Jardel Music

Música e Áudio

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Colaborar é preciso

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O vídeo que colocamos aqui abaixo é uma demonstração do Ohmstudio, uma estação de trabalho colaborativa que está sendo desenvolvida pelos caras da Ohmforce, que já faz alguns dos plug-ins mais legais do mundo, entre eles O MELHOR plug-in gratuito de todos, o Frohmage. Essa é uma tendência que já vem sido observada há um tempo, e vários desenvolvedores ao redor do mundo estão aparecendo com a sua proposta de um ambiente em que pessoas que não estejam no mesmo lugar possam colaborar fazendo música em tempo quase real. O site Indaba apresenta essa mesma proposta num formato de rede social, meio Orkut / Facebook, enquanto outros softwares como o Live já trazem em si mesmos opções de compartilhamento de sessões online.

Essa movimentação não chega a ser exatamente uma novidade, a grande diferença atualmente é que com um aumento na  velocidade média – digamos assim – de conexões à internet pelo mundo afora, ficou mais real a possibilidade de trabalhar com arquivos de áudio e vídeo em ambientes online ou, como preferem alguns, na famosa ‘nuvem’ de dados que está por aí em algum lugar nos mega-servidores espalhados pelo planeta. Justamente por causa desse aumento na transferência de dados, produtos COMERCIAIS, como são todos os mencionados acima, também passam a ser viáveis. A colaboração em tempo real via MIDI pela internet não é uma novidade há algum tempo – praticamente desde que existem redes de computadores, existem maneiras de se mexer uns nos outros à distância – é só perguntar pro usuário de Max/MSP ou PureData mais próximo. A outra grande diferença, é que num formato como o do Indaba, por exemplo, o processo para chegar até o seu projeto colaborativo é o mesmo de chegar até o seu e-mail e gravar alguma coisa no seu computador, você não precisa pegar gosto por  criar patches em Pd ou ainda implementar neles a transmissão de MIDI ou áudio.

Certamente quem acompanhar vai ver, nesse e nos próximos anos, grandes mudanças na oferta e no funcionamento dessas plataformas. Por exemplo, daqui a pouco vai ser possível ver uma webcam no cantinho da tela pra rolar um contato visual entre as pessoas que estão colaborando – o que nem sempre é uma boa idéia, especialmente pra quem tiver que me ver de pijama e cabelo arrepiado em casa, e obviamente, em algum momento alguém que tenha vários sintetizadores ou baterias eletrônicas  ou amplificadores vintage vai poder começar a alugar seus equipamentos sem precisar tirá-los de casa, é só puxar o MIDI, o CV ou o sinal de áudio diretamente da placa, e mandá-lo de volta devidamente processado – e o locatário ainda pode pedir pra mexer mais ou menos nisso ou naquilo ouvindo seus resultados em tempo real.

Pensando bem, acho que está na hora de pegar aquele Juno 106 de volta da assistência técnica

Written by missionariojose

July 5th, 2010 at 3:05 pm

Esqueletos eletrônicos no armário

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Na época em que eu me mudei pra São Paulo, minha grande amiga Florência Saravia me convidou para escrever alguns artigos que, não por culpa dela ou minha, nunca foram publicados em canto nenhum. Eu cheguei a escrever o primeiro de uma série sobre a história dos instrumentos eletrônicos, que eu estou publicando abaixo sem edições -  ainda não chequei os links pra ver se está tudo funcionando, ou se há alguma coisa faltando. Eventualmente a série poderia continuar por aqui, mas como esse ano ainda vamos ouvir várias promessas, não vou ser eu a fazer mais uma delas.

Sem mais delongas:


Uma das coisas mais difíceis que um indivíduo pode tentar fazer é chegar a uma definição satisfatória sobre o que vem a ser ‘Música Eletrônica’. Para alguns, é aquilo que se ouve em uma boate ou casa noturna, submetendo-se a níveis de pressão sonora altíssimos – e perigosos – em uma catarse coletiva, que é praticada cotidianamente na maioria das cidades do mundo. Para outros, seria a evolução natural da música erudita durante e após o século XX, criada e apreciada por grupos específicos de compositores, estudiosos e também ouvintes dedicados. Outros ainda podem argumentar que hoje em dia toda a música é eletrônica, a não ser que você esteja ouvindo vozes e instrumentos em um espaço sem o recurso de nenhum tipo de amplificação, como, por exemplo, ao assistir uma orquestra sinfônica numa sala de concertos.

Por aqui, vamos sem dúvida falar de música, mas sem nos ater à preocupação de definir o que é música eletrônica. Nosso foco principal é no desenvolvimento de uma série de instrumentos e ferramentas, surgidos ao longo de mais de um século com os mais diversos propósitos, e que em sua maioria têm em comum a geração ou reprodução de sons por meios eletrônicos. Certamente, alguns deles foram utilizados pra criar aquilo que se encaixa na sua definição favorita do que é ou do que deixa de ser ‘Música Eletrônica’.

Nossa história começa em meados do século XIX entre a Europa e os Estados Unidos, onde a sociedade ainda sentia o impacto da Revolução Industrial, em meio à enxurrada de invenções e descobrimentos científicos que revolucionaram a vida e o pensamento da época. Dois desses inventos foram decisivos para o mundo da música e do áudio, o Telefone – cuja invenção, oficialmente atribuída a Alexander Graham Bell em 1876, é um tópico controverso – e o Fonógrafo, apresentado por Thomas Edison em 1877.

Ambos abriram as portas para fazer com o som coisas até então inéditas, a partir da conversão das ondas sonoras em outra forma de energia, a elétrica – que permitiu que o som viajasse distâncias muito maiores, e é a base da amplificação tal qual a conhecemos – e a mecânica, que tornou possível ‘fixar’ as informações em uma base tangível para uma posterior reprodução e/ou manipulação.

1876 – Música pelo telefone

Elisha Gray, o homem que não inventou o telefone

A grande frustração do americano Elisha Gray (1835-1901) foi não conseguir assegurar para si o título de inventor do telefone. Até tentara patentear um invento bastante semelhante, mas perdeu no timing pra Graham Bell, que tinha passado mais cedo no escritório de patentes. Acabou se conformando em ser o tataravô dos sintetizadores, pois ainda em 1876 desenvolveu um tipo de oscilador elétrico para geração de sons, e juntando vários deles, criou um instrumento conhecido como ‘Telégrafo Musical’. De telegrafia mesmo o instrumento de Gray não fazia nada, mas era dotado de um teclado de duas oitavas onde se podia tocar melodias, que por sua vez eram transmitidas pela linha telefônica e reproduzidas à distância nos aparelhos receptores.

É interessante notar que a transmissão de música à distância surge como uma necessidade imediata, logo após o surgimento do telefone. Nos anos anteriores à massificação das transmissões de música pelo rádio, foram diversos os inventores que propuseram soluções para esta demanda, mas nenhuma com tanto sucesso. Elisha Gray chegou a fazer turnês apresentando seu invento, mas terminou voltando seus interesses para o deselvolvimento da telefonia.

Modelos posteriores do Telégrafo Musical já contavam com alto-falantes rudimentares, semelhantes aos utilizados nos aparelhos de telefone, mas o primeiro instrumento a ser amplificado sem o intermédio de um aparelho telefônico surgiu por acidente, do outro lado do Oceano Atlântico.

1899 – Música nos postes

Convocado para resolver o problema do ruído excessivo do sistema de iluminação pública de Londres, que utilizava lâmpadas de arco voltaico com eletrodos de carbono, o britânico William Duddell (1872-1917) descobriu que, ao variar a voltagem fornecida às lâmpadas, ele poderia gerar e controlar frequências sonoras. A partir dessa descoberta, criou um instrumento conhecido como ‘Singing Arc‘, ou ‘Arco Cantante’, em que melodias eram executadas em um controlador no formato de um teclado de piano, e no lugar do telefone, ou de um alto-falante, lá estavam as lâmpadas de arco voltaico.

A invenção de Duddell não foi produzida comercialmente, apenas demonstrada para o público da época na Grã-Bretanha, mas deu o pontapé inicial para possibilidade de comunicação entre equipamentos através de uma voltagem de controle, um recurso que na época de ouro dos sintetizadores teria uma importância fundamental.

1906 – Uma fábrica de sons

Haja roadie para carregar esse instrumento

Seguindo os passos de Elisha Gray, intuito de Thaddeus Cahill (1867-1934) ao desenvolver o seu Telharmonium também era transmitir música pelas linhas telefônicas, eventualmente desenvolvendo um serviço de música à distância que pudesse ser utilizado por hotéis, restaurantes e demais estabelecimentos, em tempos anteriores ao advento e à popularização da radiofonia. Sua invenção se utilizava de dínamos adaptados, o que lhe valeu também a alcunha de Dynamophone, que funcionavam mais ou menos como as Tonewheels de um Órgão Hammond. Até aí, tudo relativamente simples. Mas só até aí.

Na prática, Cahill registrou a patente de seu instrumento em 1897, mas o primeiro protótipo funcional só foi apresentado em 1906, na cidade de Holyoke, estado de Massachussets, nos EUA. Contava com 145 dínamos, cobrindo um espectro de frequências de 40 a 4.000Hz, e os sons eram acionados por um teclado de 7 oitavas dividido em 36 notas por oitava. Essa opção do inventor estava em dia com as investigações no campo do microtonalismo em voga na época, mas que acabou se mostrando contraproducente pois poucos instrumentistas se dispunham a desenvolver suas habilidades no instrumento.

Outro pedacinho do Telharmonium

Em termos de dimensões físicas, o Telharmonium era o que podemos chamar, sem pudores, de um trambolho. Pesava 200 toneladas, tinha aproximadamente 18 metros de extensão, e na única vez em que foi transportado, de Holyoke para Nova Iorque, foram necessários tão somente trinta vagões de trem. Com todo esse tamanho, potência não faltava, o que acabou se tornando um problema, pois o instrumento interferia drasticamente na rede telefônica nova-iorquina. E além de todos esses empecilhos, havia também o custo de produção, estimado em torno de duzentos mil dólares. Por essas e por outras, só três versões do instrumento foram construídas, a última delas tendo funcionado até 1916.

1912 – A arte do ruído

Gray, Duddell e Calhill apresentaram para o mundo novos sons, gerados eletronicamente e reproduzidos em aparatos eletroeletrônicos. No entanto, o que se sabe sobre o repertório executado nessas novas máquinas é que este se restringia à música dos compositores europeus de outrora, aquilo a que normalmente nos referimos como ‘música clássica’, e quem sabe talvez alguma canção popular aqui e ali. No campo da estética, poderia-se argumentar que não houve grandes novidades, afinal de contas os novos instrumentos tão somente executavam a música que já era executada anteriormente pelos seus semelhantes mais convencionais.

A partir da segunda metade do séc. XVIII, compositores em diferentes lugares estavam se ocupando de criar novos caminhos por onde a música poderia seguir. Claude Debussy, Igor Stravinsky, Erik Satie, Arnold Schönberg, Alban Berg, Anton Webern e muitos outros expandiram e cruzaram as fronteiras da Música Tonal ocidental, e criaram, cada qual na sua vez, um rebuliço no pensamento musical da época que tem repercussão até hoje.

Já o italiano Luigi Russolo, apareceu por volta da virada do século XX propondo que, além dos elementos musicais já conhecidos por todos – leia-se notas musicais organizadas em ritmo, melodia e harmonia – porque não adicionar à essa paleta toda a variedade de ruídos, ou ‘não-sons’, presentes no mundo e no dia-a-dia de cada um? Segundo ele, era fundamental conquistar a infinita variedade dos “sons-ruídos“.

Luigi Russolo, um homem que entrou pra história fazendo barulho

Para colocar em prática suas idéias, Russolo criou uma mini-orquestra à qual deu o nome de Intonarumori. Consistia em uma série de cones de metal aos quais estavam acoplados diafragmas esticados com diferentes larguras, estes friccionados, percutidos e utilizados como meio amplificação por seus executantes. O resultado chocou o público, o que provavelmente ainda aconteceria nos dias de hoje, quase um século depois.

Apesar do Intonarumori não ser exatamente um instrumento, tampouco um instrumento eletrônico, as idéias de Russolo ecoam na música eletrônica até hoje. Sua proposição de trabalhar com a manipulação de sons ‘não-musicais’ foi uma grande influência na obra de compositores como Edgar Varèse e Pierre Schaeffer e também no desenvolvimento de equipamentos como o sampler. E foi de um texto seu de 1913 que saiu o nome da banda inglesa de pop eletrônico ‘Art of Noise’.

1917 – O som do dia em que a Terra parou

Tudo o que foi falado até agora faz referência a uma espécie de ‘pré-história’ da música e dos instrumentos eletrônicos. Principalmente porque nenhum dos instrumentos mencionados teve uma continuidade histórica ou tecnológica direta. Os casos mencionados ofereceram poucos resultados práticos tanto para a sociedade como um todo, como para músicos em geral. E além do mais, especialmente no caso do Singing Arc e do Telharmonium, os instrumentos em questão eram gigantes verdadeiramente impraticáveis, tanto física quanto financeiramente. Parafraseando Robert Moog, certamente uma das pessoas mais gabaritadas pra falar sobre a história dos instrumentos musicais eletrônicos, foi com o Theremin que tudo começou de verdade.

Lev Sergeyevich Termen (1896-1993), um cidadão russo que ficou conhecido para a posteridade com o nome de Leon Theremin, era um músico e cientista maluco que, como quase todos os inventores no princípio do século XX, estava fascinado e envolvido com as descobertas ligadas à radiofusão. Uma das descobertas da época foi o princípio da heterodinia (intermodulação), segundo o qual duas frequências somadas geravam uma terceira a partir dos batimentos de frequência entre si, essa terceira tendo valor igual à diferença das duas frequências originais.

Um dos problemas encontrados na época ao tentar aplicar esse princípio para fins musicais era a influência do corpo humano, ou melhor, da interação de sua capacitância com um circuito heteródino, quando ambos estavam próximos. Lev, ou Leon, se valeu dessa característica para desenvolver seu instrumento, utilizando um circuito com duas frequências, uma fixa em 170.000 Hz, e a outra variável – através da interação com um corpo humano próximo – entre 168.000 e 170.000 Hz. Podemos perceber, sem muito esforço, que a diferença mínima entre as duas frequências é 0, e que sua diferença máxima é 2.000 Hz, uma largura de banda que está quase toda dentro do nosso campo auditivo, e que proporciona uma extensão musical de mais ou menos 7 oitavas.

A grande idéia de Leon Theremin foi aplicar o princípio da heterodinia para desenvolver um mecanismo de controle sobre essa frequência variável que não envolvesse o contato físico entre o executante e o instrumento em si. A partir de duas antenas, uma vertical para modulação de frequência, e outra horizontal para modulação de amplitude, o executante controlava as alturas musicais – sem precisar se limitar ao temperamento da escala de 12 tons ocidental – e a dinâmica do instrumento. Nascia o Thereminvox, também chamado por seu criador de Aetherophone – termo que podemos traduzir mais ou menos como ‘som etéreo’ – mas que ficou mesmo conhecido simplesmente por Theremin.

Do ponto de vista sonoro, o theremin é relativamente simples, sendo um instrumento monofônico e com poucas possibilidades de variação timbrística. As limitações nas características dos alto-falantes da época também reduziam a extensão do instrumento, tanto no campo das alturas como no campo dinâmico. Nada disso impediu, no entanto, que ao ser apresentado para o grande público na Feira Industrial de Moscou no ano de 1920, o instrumento começasse uma lenta revolução mundial. Tão revolucionário era que o próprio Vladimir Lênin, embasbacado com a novidade, quis aprender a tocá-lo e encomendou 600 unidades para serem utilizadas em demostrações pela União Soviética.

Ainda na década de 20, Leon Theremin se mudou para os Estados Unidos da América, onde em 1928 patenteou seu instrumento e vendeu os direitos de produção comercial para a RCA. O produto não chegou a ser um sucesso de vendas, talvez devido à recessão que os EUA enfrentaram devido à quebra da Bolsa de Valores em 1929, mas fascinou o mundo artístico e o público em geral com sua sonoridade ímpar. Tanto que em 1930, um conjunto de 10 músicos tocando theremins se apresentou para o público no conceituadíssimo Carnegie Hall.

Além do Thereminvox, Theremin também desenvolveu outros instrumentos baseados em princípios semelhantes de geração de som e controle. Entre eles está o primeiro gerador eletrônico de ritmos, o Rhythmcom, que gerava padrões rítmicos complexos seguindo o princípio da série harmônica aplicados a uma batida constante. A partir de uma marcação regular gerada a partir de uma frequência qualquer – tomemos por exemplo 1 Hz, o que equivale a um andamento igual a  60 bpm – o instrumentista poderia ativar subdivisões equivalentes a valores múltiplos dessa ‘fundamental’, de 2 a 16 vezes mais rápido.

Outros mecanismos de controle também foram aplicados ao princípio do theremin original, como no caso do Theremin Cello, em que a altura é controlada por uma superfície semelhante ao espelho de um violoncello, e até mesmo um theremin controlado por um teclado de piano convencional. Já o Terpsitone era uma espécie de theremin feito para dançarinos, onde uma das antenas era substituída por uma grande placa metálica por cima da qual o executante se movimentava, e ao se movimentar gerava sons de alturas diferentes.

Leon Theremin retornou à União Soviética em 1938, em circunstâncias um tanto quanto obscuras. Algumas fontes afirmam que Leon e sua esposa Lavinia Williams teriam sido sequestrados por agentes soviéticos, outras que o casal saiu sorrateiramente dos EUA devido a sérios problemas financeiros. De um modo ou de outro, como resultado o gênio de Theremin teve que servir aos propósitos da ditadura do regime soviético, só tendo retornado aos EUA em 1991, pouco antes de sua morte.

No entanto, suas criações, em especial o theremin original, consagraram-se em nível mundial. Ouve-se o theremin nos mais diversos contextos, desde em obras de compositores eruditos até discos de rock e música pop, passando por trilhas sonoras de filme e música para balés. Sendo um instrumento fácil de tocar, mas muito difícil de dominar, o repertório erudito para theremin é pouco conhecido, mas possui uma discografia de tamanho considerável. Dentre os instrumentistas que decidiram encarar o desafio de domar a fera destaca-se a lituana Clara Rockmore (1911-1998), que participou dos conjuntos de theremin ao lado de seu criador, sendo considerada a maior virtuosa do instrumento de todos os tempos. Aluna e sobrinha distante de Theremin, Lydia Kavina é possivelmente a maior thereminista em atividade atualmente, e uma de suas alunas, a alemã Carolina Eyck, já é uma instrumentista consagrada no circuito de concertos internacional.

Na próxima coluna vamos falar sobre o que aconteceu no período entre as grandes guerras, e como elas acabaram colaborando para o surgimento de novos equipamentos. Até lá.

Na Web:

http://www.obsolete.com/120_years/ – Site com um resumo da história da música e dos instrumentos eletrônicos

Artigo curto sobre o Theremin em português

http://www.thereminworld.com/
http://www.thereminvox.com/

Dois sites sobre contendo informações sobre instrumentos, instrumentistas e bandas que usam theremins.

http://www.thereminvox.com/filemanager/list/12/ – Mp3s raros com gravações do Intonarumori.

http://musicmavericks.publicradio.org/rhythmicon/ – Um Rhythmicon online

Para ver:

“Theremin: An Electronic Odissey” – documentário de 1994, dirigido por Steven Martin, com depoimentos de Leon Theremin, Clara Rockmore, Robert Moog e Brian Wilson, entre outros

http://www.youtube.com/watch?v=ZI5xWbRXbU4 – Apesar da baixa qualidade de imagem e som, esse vídeo mostra Leon Theremin ensinando uma música no instrumento, pouco antes de sua morte em 1993

http://www.youtube.com/watch?v=Xn4TgYkqdi8 – Lydia Kavina toca ‘Clair de Lune’ de Debussy ao Theremin

http://www.youtube.com/watch?v=Xeq6dN_YS-g&eurl= – Carolina Eyck toca theremin com uma orquestra de câmara

http://www.youtube.com/watch?v=lX8vrt3j1xc&mode=related&search= – Matéria sobre o theremin na BBC inglesa, com o instrumentista Bruce Wooley


Written by missionariojose

May 20th, 2010 at 9:34 pm

O supermercado da música

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Essa chamou a atenção do Édipo, o Teisco Del Rey brasileiro

Essa chamou a atenção do Édipo, o Teisco Del Rey brasileiro

Quinta-feira passada fomos eu, André e o grande Marcelo Birck até a Zona Norte conferir a Expomusic 2009, uma grande feira de equipamentos e instrumentos que acontece todo ano aqui na megalópole, e é talvez o maior evento do setor do ponto de vista de negócios. É um evento bem gigante mesmo, em que os fabricantes montam stands nababescos promovendo pocket-shows, palestras e encontros de negócios, com dois dias direcionados aos profissionais do setor, categoria em que nós três supostamente nos encaixamos, e mais três – a sexta e o fim de semana – voltados ao grande público, com apresentações de bandas e artistas e tudo mais o que se tem direito. Nesses dias inclusive a feira fica meio intransitável, de modo que a gente preferiu se valer desse raro privilégio.

Apesar de não termos conseguido olhar tudo o tanto quanto queríamos – muito por causa da briga de volumes entre expositores de um modo geral – algumas coisas chamaram a nossa atenção. André, um aficcionado de modelos pouco comuns, ficou muito interessado em alguns modelos de uma marca chamada Irvine, e também em umas guitarras elétricas da Taylor que estavam no estande da Condor. Eu tentei, mas o fluxo de gente não permitiu, trocar uma idéia com o Ivan, da Music Maker, um luthier de quem me falaram muito bem, e cujo estande também estava muito bacana. Onde eu consegui conversar um pouco até o barulho do vizinho atrapalhar foi no cantinho dos microfones Violet – a fábrica da Letônia onde se fabricavam os microfones Blue antes da marca ir pra China – cuja distribuição no Brasil é feita pelo Clement Zular, antigo proprietário do célebre Estúdio Anonimato – que eu infelizmente não conheci.

Ai, ai, ai um desses lá em Jardel...

Ai, ai, ai um desses lá em Jardel...

Outro aparato que chamou nossa atenção foi o Meteoro Classic V8, um amplificador valvulado de 25W, no tamanho certo para a maioria dos palcos que estamos acostumados a frequentar. Inclusive olhando o parque de diversões da Meteoro vimos o Luíz Carlini – que sem sombra de dúvida merecia um site melhor do que esse, mas a cabocla tiete não baixou em nenhum de nós três e deixamos o respeitável senhor em paz. Chamou a atenção também a já famosa APC 40 da AKAI, que promete ser a grande parada em termos de videogame para palcos nos próximos anos, mas que ainda não está disponível no Brasil, assim como tampouco estão os pimpolhos LPD8 e LPK25. E a pergunta que não quer calar persiste – porque ninguém comercializa decentemente um jogo de Pads de Bateria com conexão USB? O único modelo que eu encontrei até  o momento é um da Alesis – o ControlPad – que não é tão fácil assim de achar nem na gringa. Por mais que as piadas de baterista possam ter algum fundo de verdade – coisa que eu não acredito – é um contrasenso um negócio desses. A melhor opção disponível no mercado ainda é o SPD-S, onde você precisa gravar os samples um a um na memória, no melhor estilo medieval.

Além da questão extremamente incômoda da guerra sonora entre expositores – em alguns momentos a sensação é estar participando daquelas cenas de trincheira em filme de guerra, com o mundo caindo ao seu redor – eu observo uma outra questão que poderia ser discutida em relação à feira. O foco principal da feira são os lojistas – quem realmente vai efetuar a venda do seu produto, e em segundo plano as escolas de música – que compram normalmente em alguma quantidade. Depois disso vem os músicos amadores e iniciantes – razão pela qual existe tanto pocket-show com patrocinados famosos, como o Andreas Kisser, cuja estampa estava em pelo menos um estande de cada corredor da feira. Para os músicos no topo da cadeia alimentar, a feira é uma oportunidade de negociar justamente esses contratos e também alguns equipamentos  sui generis a preço de custo, e para os músicos no final da cadeia a feira é uma oportunidade de descobrir qual cabo o seu ídolo está dizendo que está usando, e em qual loja ele teoricamente pode ser vendido.

Além de tudo ela também faz X-Salada

Além de tudo ela também faz X-Salada

O que eu acho que falta é uma ‘terceira via’ que atenda à demanda gigantesca que representa o meio dessa escala – os músicos como eu, o André e o Marcelo, por exemplo. A feira poderia ser o ambiente para fazer negócio com esses caras – conosco – de uma maneira que fica mais difícil a não ser num momento convergente como esse. Por razões óbvias, eu não vou comprar 100 unidades da APC40, mas se as condições fossem favoráveis, eu poderia comprar uma ou duas a um preço convidativo – o que é bem diferente dos quase 1000% de acréscimo que a gente encontra na Teodoro Sampaio num dia de sorte.  Seria uma boa oportunidade da gente fazer negócio com os distribuidores, por exemplo, ao invés de fazer negócio com os muambeiros de plantão. Poderia existir uma iniciativa por parte dos expositores, e principalmente das grandes marcas que podem arcar com essas ações mais tranquilamente, de tentar colocar o seu produto pra girar com mais eficiência, através de algumas linhas de microcrédito, e conversando diretamente com o povo do meio do caminho. Até porque por mais que o Chaos A.D. seja um dos meus discos preferidos de todos os tempos, a minha fase de querer ter o mesmo baixo ou o mesmo amplificador do Paulo Jr. ou do Andreas já passou.

Independente disso eu acho importante ressaltar que existe um mercado, ou existem mercados, de música que é muito maior do que a gente imagina. Uma iniciativa desse tamanho não está somente apoiada nos ombros de meia dúzia de moleques procurando outra atividade para ocupar as mãos. Se existe tanto dinheiro pra movimentar uma feira desse tamanho, é porque existe um interesse maior em fazer e ouvir música. Como se vive disso como músico é uma questão de observar e entender esse fluxo de interesses e capitais, e achar em que parte do quebra-cabeças a gente se encaixa. É o nosso dever de casa, digamos assim. Que eu vou fazer assim que eu terminar as contas que eu estou fazendo pra ver se dá pra comprar o Amethyst ou a APC…

Written by missionariojose

September 30th, 2009 at 8:56 am

Lasanha da Sadia Sound System

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Um som, qualquer som, ele existe dentro da atmosfera que nos cerca. A proverbial árvore caindo dentro da floresta sem ninguém para ouvi-la ao cair, talvez não esteja soando por não ter ouvidos que a escutem, mas potencialmente será ouvida por uma sabiá, ou pela barriga de alguma cobra. Vai estar movimentando o ar à sua volta, e quem tiver alguma espécie de ouvido que escute. Quem tiver alguma espécie de microfone, que grave, e transforme sua queda não em um som, mas em oscilações de um campo magnético, ou em fileiras de zeros e uns agrupados em grupos de dezesseis ou vinte e quatro ou trinta e dois. Que podem ser reinterpretadas e ouvidas por orelhas crédulas que disponham de um pouco de tempo e atenção.

O que se faz com esse som, é problema de quem o manipula. Um som de árvore caindo pode ser só mais um som de árvore caindo dentro da pasta “Árvores Caindo” da sua biblioteca de sons. E pode virar outras coisas, pelas vias das mãos de quem está mexendo nele. Essa sempre foi uma possibilidade fascinante, que raramente consegue ser levada à exaustão, no mundo de hoje em dia em que as possibilidades são infinitas e se multiplicam infinitamente.

Bom mesmo era não ter que escolher e dispor de um Plate desses no quintal

Bom mesmo era não ter que escolher e dispor de um Plate desses no quintal

Essa multiplicação infinita de possibilidades gera uma necessidade nova – ou talvez nem tanto – do humano moderno, a de reduzir as opções de escolha, pois ninguém tem tempo de ficar escolhendo um dentre 45 sabores de sorvete, ou 30 tipos de equalizadores ou tempos ou algoritmos de reverb. Essa tendência está presente no sucesso do Google, por exemplo, que faz a tua barba, teu cabelo e teu bigode e não cobra nada porque na verdade ele ganha dinheiro com o anúncio de loção pós-barba que ele pendura no espelho na tua frente. E está presente no mundo do áudio digital nos pacotes que incluem tudo e um pouco mais em que se transformaram o Logic e o Pro-Tools. Mas não só nos mega-pacotes de coisas, mas principalmente em aplicativos e acessórios no estilo “melhorizer”, que podem facilitar a vida dos aspirantes no mundo da música e da produção fonográfica.

Eu tenho percebido uma certa tendência de facilitar demais a vida, justamente num momento – não do mundo, mas da vida individual de um aspirante a técnico de gravação, por exemplo – em que o que o cabra precisa é quebrar a cabeça pra entender como um compressor funciona. Um bom exemplo disso são as Signature Series da Waves, pacotes de plug-ins com a assinatura de grandes nomes do áudio mundial, como o Tony Maserati – responsável pelo som de arrasa-quarteirões como Black Eyed Peas e Destiny’s Child – e agora do Eddie Kramer, que dispensa apresentações. Esses pacotes oferecem, no lugar de ferramentas individuais como compressores, equalizadores e reverbs separados, combinações de processamentos em pacotes com nomes sugestivos como “Vocal Channel”, “Bass Channel” e “Drum Channel”, com um visual que lembra a cabine de comando do Nautilus no filme “Vinte Mil Léguas Submarinas”. Em resumo, é tipo um “Robert Plantizator” pra você passar o cantor expansivo daquela banda insossa de Hard-Rock, ou um “Fergierizer” pra você passar aquela popozuda meio desafinada que quer fazer sucesso a todo custo. Qual é o lugar dessas caixinhas em uma produção que se preze?

Relaxa aí, Nemo, que a gente ajeita na mix...

Relaxa aí, Nemo, que a gente ajeita na mix...

Veja bem, eu não tenho nada contra a Waves. Sou um usuário dentro dos conformes – pago pela minhas licenças em suaves prestações mensais – e devoto dos plug-ins deles, que são pau para quase toda obra. Acho o trabalho deles realmente fantástico, assim como o de outros fabricantes de Plug-ins como a Massey e a McDSP. Também não tenho nada contra o cara diversificar sua linha de negócios, criando novos produtos com a chancela de nomes que criaram sonoridades que se tornaram a referência de diversas gerações. E do Tony Maserati, e principalmente do Eddie Kramer eu não tenho nada a dizer de negativo, os caras estão lá no panteão dos nomes que nos ensinaram uma boa parte do que sabemos.

Kramer criando seus clássicos

Kramer criando seus clássicos

Mas eu acho um negócio meio destrambelhado o camarada sapecar um “Bass Channel” ali e um “Guitar Channel” aqui, e não se dar o trabalho de entender o que está acontecendo com o som que ele captou. O que seria um processo natural, eu creio, pois o pacote da Waves não vem com o John Bonham incluído, tampouco com a sala do Olympic, nem mesmo com uma Strato branca de canhoto pra você tocar de cabeça pra baixo e muito menos com os ouvidos do Eddie Kramer. Não vem com as manhas e mumunhas de produção do Will.I.Am ou do Jimmy Page. De modo que não vai fazer as coisas soarem do mesmo jeito por obra e graça do Espírito Santo. E se você não consegue desmontar a maquininha pra ver como funciona, como é que você vai aprender alguma coisa? Ou ainda, se você chegar num estúdio que te ofereça essas peças todas separadas, mas não o pacote, como é que se aprende a colocá-las na ordem certa?

O segredo não está em tocar ao contrário, acredite

O segredo não está em tocar ao contrário, acredite

Por outro lado, será que eu não estou sendo muito Caxias? É tão importante assim sofrer pra entender toda essa parafernália que nos rodeia? Será que se a gente perder menos tempo desvendando esses mistérios vamos fazer música melhor? Eu normalmente penso que essas coisas são como uma lasanha da Sadia – onde há claramente uma proporção inversa entre a facilidade de usar e a riqueza do sabor ou mesmo a diversão na feitura. Ao contrário, por exemplo, dos plug-ins do Live, que são ótimos pontos de partida pra você exercitar sua criatividade – ainda mais agora com essa integração com o Max – as lasanhas da Sadia não nos oferecem a chance de desmontar e remontar de outro jeito, de colocar um tempero no molho mas não massa.

Ou talvez esse seja um ótimo fiel pra nossa balança. De repente, testando um Drum Channel do Eddie Kramer a gente se sinta inspirado a usar nossos compressores e reverbs de outro jeito. Tem gente que, quando enjoa da lasanha da Sadia, chama um China In Box, mas tem gente que aprende a cozinhar.

Written by missionariojose

August 21st, 2009 at 11:56 am

Voltage

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Como só tem amigo safado quem pode, só hoje eu consegui parar para assistir ao Voltage, o mais recente curta de animação dos estúdios de animação da Barros Melo, com direção de William Paiva e Filippe Lyra, animado por eles, mais Leo D e mais um bocado de gente – que você pode conferir lendo a ficha técnica lá no Vimeo, e trilha de William e Leo.

Eu diria que o único defeito desta animação é a curta duração, mas não muito, porque sei do trabalho desgraçado que é fazer os meros 3 minutos e tanto que podemos assistir aqui. Outro defeito, obviamente, é o fato de o Diversitronica não estar completo na trilha sonora, mas esse defeito é mais culpa minha mesmo, na verdade. Fora isso, achei muito bonito e muito bem-feito, e saber que isso é obra de pessoas que vivem a mesma realidade da gente é muito inspirador.

É interessante perceber ao mesmo tempo influências de baluartes consagrados como Otomo e a turma do Japão, e detalhes sutis de traço e estética que mostram bem onde é que o filme foi feito, e subvertem nosso eterno paradigma de “foi feito em Recife mas poderia ter sido em Londres”. Pelo contrário é uma das provas cabais de que, dadas as mínimas condições, o material humano recifense é potencialmente uma referência internacional.

Sobre o Filippe, não posso falar nada além de elogiar o trabalho que eu conheci através do Voltage, indo direto para os favoritos. Sobre William e Leo, sou suspeito pra falar qualquer coisa, pois o que não fosse influenciado pela nossa amizade seria pela admiração inconteste que tenho pelos dois. Fico muito feliz de ver que num meio em que frequentemente vemos a carapuça de gênio adornar cabeças mais hábeis na arte de dar chilique do que em qualquer outra propriamente dita, vejo meus amigos tranquilos e calmos fazendo coisas geniais.

Voltage from Bam Studio on Vimeo.

Em San Francisco

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Embora estejamos aqui contemplando o vai e vem dos automóveis pela Vila Mariana, Jardel também está presente lá em San Francisco, na GDC deste ano, numa parceria com um estúdio de jogos eletrônicos. Para quem quiser saber mais – sobre a feira, é só acessar o link acima ou abaixo:

Game Developers Conference - 2009

Game Developers Conference - 2009

Nesse ínterim, estamos nos entretendo com:

- Demos e idéias que estão virando faixas com nosso querido Igor Gazatti, a.k.a. Zyon, e nossa querida Cecília Meira.

- Vídeos de celular para recapitular as lições de domingo do Kraftwerk e do Radiohead.

- Arranjos e organizações e preparativos para o disco do Projeto Guri.

Written by missionariojose

March 24th, 2009 at 4:11 pm

Reminiscências de Sexta à Noite

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Hoje eu me deparei com um artigo bem interessante sobre a história da música e dos instrumentos eletrônicos, que se destaca por ser bastante simples, com várias ilustrações – inclusive uma imagem do piano Audion, que eu nunca tinha visto:

Audion Piano
Audion Piano

Esse texto é uma boa opção pra quem se interessa sobre o assunto, mas não quer encarar muita teoria. É importante também porque fala muito sobre as questões estéticas que orientaram boa parte dessa história toda. Agradecemos ao Paulo Beto pela pesquisa.

Hoje também começou um negócio de doido que é a Global Game Jam, uma competição internacional em que equipes do mundo inteiro tentam criar um jogo em 48 horas. No site você pode escolher algum lugar do mundo onde as pessoas estejam virando bicho, e assistir ao vivo. O Recife inclusive está representado pelo IGDA, com coordenação do nosso amigo Arthur Mittelbach.

E mais tarde tem show do Tony da Gatorra. Espero que a chuva permita.

Written by missionariojose

January 30th, 2009 at 2:50 pm