados pelo destino. Acho que é algo que a gente desenvolve, num processo que pode ser mais rápido ou mais lento de acordo &#8211; aí sim &#8211; com a predisposição natural de cada um. Apelando para a categoria &#8220;analogias úteis entre música e futebol&#8221;, é feito o gol de bicicleta &#8211; primeiro você precisa aprender a fazer, depois você precisa saber se é a hora certa de arriscar.</p>
<p style="text-align: justify;">Pegando emprestado a metalinguagem do <a title="Ian Gillan" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ian_Gillan" target="_blank">Ian Gillan</a> na faixa lá de cima, eu confesso que não posso me alongar muito nesse momento, estou quase me atrasando pra uma reunião. Como esse post é a parte 1 de uma conversa maior sobre as relações entre pragmatismo e divagação, na música e nas artes em geral, talvez seja bacana também ficar divagando &#8211; se eu disser filosofando eu vou apanhar da Júlia Grande &#8211; sobre essas questões. Modos que pra fechar a conversa do dia eu deixo a pergunta: Você trabalha melhor sob pressão?</p>
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