Archive for the ‘Produções’ tag
Botando em Dia
- No site da Trama Virtual, hoje e nos próximos dias temos uma entrevista do Profiterolis e outra da Stela Campos sobre seus mais recentes trabalhos, que contaram com a participação do Missionário na produção, e também tocando coisas aqui e ali. Lembrando que você pode ouvir e baixar coisas aqui e aqui, dos dois discos respectivamente.
- Ainda falando da Stela, ela e sua banda estarão na Livraria da Esquina nas quintas-feiras 25/06 e 02/07 com o show do Mustang Bar, contando com as participações especiais do Departamento Celeste e dos Black Horses, com discotecagem do Bruno Orsini e da Katia Mello. A Livraria fica na Rua do Bosque, 1254, na Barra Funda.
- Ainda essa semana em Jardel estamos terminando e mandando pra fábrica o disco de estréia de Biu Roque, uma das grandes vozes do Brasil, que muitos provavelmente já conhecem dos discos do Siba e do Beto Villares, entre outros. O disco conta com a participação destes e de vários outros aprendizes do grande Biu Roquinha, e é uma produção em parceria do Missionário com Caçapa e Alessandra Leão, que também aparecem tocando e cantando em várias faixas.
- Ainda sobre mandar pra fábrica, fontes fidedignas confirmam que o Cristalina, disco “de estréia” da Lulina, seguiu pra prensagem e brevemente chega ao público em geral.
- Boa parte da nossa ausência aqui em nosso espaço virtual deveu-se ao espetáculo “Lo Cor de La Rosa”, que percorreu agora, na primeira quinzena do mês, boa parte do interior Paulista, a Capital e também foi até o Recife. O projeto consiste na associação do grupo vocal de Marselha Lo Cor de La Plana com a Renata Rosa e seu conjunto. Pra quem não teve a oportunidade de assistir aos shows da turnê, recomendo buscar vídeos do Lo Cor na internet para conhecer os caras, que entendem um bocado de gogó:
Saiu!!
Recebi hoje a boa nova de que “Pare Siga” está oficialmente lançado, lá no Som Barato. Enquanto eu ainda não sei como as cópias físicas do disco estarão disponíveis ao grande público, convido todos a divulgarem e redistribuírem o material à vontade. Depois que os discos físicos chegarem também, inclusive.
Como um dos responsáveis por mais essa empreitada do conglomerado Profiterolis, estou muito orgulhoso. “Pare Siga” foi um disco que envolveu muita negociação para que fosse feito do jeito que a gente queria, e o resultado valeu a pena, pelo menos é o que nós acreditamos.
A linha-mestra que guiou esse disco foi a subversão do conceito de “Disco Ao Vivo”, nosso ponto de partida. Tínhamos que fazer um disco ao vivo, e um disco ao vivo fizemos. Não no sentido de um disco de um show, ou de um disco de sucessos da banda tocados ao vivo em diversos shows. Mas um disco em que a maior parte do material foi tocada ao vivo, com todos os músicos, técnicos, produtor e assistentes na mesma sala, trabalhando com as vantagens e desvantagens do formato.
Ouvindo o riff d’”O Herói da História”, música que abre o disco, eu percebi que fez uma grande diferença utilizar o ambiente em que estávamos como parte da sonoridade do disco como um todo, criando um som que dificilmente a gente criaria de outra forma. Esse conceito permeou inclusive os Overdubs que fizemos depois, utilizando outros ambientes e suas “pegadas” sonoras. Como as vozes de Lulina na faixa título, nas gravações feitas n’As Caverna, ou nos “A-hê” gravados nos longos corredores das novas instalações do Mr. Mouse.
Bom, ouçam, e comentem!
As duas semanas dos presidentes – 06.05.09
- Recebemos, ainda em Abril, uma cópia de “São Mateus não é um lugar assim tão longe”, disco de estréia de Rodrigo Campos, bastante noticiado na imprensa local e nacional, inclusive. A terceira faixa do mesmo, de título ‘Brother José’, contou com produção e baixo elétrico do Missionário homônimo – que não é o brother em questão, apesar da amizade iniciada com o compositor por ocasião desta empreitada – e guitarras embaladas do André Édipo. A faixa, que também conta com a bateria e os vocais magistrais do Curumin, pode ser ouvida no nosso Myspace, e também no site da Ambulante.
- Segunda, dia 27, o Missionário foi até Pirassununga conferir um ensaio dos meninos do Projeto Guri, pra música ‘Os Fugitivos’, do Maurício Pereira, que será produzida por Jardel no disco “Guri Convida”, cujas gravações começam no mês que vem. Quarta, dia 29, foi a vez do Pólo Mazzaropi, na capital, pra conferir a música do Curumin, e fechando o mês o Pólo Júlio Prestes, pra conferir como vai a do Siba.
- Em Recife, no dia 25, houve a primeira edição do festival Quintal PE, que contou com shows de Nação Zumbi, Eddie, Otto, Blind Date (Naná Vasconcelos + DJ Dolores), Eta Carinae, Bonsucesso e Vargas. Neste festival houve a reedição do show China+Mombojó que foi feito ano passado em algumas cidades – Recife, São Paulo, Rio e Curitiba. André tocou com China e os Mombojós e o show foi muito bom.
- Também em Recife, um dia antes do festival, foi inaugurado o Memorial Chico Science onde a Jardel fez o sound design para ambiente imersivo que conta com projeção e utilização do Vimus, do grande Jarbinhas.
- Outro disco que está em processo de lançamento – digamos assim, é o novo do Profiterolis, produzido pelo Missionário junto com a banda, e gravado ao vivo (com e sem platéia) no teatro do SESC de Casa Amarela no meio do ano passado. Por enquanto você pode baixar um single no site da banda – www.profiterolis.com – e também assistir a um trecho de um making-of que está sendo feito pela nossa querida Tatiana Almeida:
- Voltamos hoje de um breve período de visitas no Rio de Janeiro, aos amigos das antigas e também a novos amigos e parceiros. Jardel presente e no resumo seguinte, mais novidades.
Aventuras em Diversos Canais, Cap. 2 – Sivuca & OSR – João e Maria
Voltando à nossa série, e também a 2004, resolvi buscar uma faixa que pra mim teve um significado muito importante, de uma forma quase multidisciplinar, digamos assim. Não é todo o dia em que você grava uma das suas músicas favoritas com o próprio compositor dela. E João e Maria é uma das minhas músicas preferidas, desde sempre, fato devidamente documentado em alguma fita K7 onde estou eu lá cantando com uns três anos de idade.
Numa das diversas pausas no disco d’Azabumba, eu fui convidado pelo Paulo Lima – possivelmente o melhor diretor que o Depto. de Música da UFPE já teve, sem dúvida o mais camarada – e pelo Osman Gioia – que foi meu professor na especialização e também é o Regente da Orquestra Sinfônica do Recife – pra gravar um disco da OSR com o Sivuca, executando um repertório que já fazia tempo que era executado em seus concertos com Orquestras em geral, e da OSR com ele – que também foi responsável por todas as orquestrações.
A idéia seria gravar no Teatro do Centro de Convenções da UFPE, que não é a melhor das salas, mas também está longe de ser a pior. Na verdade, é uma sala bem-comportada, talvez com uma reverberação um pouco longa demais. Definitivamente não é tão suscetível aos ruídos do exterior quanto o Sta. Isabel, por exemplo, que tem uma acústica muito legal, mas um isolamento de mentira, e é bem mais útil pra gravação do que o Teatro Guararapes, talvez grande demais. E bom, faz parte do conglomerado UFPE, então ficava bem mais acessível para o Depto., pra começo de conversa.
O equipamento para a gravação foi o do próprio estúdio, devidamente desmontado e levado pro teatro, e ficou sob os cuidados meus, do grande Adriano Nascimento, e do Marcílio. Gravamos com um par espaçado, tendo a opção de um terceiro microfone central caso o centro ficasse muito vazio, e alguns microfones pontuais por naipe, além de um microfone para a Sanfona solo. O Adriano e o Marcílio ficaram cuidando da botoeira e dos níveis, e eu cuidei de olhar as grades e acompanhar a orquestra pra ninguém passar a perna na gente. O disco foi todo feito em uma semana, começando com a montagem e ajustes na segunda-feira, e na quinta já tínhamos tudo no HD.
Gravar orquestra é um dos maiores exercícios de organização e foco, e uma aula de como resolver os problemas de uma produção antes que eles se tornem problemas. Antes de mais nada, o empenho de reunir uma Orquestra Sinfônica, em qualquer lugar do mundo, está além das forças de qualquer indivíduo. Depois de reunido, acomodado e microfonado, é sempre bom lembrar que estamos falando de umas duzentas pessoas, e não de quatro ou cinco. Pra mandar rodar um take, é melhor checar algumas vezes se está tudo ligado, com exceção dos celulares. E ouvir – e anotar – o que acontece no take, pra saber se precisa refazer tudo, só um pedaço. E lembrar que uma parada pro cafezinho tende a levar entre 40 minutos e uma hora. Mais ainda quando a orquestra é repleta de figuras do naipe de Homero Basílio e João do Cello.
Por outro lado, é um som que tá ali, tá pronto. Ao contrário de uma mixagem de música popular, em que você normalmente constrói um som ancorado em alguns elementos, com a orquestra você parte de uma perspectiva que já existe, é só não estragar. No nosso caso particular, usamos a técnica de gravar uma claquete pra alinhar todos os microfones pontuais com os microfones do ambiente, que economizou um bocado de tempo na preparação das faixas pra edição e mixagem. A edição foi quase nenhuma, meramente juntar algum material que tenha chamado mais atenção de um take com outro, e a mixagem foi praticamente um passeio no Parque da Jaqueira ao por-do-sol.
Ainda tivemos a sorte de conseguir lançar o disco com o Sivuca no Teatro Sta. Isabel, em uma de suas últimas apresentações. Impecável, como sempre.
Procure saber:
Em San Francisco
Embora estejamos aqui contemplando o vai e vem dos automóveis pela Vila Mariana, Jardel também está presente lá em San Francisco, na GDC deste ano, numa parceria com um estúdio de jogos eletrônicos. Para quem quiser saber mais – sobre a feira, é só acessar o link acima ou abaixo:
Nesse ínterim, estamos nos entretendo com:
- Demos e idéias que estão virando faixas com nosso querido Igor Gazatti, a.k.a. Zyon, e nossa querida Cecília Meira.
- Vídeos de celular para recapitular as lições de domingo do Kraftwerk e do Radiohead.
- Arranjos e organizações e preparativos para o disco do Projeto Guri.
Em casa
Eis aqui um instantâneo digital da nossa nova sede, ainda em processo de arrumação e organização em geral. No momento, Jardel de ocupa com:
- Organizar os anos e anos de bancos de som guardados em diversos CDs, DVDs e HDs.
- Acompanhar as peripécias de Neil Young e seu carro elétrico.
- Fazer os ajustes finais na mix d’Azabumba.
- Esquentar os tamborins pra mixar umas faixas do Jr. Black.
- Fazer uma trilha para um ambiente imersivo lá em Recife
E organizar a nossa despensa para as visitas vindouras.
Aventuras em Diversos Canais, Cap. 1 – Azabumba – Corte Agudo
Como eu estou mesmo mixando um EP novo pr’Azabumba, resolvi começar com eles uma série de pequenas memórias sobre faixas e outras empreitadas ao longo do tempo. Essa faixa, parte integrante do disco de estréia da banda, é uma das minhas preferidas do disco, talvez por ser uma das que eu tenha metido mais a mão, ou por ser mais representativa do que a banda veio a ser, depois do disco, do que o que a banda era antes dele.
Em diversos momentos eu havia sido chamado pra trabalhar nesse disco, desde antes do começo das gravações, mas por um problema aqui, outro ali, acabou que eu peguei o disco pra mixar, já com o bonde andando um bocado, sem saber que a gente iria na verdade fazer outro disco quase inteiro no processo. Das gravações até eu entrar de vez no projeto participaram principalmente Lindemberg Oliveira, PiR e talvez Marcílio Moura também. Digo talvez porque, entre o estúdio do Depto. de Música da UFPE e o Fábrica são uns poucos quilômetros, e eu e Marcílio já substituímos um ao outro tanto em ambos que ao longo dos anos a gente começa a esquecer quem fez exatamente o que, e quando. E essa dança das cadeiras entre eu, Marcílio, Linde e Pierre não aconteceu só nesse disco tampouco…
2004 não foi um ano muito fácil pra a maioria dos envolvidos no processo de feitura de “Azabumba”, o disco. E por algum acaso desses do destino, juntou-se uma banda em crise com um produtor / mixador que também não estava na melhor de suas fases. Guardadas as devidas proporções, a gente estava meio que se sentindo os Beatles no Let it Be, sem os milhões de dólares e de fãs. Mas se, por um lado, tava meio ruim pra todo mundo, por outro a gente tinha motivos de sobra pra se enfiar no estúdio e esquecer o que estava se passando da porta pra fora. E isso é muito fácil no estúdio da UFPE, que fica no final de um corredor escuro que a maioria das pessoas nem sabe que existe, mesmo aquelas que frequentam o CAC há anos. Em um determinado momento a gente começou também a inventar senhas como Peixe-Espada e “A vaquinha dá leite” pra limitar o acesso ao estúdio, inclusive.
Então, durante o processo de mixagem, a banda começou a descartar algumas músicas que sentia-se que não representavam mais tão bem sua sonoridade. Outras estavam um tanto quanto bagunçadas de overdubs e arranjos que precisaram de alguns dias de edição pra parecer música de novo. E começamos a gravar algumas músicas novas, pra suprir o corte de outras. Foi aí que apareceu “Corte Agudo”. A percussão é bem simples, vinda um dos kits mágicos de Bubu e Rudá, os percussionistas da banda então, com uma antena de TV a cabo, um reco-reco e um caixa. Baixo, bandolim, e vozes. E muitos, muitos efeitos, alguns feitos à mão, outros usando um dos nossos brinquedos favoritos da época – e pra mim, até hoje – o Antares kantos, que infelizmente deixou de ser produzido, mas que participou a três por dois, do disco e da faixa.
Após um bocado de idas e vindas, mudanças repentinas da formação da banda e no conteúdo do disco, mixagens e remixagens, acabamos “abandonando” o disco no momento certo. Ou quando precisava ser, porque o disco precisava sair, e a gente precisava também seguir em frente.

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