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Aventuras em Diversos Canais, Cap. 1 – Azabumba – Corte Agudo

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Como eu estou mesmo mixando um EP novo pr’Azabumba, resolvi começar com eles uma série de pequenas memórias sobre faixas e outras empreitadas ao longo do tempo. Essa faixa, parte integrante do disco de estréia da banda, é uma das minhas preferidas do disco, talvez por ser uma das que eu tenha metido mais a mão, ou por ser mais representativa do que a banda veio a ser, depois do disco, do que o que a banda era antes dele.

Em diversos momentos eu havia sido chamado pra trabalhar nesse disco, desde antes do começo das gravações, mas por um problema aqui, outro ali, acabou que eu peguei o disco pra mixar, já com o bonde andando um bocado, sem saber que a gente iria na verdade fazer outro disco quase inteiro no processo. Das gravações até eu entrar de vez no projeto participaram principalmente Lindemberg Oliveira, PiR e talvez Marcílio Moura também. Digo talvez porque, entre o estúdio do Depto. de Música da UFPE e o Fábrica são uns poucos quilômetros, e eu e Marcílio já substituímos um ao outro tanto em ambos que ao longo dos anos a gente começa a esquecer quem fez exatamente o que, e quando. E essa dança das cadeiras entre eu, Marcílio, Linde e Pierre não aconteceu só nesse disco tampouco

2004 não foi um ano muito fácil pra a maioria dos envolvidos no processo de feitura de “Azabumba”, o disco. E por algum acaso desses do destino, juntou-se uma banda em crise com um produtor / mixador que também não estava na melhor de suas fases. Guardadas as devidas proporções, a gente estava meio que se sentindo os Beatles no Let it Be, sem os milhões de dólares e de fãs. Mas se, por um lado, tava meio ruim pra todo mundo, por outro a gente tinha motivos de sobra pra se enfiar no estúdio e esquecer o que estava se passando da porta pra fora. E isso é muito fácil no estúdio da UFPE, que fica no final de um corredor escuro que a maioria das pessoas nem sabe que existe, mesmo aquelas que frequentam o CAC há anos. Em um determinado momento a gente começou também a inventar senhas como Peixe-Espada e “A vaquinha dá leite” pra limitar o acesso ao estúdio, inclusive.

Então, durante o processo de mixagem, a banda começou a descartar algumas músicas que sentia-se que não representavam mais tão bem sua sonoridade. Outras estavam um tanto quanto bagunçadas de overdubs e arranjos que precisaram de alguns dias de edição pra parecer música de novo. E começamos a gravar algumas músicas novas, pra suprir o corte de outras. Foi aí que apareceu “Corte Agudo”. A percussão é bem simples,  vinda um dos kits mágicos de Bubu e Rudá, os percussionistas da banda então, com uma antena de TV a cabo, um reco-reco e um caixa. Baixo, bandolim, e vozes. E muitos, muitos efeitos, alguns feitos à mão, outros usando um dos nossos brinquedos favoritos da época – e pra mim, até hoje – o Antares kantos, que infelizmente deixou de ser produzido, mas que participou a três por dois, do disco e da faixa.

Após um bocado de idas e vindas, mudanças repentinas da formação da banda e no conteúdo do disco, mixagens e remixagens, acabamos “abandonando” o disco no momento certo. Ou quando precisava ser, porque o disco precisava sair, e a gente precisava também seguir em frente.

Corte Agudo

Written by missionariojose

February 19th, 2009 at 12:15 am