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O homem-lhama – Dia 08 – Descendo o Paraná

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Nossas aventuras cisplatinas continuam a todo o vapor. Como eu mencionei anteriormente, sexta de manhã chegou um ônibus mucholoco para nos buscar para irmos a Rosário. A idéia é que este fosse um ônibus apropriado para turnês, com camas, televisão, frigobar, o que ele era de fato, e certamente deve ter sido um ônibus super convidativo em seus primeiros 5 ou 6 anos de estrada. Ao vê-lo da janela, nossa primeira reação foi “Meu irmão, olhe ali aquele ônibus muito louco caindo aos pedaços”, que rapidamente se tornou um “Será que esse é o nosso ônibus?”, seguido da constatação inevitável de que ali estava o nosso portador. O exterior da nossa nave era decorado por um complexo grafite envolvendo uma mão gigante segurando a roda da frente, uma versão destra de um Jimi Hendrix morrendo de inanição, entre outros diversos experimentos visuais. Dentro do ônibus tínhamos mais ou menos umas dez cadeiras – cujos cintos de segurança certamente nunca foram afivelados – duas mesas de fórmica, um sofazão e umas 16 camas. Além de um certo grude no chão e uma incerteza perene da real densidade populacional microbiótica nas roupas de cama e estofados em geral. Dica vital de turnês do nosso técnico Rodrigo Sanches: Na dúvida, vista uma das suas camisetas no travesseiro, que pior não fica. E sempre deite com a cabeça virada pro fundo do ônibus, pra não dar cabeçada no caso de uma freada brusca.

Pugliese - Rosário(AR) 16/11/2012 - Mombojó

Com todos devidamente embarcados, o motorista embicou em direção a Rosário, mas pouco depois de passarmos do estádio do River Plate um policial pediu pro ônibus encostar. Para tornar seu trabalho um pouco mais difícil, resolvemos ir cada um para uma cama tentar incutir no cana um espírito de compaixão por estes pobres músicos que estariam ali descansando após uma longa noite de trabalho. Entre a dica do Rodrigão e um travesseiro daqueles de dormir em ônibus e avião que eu trouxe, me acomodei numa das camas do lado direito do ônibus, e juntando o restinho de sono com o meu talento natural para dormir em qualquer lugar, emendei uma soneca bacana, interrompida ocasionalmente pela luminosidade que entrava pela janelinha, de onde dava pra ver um pequeno recorte do interior da Argentina cada vez que eu acordava. Almoçamos em um parador em Fighiera, que por algum motivo obscuro se chama Parador Fighiera, onde seria uma boa idéia trocar a oferta de Wi-Fi por um azeite melhorzinho. De lá até Rosário ainda levamos quase uma hora por conta de umas obras na estrada, e nos hospedamos em um hotel chamado Pringles.

Rosário é o berço de dois dos maiores ícones argentinos, Che Guevara e Lionel Messi, dos quais pelo menos um tem caspa – o outro provavelmente também tinha, sendo que provavelmente esta não era uma preocupação maior do que as pulgas, os carrapatos, os imperialistas americanos, a libertação da classe trabalhadora no mundo inteiro e uma certa dose de culto à própria imagem, que sem cultuar a si mesmo nenhum líder socialista vai a lugar nenhum. Passeando pela cidade antes da passagem de som, Vicente chamou a atenção para um lugar que não conseguimos entender se era ou não o local de nascimento d’El Che. Se for esse da foto, é ele mesmo. O passeio nos levou a um parque bem bonito na beira do Paraná, onde há uma espécie de anfiteatro em que deve ser muito bacana tocar, apesar do vento, e uma tremenda escada que liga a parte alta à parte baixa da beira-rio. Ao lado dessa escada havia um gramado onde um grupo de 4 ou 5 bêbados se danava a cantar a música do Rocky toda vez que alguém subia as escadas correndo, e Vítor aproveitou esse cenário para gravar alguns depoimentos com os Mombojós para o registro audiovisual da turnê. Como eu não tinha que gravar nada, e como você tira a pessoa de Jardim Atlântico, mas não tira Jardim Atlântico da pessoa, eu aproveitei para tirar a camisa, pegar um vento e comer um brebote que posteriormente se mostrou fundamental, já que jantamos pizzas em cone que custaram a chegar o tempo suficiente para você esquecer a fome e lembrar que pizza em cone não é necessariamente uma boa idéia.

O show em Rosário foi em uma casa noturna muito legal chamada Pugliese, onde tocamos com dois grupos de música tradicional, um da Colômbia chamado Huevo de Iguana, e outro argentino chamado Ajo Tinto. A passagem de som começou tensa pois o Alpha Juno de Chiquinho não ligava de jeito nenhum. Abrimos e descobrimos que o fusível havia queimado, o que é sempre um alívio, pois um fusível de 300mA é sempre mais barato do que um Alpha Juno. Mas não necessariamente mais fácil de achar. Enquanto o nosso assistente na casa se enrolava pra tentar descolar um fusível, eu abri um Marshall Valvestate que estava de bobeira e sapequei de lá de dentro um outro fusível de 1A. Deu certo, o Alpha funcionou, e apesar da tensão de rolar algum pico entre 300mA e 1A que pudesse danificar o teclado – e aí sim arrumarmos um problema sério pra se resolver no interior da Argentina, não tivemos maiores percalços.

Nossa apresentação em si foi uma tremenda virada de jogo. A casa segurou o começo do show por pelo menos uma hora além do programado enquanto o público chegava – percebemos que o público das casas noturnas aqui chega notoriamente tarde, e apesar de não ter tanto público assim, quem estava lá assistiu ao show prestando atenção, interagindo inclusive. Show terminado, eu e El Brig tentamos convencer o camarada do som a comprar outro fusível para o ampli dele no dia seguinte, explicando que teríamos outro show e podíamos não conseguir comprar um fusível a tempo de sair para San Pedro, etc. e tal, mas não teve jeito além de abrir de novo o Juno, tirar o fusível de lá e enfiar de volta no Marshall, que, como todo Valvestate, estava soando bem melhor do outro jeito.

Entre o atraso do show e a hora de partir para San Pedro, tivemos poucas horas pra dormir. Pra melhorar a situação, o despertador do telefone de Marcelo não tocou, então eu, ele e Vicente acabamos perdendo o café, que virou um assalto rápido à bandeja de medialunas. O lado bom foi que eu não precisei tirar o pijama, me enfiei na minha caminha com uma garrafa d’água ao alcance da mão e vamos rodar pelas estradas desse belo continente que é a América do Sul. Descendo ao longo do Rio Paraná, chegamos ao final da rua 11 de setembro em San Pedro, para a edição Argentina do festival Mastai. Eu acordei e literalmente desci do ônibus direto pro palco, de pijama e com minha bolsa a tiracolo, para passar o som. A estrutura do Mastai é super legal, e o som estava fantástico – nosso sidefill era literalmente um pequeno P.A. suspenso.

San Pedro(AR) Festival Mastai 17/11/2012 - Mombojó

Aos poucos fomos entendendo que o festival ficava num descampado ao lado do rio, e que pelo menos essa parte da cidade era uma espécie de balneário onde as pessoas vão veranear – pense em Ponta de Pedra. Almoçamos num restaurante junto da entrada do público, ao som de uns três sistemas diferentes tocando a nata do pop Argentino – escolhemos o mais potente e pedimos pro Vítor negociar com o camarada de tocar umas músicas do Mombojó enquanto o público entrava, vai que alguém gosta e canta junto no show, enfim. Eu comi um Dourado na Brasa que estava na medida, apesar da falta de arroz.

Nosso show no Mastai foi bem curto, só 20 minutos, nos quais deu pra tocar “Antimonotonia”, “Amigo do Tempo”, “Papapá” e “Deixe-se acreditar”. Não obstante, o público foi bem receptivo e inclusive algumas pessoas procuraram a banda na internet depois. Mas ficou aquela sensação de que mais uns dez minutinhos de repertório teriam sido realmente importantes pra marcar o proverbial gol junto ao público argentino. Após o show, pegamos umas cervejas no camarim e fomos passear pelo festival, e deu pra assistir o show da Orchestre International du Vetex, e qual não é a minha surpresa ao ver que o Tubista da orquestra era o meu chapa Tobe, do Think of One. Depois eu descobri também que o Roel também toca na orquestra, mas que teve que voltar pra Bélgica antes desse show em San Pedro.

Honestamente, eu não ouvi muitas coisas legais ao longo do resto do festival. Eu imagino que o rock ou a música pop mais tradicionais realmente dependem de você estabelecer uma relação afetiva com o repertório ao longo da sua vida, o que certamente era o caso das 30 mil pessoas que estavam cantando junto com as bandas que tocaram ao longo do dia. Deve ser a mesma coisa de um não-brasileiro ir a um show dos Titãs hoje em dia, por exemplo. Se você não conhece as canções e não possui alguma espécie de história pessoal com elas, o show dificilmente te cativa.

Dessa maneira, e sem saber exatamente como ia ser o nosso futuro imediato, ficamos arranjando maneiras de passar o tempo até o show do Manu Chao, que encerraria a noite. Aparentemente existe uma conta que diz que consumimos umas trezentas cervejas no nosso camarim, mas eu não sei se isso é verdade, pois estávamos todos muito cansados pra manter essa velocidade toda. Depois de gastar o resto de adrenalina que sobrava no set de 20 minutos e de dar uma volta pelo festival, eu sentei num canto do camarim e só percebi que tinha dormido uns dois shows depois. Depois fiquei assistindo um camarada inflar um balão com ar quente, que aparentemente não chegou a alçar vôo, e olhando os barcos no rio – onde seguindo a lógica jardelense eu teria certamente mergulhado se não fosse proibido. Num determinado momento eu resolvi ver se encontrava a galera do Vetex, mas eles já tinham ido quase todos embora, e eu aproveitei o ensejo – e a minha credencial, para dar uma volta em San Pedro.

Andando uns dez quarteirões para longe do festival, eu percebi que de fato a área era uma área de veraneio, com muitas casas fechadas, e nas tantas outras em que havia gente existia uma oferta constante de pão com linguiça, a fernet-cola ubíqua, cerveja e algumas outras variáveis do tema rango / birita de festival, sempre a preços módicos. A caminhada me ajudou a sair do estado zumbi em que eu me encontrava, sem estar cansado o suficiente pra encarar a cama do busão, nem disposto o suficiente para entender as minúcias do Pop argentino.

As atrações do festival estavam se alternando em dois palcos, e quando eu voltei para o backstage a última atração do palco 1, o mesmo em que nós tocamos, já estava se apresentando. No caso, faltava então uma atração no palco 2, e aí já seria o show do Manu Chao. Acontece que um determinado cidadão resolveu externar suas dores amorosas subindo no alambrado do palco 2, ameaçando terminar o assunto ali mesmo na base do vou pular. Aí armou-se um tremendo sururu, inclusive uma ótima oportunidade para ensinar aos hermanos o sentido dessa expressão, ou ainda de outra ainda mais propícia, armou-se um tremendo boné, para resolver esse maluco querendo se jogar do alambrado sem interromper o festival, e se possível sem atrasar a última banda do palco 2. Coisa que Pezão resolveria esticando o braço e puxando o garoto lá de cima, mas não é todo festival do mundo que pode se dar ao luxo de ter Pezão organizando o setor. Apesar da curiosidade, a possibilidade de assistir um “Faces da Morte” ao vivo nos manteve distante do local a maior parte do tempo, e nesse ínterim, conversando com uma rapaziada no backstage, descobrimos que existe um pequeno histórico de pessoas se suicidando em alambrados de shows grandes na Argentina, ou pelo menos que o povo na Argentina consegue inventar uma abobrinha em tempo recorde melhor do que André.

A solução foi o artista que estava no palco 1, aparentemente um camarada bem famoso chamado Ciro, ir lá depois de ter terminado seu show, pedir pro jovem descer de lá numa boa, ao que foi prontamente atendido. Faz um certo sentido, pelo pouco que eu tive paciência de assistir a temática das músicas do Ciro gira um pouco em torno da boa e velha dor de corno, motivo principal da manifestação do nosso audaz enamorado, de modo que é um caso clássico de similia similibum curantur. A banda que assumiu então o palco 2 chama-se Nonpalidece, e toca um reggae bem honesto. Aparentemente o cantor mandou o nosso apaixonado aventureiro às favas ao começar o show, mas meu castellano não chegou até aí.

E finalmente, tudo se aprontou para o show do Manu Chao, cuja turnê atual recebe o nome de La Ventura. Os shows dessa turnê são extremamente intensos e longos – giram entre 2 a 3 horas de duração e o andamento das músicas nunca fica lento por muito tempo. Algo como um Slayer mais longo e mais alto-astral, talvez. Eu já tinha visto um show desta turnê no Brasil, e o roteiro foi bem semelhante, e dessa vez ficamos assistindo ao show do lado do palco junto com a galera das outras bandas. Num determinado momento Manu chama ao palco pessoas ligadas a movimentos sociais para cada um dar o seu recado, e Chiquinho ficou animado de ir lá no microfone protestar contra a diretoria do Sport e puxar um Cazá-cazá. Teria sido interessante.

Eu sou muito fã do Mano Negra, e gosto o bastante da carreira solo de Manu Chao para assistir a um show inteiro dele. Mas o cansaço venceu e depois de uma breve escala no camarim, onde Felipe já estava dormindo, resolvemos os dois admitir a derrota e voltar pro ônibus onde camas – ainda que um tanto insalubres, mas camas – esperavam pacientemente cada um de nós. Acordei já na Tucumán, com o motorista mandando todo mundo descer porque ele tinha que lavar o ônibus – yeah, right – e pegar outra banda pra voltar pra San Pedro, mas como o festival só tinha um dia, eu acho mesmo é que ele estava passando uma conversa pra se livrar de nós.

Written by missionariojose

November 20th, 2012 at 1:35 am

O homem-lhama – Dia 02

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Nos últimos tempos, por assim dizer essa era recente de redes sociais, as pessoas tem usado muito o recurso de criar imagens que combinam fotos, textos e outros elementos gráficos para transmitir algum comentário, idéias, críticas, incitar o ódio contra algum grupo social específico, enfim, essas coisas tão pertencentes à espécie humana. Dentro dessa prática há uma categoria que não chega a inspirar um abandono total das ferramentas sociais contemporâneas em mim, como as outras o fazem, que é aquela em que a pessoa coloca 4 ou 6 imagens diferentes para representar visões diferentes sobre o mesmo assunto, seguindo o modelo “Quando eu digo que sou músico, é assim que meus colegas de colégio me vêem”, aí tem uma foto de um mendigo, e assim por diante. Nesse exato momento, poderíamos tirar uma foto dessas para o conjunto “Quando eu saio em turnê”. Na categoria “É assim que minha namorada / esposa imagina que é” certamente haverá um quarto coalhado de modelos seminuas e garrafas meio cheias, e na categoria “é assim que é” teríamos cinco marmanjos usando computadores portáteis em diferentes partes do apartamento, ligeiramente entediados. Seis porque o Vítor acabou de chegar da rua com a droga do momento, um Toddynho. Já eu estou abusando do chá de capim-cidreira que Chiquinho trouxe na bolsa. Felipe descobriu um aplicativo pro iPad que sobrepõe e combina duas fotos ou mais do rosto de pessoas diferentes, criando resultados hilários, e está desde ontem à noite criando versões diferentes de “Zé Vicente”, “Marcelo Chiquinho”, “Chiquinho Felipe” e assim por diante. Já Vicente está construindo ocasionalmente torres de peças de dominó, e às vezes rola uma jogatina de Banco Imobiliário no iPad também, sempre boa de participar, ou de assistir. Descobrimos ontem uma casa de roupas masculinas onde eles trocam dinheiro numa taxa melhor do que as casas de câmbio, e as notas aparentemente são verdadeiras.

Em turnês, um dos grandes desafios para a maioria dos participantes é ocupar o tempo livre sem incorrer em gastos demasiados. Normalmente, todos recebem uma quantidade x de dinheiro por dia para custear as duas refeições além do café-da-manhã que a priori vai ser consumido no hotel / pousada. Na nossa “fatia de mercado”, por assim dizer, esse valor gira em torno dos 25 a 30 dólares por dia, por pessoa, e normalmente recebe-se um adiantamento de alguns dias, ou semanas, dependendo do quanto o tour manager conhece o seu gado. Cada um vai criando ao longo dos anos suas próprias estratégias para administrar essa grana, que varia desde gastar tudo em eletrônicos, sapatos ou discos no primeiro dia e ficar pedindo dinheiro emprestado aos outros o resto da turnê, até economizar ao máximo em detrimento do seu cardápio e talvez até mesmo da sua saúde. Marc Regnier conta uma história hilária sobre um membro do Funk’n'Lata que costumava levar uma mala extra pras turnês cheia de Miojo, que ele fazia na pia do hotel, onde sempre tem água quente. O objetivo era não gastar o dinheiro das diárias para emprestar – a juros, claro – para os demais membros mais indulgentes. Pepê de Cavaleiro, apesar de não chegar a tanto, sabe onde fica o Kebab mais barato de qualquer cidade européia, e já foi visto trazendo quantias exorbitantes de diárias economizadas. Mas nunca emprestou a juros.

De qualquer maneira, não desperdice seu café-da-manhã. Coma, e muito. Há toda uma mitologia ao redor das maratonas de café-da-manhã de André Édipo, em algumas das quais eu tomei parte. Por isso é importante evitar estar de ressaca na hora de ir pro café-da-manhã, pois daí ou você vai perder o café, ou vai comer pouco, e gastar uma grana em coca-cola durante o resto do dia. E por falar em birita, ontem fomos a um bar bem bacana no bairro de San Telmo, chamado Será de Dios, encontrar uma galera que está fazendo a assessoria de imprensa dos shows aqui na Argentina – era dia daquilo que em Recife chamamos de “clone”, você pede e paga por um item, e recebe em dobro. Dessa forma, trabalhamos no clone de chopp Quilmes, e Marcelo e Felipe optaram pelo Fernet com Coca-cola, que é um esporte que os argentinos aparentemente praticam com uma seriedade maior do que a dispensada ao Futebol ou Hóquei. O bar oferece uma sinuca – empenada e com tacos empenados, o que permite que os bons jogadores continuem sendo bons e proporciona uma desculpa decente para os pregos como eu – e uma discotecagem bem povoada por músicas dos anos 90, quando a maioria dos frequentadores era adolescente ou jovens adultos, e em um determinado momento rolou uma sequência específica de músicas do Prodigy, Chemical Brothers e Beastie Boys que por instantes deu a impressão de estarmos numa festa do Mercado Pop no Cais da Alfândega.

Uma coisa que me chamou a atenção em bares e restaurantes aqui na Argentina, além da ubiquidade da Fernet-Cola e de pessoas dizerem a sério que uma banda brasileira de que elas gostam é o Charlie Brown, Jr., é que as pessoas chegam, sentam e CONVERSAM ENTRE SI! Eu contei nos dedos os lugares em que numa mesa com mais de uma pessoa em que os envolvidos estivessem praticando a solidão coletiva do smartphones, mas talvez eu esteja indo aos lugares errados. Nossa tropa não é particularmente propensa a praticar o celularismo radical na rua, mas confesso que essa foi uma triste constatação, de que pelo menos em SP em Recife estamos transitando cada vez mais na forma de zumbis corcundas desatentos.

Written by missionariojose

November 14th, 2012 at 12:56 pm

O homem-lhama – Dia 01

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Então eis que eu estou aqui pelo Cone Sul com o Mombojó na sua primeira turnê sul-americana propriamente dita, começando na famosa “Paris das Américas”, ou Buenos Aires – apesar de o título também ser defendido por Belém-PA e Cincinatti-OH, além de 23 cidades e localidades estadunidenses que levam o nome da cidade luz. E você que pensava que era só a do filme. Chegamos ontem em BsAs no Aeroparque Jorge Newberry, que é uma espécie de aeroporto Santos Dumont daqui, mais antigo, em constante reforma, e se o piloto vacilar cai dentro do Prata. A região ao redor do aeroporto, e o trajeto que fizemos até o hotel, lembra também um pouco a região central do Rio de Janeiro, sendo que em uma escala maior. O urbanismo é bem semelhante ao daquela região do Aterro na altura da Praça Paris, sendo que é tudo bem maior e reminiscente da pegada Haussmann da Paris Paris mesmo.

Nosso hotel fica na região central da cidade numa rua chamada Tucumán, que por sua vez é o nome de uma região do país mais ao norte, de onde eu conheci um camarada quando eu morava em Bangor, cujo nome eu não sei, porque eu só chamava ele de Tucumán. Ontem fomos jantar aqui junto em uma pizzaria que me pareceu uma mescla do Lamas com a Pizzaria Atlântico, e aproveitar as vantagens de uma relação interessante entre o Real e o Peso, de modo que um litro de cerveja se torna uma coisa super acessível. Tanto que eu resolvi provar uma sidra que tinha lá no cardápio que estava por um preço convidativo e que, se não era assim uma sidra bacana como aquelas que a gente toma nas bretanhas, também não era tão doce quando a famosa Cereser, apesar de vir em uma garrafinha com jeito de champanhe e com rolha, o que obviamente me valeu um breve momento de berlinda.

A equipe Mombojovial nessa turnê é composta por Felipe, Chiquinho, os irmãos Machado, Brigídio – roadie e diretor técnico em geral, Rodrigão – técnico de PA, Marta Moura – tour manager e responsável pela ingrata tarefa de coordenar 8 marmanjos na estrada, e Vitor Salerno – responsável pela documentação desta gira e pelo conteúdo internético da banda. Estamos em cinco num quarto que fica virado para a esquina da Tucumán com a Suipacha, no que deveria ser um big apartamento residencial, visto que o hotel é um prédio de apartamentos reformado, com direito a um vão interno comum a todos os andares, daqueles que em cena de perseguição o cara fica olhando pra cima ou pra baixo para saber onde estarão seus algozes. E de onde dá pra ver o convívio pacífico de carros com pedestres e ciclistas, graças a uma ciclovia marota.

Qual vai ser a desculpinha agora?

Ontem a saída de São Paulo foi relativamente tranquila, com alguns momentos de emoção proporcionados por Brig, a quem coube desta vez o equívoco sempre comum de tentar embarcar para o Mercosul com a carteira de motorista – o que, se não é permitido por lei, deveria, já que a CNH está cumprindo cada vez mais esse papel no dia-a-dia do brasileiro(a). Mas não foi nada que um motoboy não resolvesse, e portanto servisse para gerar a primeira sessão sólida de berlinda da viagem. Enquanto “El Brig” aguardava seu passaporte E seu RG – pra não pecar por falta, fomos averiguar um self-service que abriu lá em Guarulhos no Terminal 1, próximo ao desembarque, em boa hora para atender a nós que andamos de avião mas não somos milionários, como os preços dos alimentos no aeroporto parecem supor. E isso porque um queijo-quente de 7 reais no aeroporto vira um sanduíche barato.

A missão do dia, além de cuidar via internet dos assuntos que ficaram em SP, vai ser achar uma boa casa de câmbio – dizem que o dólar e o real são muito mais valorizados para trocar na rua, mas que o risco é grande de você receber Pesos em notas falsas – então vamos conferir algumas dicas do recepcionista do hotel, e do Físico, que esteve recentemente por aqui, e sendo um homem dos números deve ter um faro mais apropriado para esse tipo de assunto. Em seguida a idéia é ir na Teodoro Sampaio – ou Pigalle, fazendo jus às semelhanças com Paris – daqui, olhar instrumentos e equipamentos musicais em geral. Rodrigão conta algumas lendas sobre compras muito baratas aqui na cidade que merecem ser conferidas de perto. Outros planejamentos da semana incluem visitar a bombonera trajando a camisa do Sport, o famoso passeio no Tigre e em algum momento eu vou tentar direcionar o pessoal para uma visita ao MALBA.

Por enquanto é só. O homem-lhama retorna em breve.

Written by missionariojose

November 13th, 2012 at 11:37 am

O anão adormecido

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Talvez pela atividade intensa dos últimos meses, talvez pelo narcisismo associado a uma certa visibilidade do meu último post, e muito devido à minha preguiça congênita e também a essa outra página aqui, esse blog esteve inativo desde Novembro passado, e eu prometi que iria reativá-lo após a entrega do meu relatório de qualificação, o que aconteceu no último dia 03. Sendo que aí eu tive que focar no filme do Ruy, e também que puxar as músicas do Mombojó do fundo do meu HD (pasta: linhas de baixo), e todas essas desculpas que sempre arrumamos.

Tanto que eu arrumei uma desculpa pra reativar o blog, que é justamente ter alguma coisa nova aqui para, caso alguém que assista à minha comunicação hoje no XXII Congresso da Anppom – que em algum dia vai estar disponível aqui, mas que eu pretendo também colocar online no jardelmusic.com – queira entrar nesse domínio, que aparece no final da minha apresentação quando eu agradeço a todos pela paciência de me ouvir tagarelar e divergir durante uns vinte minutos. Que é quando eu digo a estes ilustres visitantes que vale a pena eles aparecerem lá pelo Lado A Lado B, que é onde o bicho está pegando na Jardel no momento.

E por falar em momento, eu estou agora em João Pessoa, vindo de Fortaleza em direção ao Recife.

Written by missionariojose

August 28th, 2012 at 12:32 pm

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Tem doido, e tem muito doido

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Com esse negócio aqui, a brincadeira vai ficar muito mais divertida:

experiments: Kinect + OSCeleton + MaxForLive from Mike Todd on Vimeo.

Written by missionariojose

November 9th, 2011 at 8:23 pm

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Disseram que ele não vinha, olha ele aí…

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Quem passou por aqui nos últimos 12 meses não viu muito movimento. Muitas coisas aconteceram, algumas mudanças, e vamos falar delas por aqui aos poucos. Esse espaço também deve mudar um bocadinho, em breve. Esperamos que você volte sempre.

Written by missionariojose

September 30th, 2011 at 8:15 am

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Está pintando

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No sábado Leo D falou EXATAMENTE sobre isso

Written by missionariojose

April 6th, 2010 at 2:16 pm

Andanças com Lulina – USofA – o1

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Here we go!

Half Jardel (no caso esse que vos fala e escreve) tá de rolé numa turnezinha com Lulina aqui nos US of A.Vou tentar escrever aqui o máximo que posso sobre o que tem rolado.

Day o1

Chegamos todos em Seattle ontem, por volta do meio-dia local; eu via NYC e Lu, Leo e Pedro via Chicago. Ao chegarmos nosso grande amigo, produtor, motorista e baixista voluntário Matt já estava nos aguardando.

Saindo do aeroporto, tínhamos que sair pra pegar/comprar instrumentos já que não compramos nada. Lulina querendo comprar uma guita e Leo uma controladora. Eu e Pedro vamos nos ater a coisas pequenas, confeito, sanduíche, essas coisas.

Já fomos na casa de uma feroz chamado Mike, que, segundo ele mesmo, vive hás uns seis anos de eBay. Bem… estranho. Mas não é que o doido na verdade é um cientista maluco e tem muita, mas muita, mas muita coisa velha boa. Uma que pirei e já tou azarando é isso ->

Horrível. Deve ser baratinho, mas vai que eu fico amigo, né?

Bem, o feroz além de ser gente boa e ter várias coisas muito boas na casa dele, ele ainda nos levou pra bater um vietnamise sandwich que não foi nada careta.

Essa é a primeira parte do primeiro dia. Estamos saindo agora pra ir em Seattle (nossa base é em Tacoma) porque hoje vamos tocar numa sorveteria com uma banda chamada Human Skab.

Lu vai estrear sua nova guita velha. Velha mesmo! Procure saber!

Written by edipo

March 10th, 2010 at 5:12 pm

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Pra fechar o ano

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Hoje a gente toca com o Pélico na Livraria da Esquina, a partir das 21h30. Com direito a comemoração de Reveillon

Hoje na Livraria

Hoje na Livraria

Written by missionariojose

December 15th, 2009 at 11:49 am

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É hoje!

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Written by missionariojose

November 18th, 2009 at 1:15 pm

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