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Vale um desenho. E um vídeo
Este é um vídeo sobre um projeto do João Lin, um dos grandes craques da atualidade
Colaborar é preciso
O vídeo que colocamos aqui abaixo é uma demonstração do Ohmstudio, uma estação de trabalho colaborativa que está sendo desenvolvida pelos caras da Ohmforce, que já faz alguns dos plug-ins mais legais do mundo, entre eles O MELHOR plug-in gratuito de todos, o Frohmage. Essa é uma tendência que já vem sido observada há um tempo, e vários desenvolvedores ao redor do mundo estão aparecendo com a sua proposta de um ambiente em que pessoas que não estejam no mesmo lugar possam colaborar fazendo música em tempo quase real. O site Indaba apresenta essa mesma proposta num formato de rede social, meio Orkut / Facebook, enquanto outros softwares como o Live já trazem em si mesmos opções de compartilhamento de sessões online.
Essa movimentação não chega a ser exatamente uma novidade, a grande diferença atualmente é que com um aumento na velocidade média – digamos assim – de conexões à internet pelo mundo afora, ficou mais real a possibilidade de trabalhar com arquivos de áudio e vídeo em ambientes online ou, como preferem alguns, na famosa ‘nuvem’ de dados que está por aí em algum lugar nos mega-servidores espalhados pelo planeta. Justamente por causa desse aumento na transferência de dados, produtos COMERCIAIS, como são todos os mencionados acima, também passam a ser viáveis. A colaboração em tempo real via MIDI pela internet não é uma novidade há algum tempo – praticamente desde que existem redes de computadores, existem maneiras de se mexer uns nos outros à distância – é só perguntar pro usuário de Max/MSP ou PureData mais próximo. A outra grande diferença, é que num formato como o do Indaba, por exemplo, o processo para chegar até o seu projeto colaborativo é o mesmo de chegar até o seu e-mail e gravar alguma coisa no seu computador, você não precisa pegar gosto por criar patches em Pd ou ainda implementar neles a transmissão de MIDI ou áudio.
Certamente quem acompanhar vai ver, nesse e nos próximos anos, grandes mudanças na oferta e no funcionamento dessas plataformas. Por exemplo, daqui a pouco vai ser possível ver uma webcam no cantinho da tela pra rolar um contato visual entre as pessoas que estão colaborando – o que nem sempre é uma boa idéia, especialmente pra quem tiver que me ver de pijama e cabelo arrepiado em casa, e obviamente, em algum momento alguém que tenha vários sintetizadores ou baterias eletrônicas ou amplificadores vintage vai poder começar a alugar seus equipamentos sem precisar tirá-los de casa, é só puxar o MIDI, o CV ou o sinal de áudio diretamente da placa, e mandá-lo de volta devidamente processado – e o locatário ainda pode pedir pra mexer mais ou menos nisso ou naquilo ouvindo seus resultados em tempo real.
Pensando bem, acho que está na hora de pegar aquele Juno 106 de volta da assistência técnica…
Preenchendo o espaço…
Em vias de completar um mês sem passar por aqui, eu pelo menos garanto que foi por um bom motivo. Quem acompanhou Jardel pelo Twitter ou pelo Facebook viu que a barba do disco do Projeto Guri foi crescendo, até não dar mais tempo pra nada. Modos que eu mal falei, menos ainda escrevi, e oxalá eu tenha mixado / produzido direito nesse período. Mas acredito e assino embaixo que o disco ficou bom.
Falando em disco, lembrei hoje do tempo em que se cruzava (ou do tempo em que eu cruzava) não só uma cidade mas toda uma região metropolitana em busca de um disco. Não bastava sair de Marofa (Maria Farinha) até a Discossauro – junto da impontente Faculdade de Direito do Recife – gravar fitinhas, a gente ia até a Vivace do Shopping Guararapes a bordo de um Rio Doce / Piedade (Barra de Jangada / Casa Caiada), completar a coleção. Foi lá que eu comprei, a custa de muita mesada e lanche na UFPE, o meu “Experimental / Jet Set / Thrash & No Star”. Grande disco. A explicação do título é meio auto-indulgente demais, mas quando a gente é fã, a gente é fã mesmo.
Fui, comprei e voltei pra Maria Farinha pra ouvir. Descobri que algumas das músicas – Tokyo Eye e Bull in The Heather, especialmente – eu tinha visto ao vivo em Barcelona um ano antes, talvez em estágios experimentais, eu não era tão CDF assim. Do mesmo jeito foi com o Angel Dust do Faith No More, uns dois anos antes. Comprar o disco e ouvir em casa, várias vezes, no fone e de portas fechadas. Algumas do Angel Dust eu tinha derrubado no Geraldão, em 91, naquele show memorável, com o mosh memorável do Paulo André
Exatamente hoje, ambos (Sonic Youth + Faith No More) tocaram na cidade em que eu estou morando, e eu sei que teria sido massa vê-los ao vivo, mas não daria pra ver os dois. Por ser um tanto sortudo, muito metido e um outro tanto articulado, eu já conversei um bocadinho com todos eles. Aprendi menos na conversa do que vendo os shows, mas consegui fazer o Mike Patton mandar um beijo pra minha irmã numa fita cassete que sabe lá Deus que fim levou, pelo menos ela ouviu quase em tempo real.
Por mais absurdo que possa parecer, só hoje eu estou realmente entendendo que o Sonic Youth, o Faith No More e o Pixies – com quem eu também tive a sorte de trocar uma idéia durante um fortuito bico de técnico de monitor pro Teenage Fanclub – foram por assim dizer os Rolling Stones, The Who e os Beatles pra mim, naquela época da vida em que isso tem uma importância gigante mesmo. E que se eu por acaso encontrá-los de novo por aí, quiçá eu possa agradecê-los por isso.
Música, tempo e divagações
Semana passada terminamos com uma pergunta, que teve algumas respostas. Hoje começamos com um problema, que é o fato de Música só existir em tempo real. Desde os tempos imemoriais, o homem vem tentando fixar a música em algum suporte físico que a liberte das demandas do tempo real, sem nenhum sucesso. Ainda que algum algoritmo fantástico em algum ProTools do futuro passe pelo Teste de Turing, mesmo assim ele vai ter que se virar nos 30, 60 ou 210 segundos corridos necessários pra que a pessoa escute uma canção, uma melodia. Sem se espalhar no tempo e combinar sons diferentes com durações diferentes, não existe Música, existe o Ruído Branco, ou o Gato no Piano.
Talvez por isso mesmo, nosso métier seja tão complicado, por lidar com algo tão abstrato, intangível. Veja a Gioconda, por exemplo. Nesse exato momento ela está lá no Louvre olhando um monte de Japonês. É a mulher morta mais fotografada de todos os tempos, pintada num pedaço de pano há muito tempo atrás por um proto-italiano que hoje em dia provavelmente estaria internado em uma instituição psiquiátrica. Seu valor é inestimável.
Nos mantendo na seara dos superlativos, a Missa do Papa Marcelo – veja bem que é o Papa Marcelo II, não o Padre Marcelo Rossi – composta por Palestrina não muito longe dali, mais ou menos na mesma época, também é inestimável, mas justamente por não ter nada a que se possa conferir algum valor material – mesmo tendo sido uma pedra fundamental da música no Ocidente. Uma gravação da Missa, parada lá dentro da caixinha de plástico, não serve de nada a não ser que alguém a coloque pra girar, sente e escute. A Missa impressa no papel também não é a Missa em si, se não houver alguém que sente, leia e toque. No caso, vários alguéns, porque é voz que não acaba mais. Os próprios originais escritos pelo Palestrina, se é que eles existem, provavelmente valem uma nota preta, mas por serem documentos históricos, e não por serem a música que está escrita neles. A Música só está ali em potencial. Nas eternas palavras do grande Cyrus, vocês sacaram?
Entretanto, apesar de abstrata em sua essência, a Música – e de certa forma a Arte como um todo – é uma forma de expressão extremamente pragmática e funcional, no que raramente existe sem que haja um objetivo real. Vejam por exemplo a arte rupestre. Estamos falando de pessoas que tinham que matar o proverbial leão diário pra se alimentar, sozinhas ou em grupo. Acho difícil que no final do dia o Senhor Neanderthal tivesse energia pra fazer uns croquis na parede da sala pra desopilar, ou desenvolver sua técnica de bico-de-pena. Ele, ou ela, provavelmente estavam deixando um recado pra próxima geração, louvando alguma divindade, fazendo o seu google maps litográfico. O grande mérito dos ‘Grandes Compositores’ da coleção da revista Caras foi ter desenvolvido a linguagem da música européia ao mesmo tempo em que pagavam suas contas e deixavam tudo em ordem aos olhos do seu respectivo mecenas. O próprio Da Vinci, pintou sua Mona Lisa por alguns caraminguás, entre um projeto de helicóptero e outro.
Seria esse o cruel destino da nossa espécie? Condicionar a nossa expressão a correr atrás de um contra-cheque? Eu imagino que essa constatação não é tão fatalista, nem tão cruel assim, pois acredito que o objetivo maior das Artes e das Ciências é o fechamento do ciclo, a conclusão da obra. Uma idéia dentro da minha cabeça ou da sua é uma idéia, mas ela só tem graça em propaganda de Universidade privada. O processo de transformar essa idéia em uma canção de três minutos, numa casa de praia ou em uma fórmula matemática supimpa é o que faz da inspiração uma proposta, e nos habilita pra ser o que somos. E no final do arco, o fechamento apresenta as possibilidades para a próxima empreitada.
Por mais Lair Ribeiro que esse último parágrafo possa soar – quem sabe eu não ganharia melhor vendendo livros de auto-ajuda? – muitas pessoas que trabalham com arte em geral compartilham dessa visão. Da mesma forma que é importante divagar, filosofar que seja, e deixar a mente explorar os recônditos mais afastados do universo em constante expansão dentro da nossa cabeça, o caminho de volta é igualmente importante. E, a exemplo daquela piada do cara que vai parar sozinho na ilha deserta com a Gisele Bündchen, contar a história no final talvez seja o grande barato.
Semana que vem eu vou fazer o caminho de volta, e falar um pouco sobre esse assunto na esfera dos Produtores Musicais que a gente conhece e ama. Até lá.
O poder mágico das situações adversas
O título desse texto me ocorreu numa conjunção de fatores, especificamente ouvindo o Machine Head do Deep Purple no metrô, voltando pra casa depois da master do disco da Alessandra Leão. O Machine Head é um desses discos “lenda viva” – que transcendem a categoria de disco clássico, e se torna parte das entranhas da nossa cultura, surgindo em todo canto, desse moleque aqui testando uma Les Paul coreana na Rua da Concórdia com o riff-haikai de “Smoke on the Water“, até um anúncio de algum carro-família que eu vi ano passado, tocando “Highway Star”. Sem o Machine Head, o DP provavelmente seria uma banda de Hard Rock / Metal da segundona, brigando ali com o Dio e o Quiet Riot por um lugar na eternidade, e fornecendo mão-de-obra especializada para os deuses da primeira divisão.
Mas o Machine Head é um senhor disco, e não foi fácil de fazer. Na época, o Deep Purple ainda era uma banda que pegava no pesado, e na maior parte do tempo viajava de ônibus. Emendando uma turnê na outra, tinham pouco tempo pra perder em estúdio, pois eles – como nós hoje em dia – ganhavam dinheiro mesmo tocando, e não vendendo disco. A solução foi alugar a unidade móvel dos Rolling Stones e gravar na estrada, numa pausa nos trabalhos após o Festival de Montreux de 1971, no Cassino onde o festival acontecia – nessa época o festival era pequeno e durava uns dois ou três dias. Sendo que o cassino pegou fogo, durante o show do Frank Zappa, e como diz o ditado, fudeu. A solução foi um hotel que estava fechado, onde fazia frio e as condições não só não eram as melhores como eram ruins pacas, e o jeito foi improvisar com colchões, camas e lençóis. O resumo da ópera, inclusive, é a própria Smoke on the Water, que conta direitinho como tudo aconteceu.
Comparado com o Machine Head, Dois Cordões, o disco novo da Alessandra, é como o Tusk do Fleetwood Mac, para o qual se construiu um estúdio só pra começo de conversa. Mas nem tanto, nem tão pouco. A adversidade mágica no caso foi conseguir gravar e mixar um disco cheio de detalhes em pouco tempo, desde o começo, aqui em SP – onde gravamos todas as percussões e vocais principais em menos de uma semana, ainda por cima fazendo umas duas música do zero – até o final – a participação de Jorge Du Peixe no disco foi gravada aqui DURANTE a mixagem da mesma música em Recife. Ninguém teve que passar frio – acho que só a Alê reclamou um pouquinho do ar-condicionado lá da YB, mas também ninguém ficou de bobeira. Esses e alguns outros exemplos – que eu testemunhei até hoje, ou sobre os quais eu li ou assisti, me colocaram uma pulga atrás da orelha perguntando: “Será que músico só trabalha bem sob pressão?”.
Talvez sim, talvez não. Eu normalmente estimo que, uma vez que a música esteja pronta do ponto de vista de melodia, ritmo, arranjo e forma, ela leva entre 6 a 12 horas pra “florescer” em estúdio – entre gravar tudo o que precisa ser gravado, aparar as arestas de performance e arranjo, e mixar. Isso é uma média no melhor estilo “ou dá, ou desce”, porque baseado nisso você planeja 100, 150 ou 200 horas pra fazer um disco inteiro, e isso é o que você tem, pro bem ou pro mal. Normalmente, a sempre presente culpa recai sobre o dever de casa malfeito, a música que não chegou pronta no estúdio, o músico que na hora H não compareceu, o café que tava morno, o cachorro que latiu. Sendo que cada exemplo de problema, há outro mostrando que esse não é um problema tão grande assim.
A minha teoria propõe que sob pressão, perdemos menos tempo explorando as infinitas possibilidades do mundo pós-moderno. Mas se o importante – eu mesmo falei isso duas semanas atrás – é saber explorar as possibilidades, experimentar novas idéias, como é que fica esse negócio? Aí é que entra uma habilidade difícil de medir, e que a gente só desenvolve na lida: a nossa capacidade de fazer escolhas. Fazendo um paralelo, seria o equivalente na música e no áudio do “olho clínico”. Você não precisa ter 20 sons de caixa ou 30 takes de uma voz, o que você precisa é saber qual é o que presta. De preferência, sem ter que ouvir tudo de novo umas 30 vezes. Para este ponto, vamos recorrer à categoria “analogias úteis entre música e culinária”: É o ponto da massa e do tempero que diferenciam uma iguaria de uma papa intragável, ou mesmo de um prato bem-servido, mas sem graça.
Esse “ouvido clínico” também é quem liga os neurônios certos na hora de inventar alguma coisa inusitada mesmo quando o bicho está pegando, e nos permite aferir se a idéia está ajudando ou é melhor parar enquanto é tempo. Eu não creio que isso seja alguma espécie de poder Jedi conferido a alguns poucos premiados pelo destino. Acho que é algo que a gente desenvolve, num processo que pode ser mais rápido ou mais lento de acordo – aí sim – com a predisposição natural de cada um. Apelando para a categoria “analogias úteis entre música e futebol”, é feito o gol de bicicleta – primeiro você precisa aprender a fazer, depois você precisa saber se é a hora certa de arriscar.
Pegando emprestado a metalinguagem do Ian Gillan na faixa lá de cima, eu confesso que não posso me alongar muito nesse momento, estou quase me atrasando pra uma reunião. Como esse post é a parte 1 de uma conversa maior sobre as relações entre pragmatismo e divagação, na música e nas artes em geral, talvez seja bacana também ficar divagando – se eu disser filosofando eu vou apanhar da Júlia Grande – sobre essas questões. Modos que pra fechar a conversa do dia eu deixo a pergunta: Você trabalha melhor sob pressão?
O mundo e as coisas (dos jovens), Pt. 1.

O mundo e as coisas é assim mesmo. Estão por aí e a gente tem que prestar atenção e se adaptar. Se ficar emburrado e reclamando, achando difícil ou complicado, vai perder o bonde. Na humildade a gente vai tentando entender essas doideras do mundo. E das coisas.
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No final de março desse ano, saiu uma pesquisa que mostram alguns dados alarmantes pro já cambaleante mercado fonográfico. Resumindo é isso aqui:
Adolescentes (entre 13 e 17 anos) adquiriram 19% menos música em 2008 do que em 2007. Em qualquer formato. A venda de CDs caiu 26% e a de downloads pagos caiu 13% no mesmo período. Do grupo que afirmou ter feito menos downloads pagos, 32% se mostrou insatisfeito com a qualidade das músicas disponíveis e 23% disse já ter uma quantidade ideal de música em seus HDs, ou seja, não se interessam em baixar mais nada.
Até aí tudo (relativamente) bem, mas essa queda em downloads pagos foi acompanhada também por uma queda de 6% em downloads feitos em redes P2P (peer-to-peer, os famosos soulseeks e afins). Até o número de músicas que esses jovens estão pegando pra copiar (do computador de amigo, de CDs) também caiu. Em 28%.
O que é isso? É lugar comum dizer que os jovens não têm (F**K U, nova ortografia) mais interesse em comprar discos físicos. Ok. Eles não pagarem por isso na internet também faz algum sentido. A questão é que eles não estão nem baixando música de graça, nem pegando com os amigos.
De repente, quando estávamos todos rindo da desgraça das grandes gravadoras, estamos vendo que o principal canal de divulgação de nosso trabalho não está mais servindo pra nada.
Será que é isso mesmo? Será que os jovens realmente não estão atraídos pelo que há de novo na música de hoje? O problema são eles ou a gente? Será que são as grandes corporações malígnas do mundo? Ou não há problema algum nisso?
Por enquanto há mais perguntas que respostas, mas uma das respostas parece ser nosso amigo Myspace.
Como?!
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Semana que vem segue a questão.





