Archive for the ‘O mundo e as coisas (da música)’ Category
Sobre cachês, camarões e carreiras
Durante a semana passada assistimos novamente ao despertar de um gigante, nunca totalmente adormecido, que é a discussão sobre e ao redor do Circuito Fora do Eixo, promovida por agentes de uma porção específica do cenário musical brasileiro atual. Os eventos da semana passada e dessa aconteceram basicamente em torno de uma polêmica que começou entre o Twitter dos meus amigos China e Daniel Ganjaman, e de lá migrou para o blog do China, por conta de algumas colocações que ele fez a respeito do Coletivo, questionando algumas das posturas deste. De lá a discussão enveredou por outros twitters, facebooks e blogs, como o do Bruno Kayapy, que eu não conheço pessoalmente, mas cujo trabalho à frente do Macaco Bong eu admiro muito. Mesmo com toda a dificuldade que blogs com fundo preto e letras brancas proporcionam à leitura, li ambos os textos, e acompanhei em parte as manifestações nas redes sociais.
E qual é o problema do Fora do Eixo, afinal? A grande crítica feita ao FDE, de um modo geral, vem do fato de que na maioria dos festivais e eventos ligados ao Coletivo os artistas participantes não recebem cachê. A isso se agrega a prerrogativa que alguns de seus integrantes assumem segundo a qual pagar cachê para as bandas é desnecessário, pois a banda ou o artista já tem como contrapartida a exposição do seu trabalho a um público novo, em uma praça diferente. Normalmente associa-se essa postura a uma das figuras centrais do Coletivo, o produtor Pablo Capilé que, num golpe do acaso, proferiu em entrevista a lapidar frase “Eu sou dentro da ABRAFIN um defensor de que não se deveria pagar cachê as bandas” comendo camarão à beira-mar no Nordeste brasileiro, o que deu pano pras mangas o suficiente para o efeito John Lennon transformá-lo, em poucos segundos e ao mesmo tempo, numa espécie de Chris Anderson dos trópicos e no Mr. Burns do rock alternativo, para uns e outros de acordo com suas tendências pessoais e particulares.
Um dos fundadores do Coletivo FDE é outro amigo meu, o Fabrício Nobre, atual presidente da ABRAFIN, que conheci há mais de dez anos quando eu tocava no Supersoniques, e fomos tocar em Goiânia no festival Bananada. Nessa época não existiam o FDE nem a ABRAFIN, mas as idéias que levaram à sua criação já estavam pululando por cabeças diversas ao redor do país. Lá no Bananada, tocamos de graça, assim como no dia seguinte tocamos de graça no Gate’s Pub em Brasília, junto com o Prot(o). Digo de graça porque não lembro se algum dos shows deu algum dinheiro, mas se deu certamente não foi o suficiente para pagar o custo das passagens aéreas que nos levaram até o planalto central desse nosso país gigante, cujas dimensões e a falta de estradas decentes são dois dos grandes empecilhos para qualquer produção cultural, ainda mais para o florescimento de uma cena musical independente. Nessa época éramos mais jovens do que hoje, e já ganhávamos algum dinheiro aqui e ali trabalhando – eu mesmo já trabalhava como músico profissional na noite Recifense, e dava aulas de música – e para nós fazia muito sentido investir parte dos nossos ganhos em viagens para tocar de graça pelo Brasil. Nenhum dos membros do Supersoniques ou do Prot(o) na época era casado ou tinha filhos, circustâncias que não se prolongariam por muito tempo, e apesar de não termos sido bandas profissionais no sentido de ganhar a vida com o dinheiro que gerávamos, acho que as duas bandas eram muito boas ao vivo.
Mas voltando aos dias de hoje e à discussão em questão, primeira coisa que me chama a atenção é que está cada vez mais difícil promover um debate entre pontos de vista discordantes na internet. O que acabamos verificando é uma gritaria de um lado e do outro, cada um berrando com seu cordão. Nesse sentido o texto do China deixa bem claro que aquela é uma opinião de um indivíduo isolado que, como é o caso da maioria de nós que tentamos viver trabalhando com música, obtém o seu sustento a partir de um misto de fontes: seu emprego como apresentador da MTV, cachês de shows, venda de discos seus e de outros artistas lançados pelo seu selo, etc.. China não é essencialmente contra o FDE, mas questiona a ausência de cachês, e levanta algumas questões em relação ao uso de dinheiro público através de Leis de Incentivo Fiscal, não só nos festivais do FDE, mas de um modo geral – o que por si só constitui outra discussão tão longa e acalorada quanto. Lendo o texto de Kayapy, e também outros textos anteriores a respeito, como o do meu ídolo de infância João Parahyba, vejo que a questão do cachê é central nessas discussões, e portanto vamos a ela:
Antes de falar de cachê, é importante lembrar que existe uma diferença grande entre tocar de graça e pagar para tocar. Em seu texto, Kayapy levanta um ponto muito importante: o dinheiro – na forma ou não de cachê – não é tudo. Eu mesmo não conheço nenhum músico que decidiu ser músico pra ficar rico. Conheço publicitários, advogados, engenheiros e funcionários públicos, entre outras categorias, que optaram por suas carreiras com foco nos ganhos financeiros que elas poderiam proporcionar, e não me cabe julgar se eles estão certos ou errados. Mas músico profissional, nenhum. Rodrigo Caçapa, que assim como eu é músico em tempo integral e também não ficou rico, tem uma frase que eu adoro, aonde diz que não ganhou muito dinheiro com música na vida, mas que a música “me levou a lugares que nenhuma outra profissão me levaria”. E isso é verdade. O que não quer dizer que todo músico precisa fazer voto de pobreza, como é mister em algumas ordens religiosas.
Hoje em dia boa parte da minha atividade musical consiste em acompanhar outros artistas tocando com a Lulina, com o Trio Eterno e com a Volver. Com todos esses artistas, a minha posição em relação a cachês sempre foi clara desde o primeiro dia: Eu não me incomodo em tocar de graça, desde que seja por um bom motivo. O que configura um bom motivo cabe a mim e ao meu contratante decidir, dentro da nossa própria realidade. A segunda parte do meu contrato diz que eu não tenho condições de pagar pra tocar. Eu já paguei pra tocar um bocado na minha vida/carreira. Já carreguei muito amplificador pela rua do Sol em Olinda, e no ônibus Maria Farinha / Casa Caiada , indo e voltando do Famas & Cronópios – Pocoloco pra tocar de graça. Já fui roadie de perna engessada pro Jorge Cabeleira no BHRIF em 1994, e comecei a fazer PA assumindo os faders no show dos Dead Billies no Abril Pro Rock em 1997. Eu estive lá e ganhei a camiseta, já tão usada que se esfarrapou – junto com uma camisa do Eddie autografada pelo Lee Ranaldo e pelo Steve Shelley.
Acontece que hoje em dia, eu não posso mais pagar pra tocar, seja sozinho, seja com a minha banda, seja com os artistas que eu acompanho. A minha vida hoje em dia não permite, pois tenho algumas obrigações que assumi, de bom grado, ao optar por ser pai, ser marido, e buscar minha subsistência ao estudar e ensinar música, tocar e compor. Também acho que não há nada de errado em querer trabalhar com música e não viver dependurado na Serasa. Houve uma época em minha vida que eu podia passar 5 dias num ônibus pra chegar em outra cidade, tocar pra quem quer que lá estivesse, comer um feijão com arroz na casa dos camaradas, fumar um baseado com a rapaziada e dormir onde desse, pra depois repetir a dose, arcando com os eventuais custos que sobrassem pra mim. Mas essa época passou, e eu sou muito feliz com a vida que eu levo hoje em dia. Ela me permite que eu toque de graça, mas não me permite gastar com isso, pois o dinheiro que me sobra, quando e se sobra, eu prefiro investir em outras coisas.
É importante lembrar que o mercado musical brasileiro não se restringe à circulação de bandas de rock ou pop, muito menos de rock independente e/ou alternativo. Existem muitos músicos, e existem muitas músicas, e para cada contexto, as questões de logística, de mercado e de demanda variam um bocado. O Macaco Bong é um trio que pode tocar em qualquer lugar em que haja uma bateria, um amplificador de baixo e um amplificador de guitarra. Isso é ótimo, mas essa mobilidade não é compartilhada por todo mundo. O caráter solidário e colaborativo do Coletivo Fora do Eixo é louvável, mas é importante lembrar, ao estruturar uma grade de programação de um festival de música, que nem todo mundo é banda de rock, e nem todo mundo tem a disponibilidade de investir dinheiro e tempo para participar de um evento que vai gerar somente dividendos não monetários. Na teoria, cabe a cada organizador de festival e a cada músico / artista decidir se vale a pena. Na prática, vemos que quem topa a parada são bandas de adolescentes de todas as idades, e bandas cujos integrantes trabalham em outros meios, que permitem esse investimento. Nada de errado com isso, mas esse perfil não delimita a produção cultural independente do Brasil como um todo.
O processo de produzir um festival é custoso e longo. Num país dominado por uma burocracia morosa e por impostos – literalmente – leoninos, a idéia de usar uma moeda paralela durante a vigência de um festival – como é o caso das Patativas ou do Cubo Card, tem o seu valor pois serve de incentivo para que donos de estabelecimentos comerciais colaborem com a alimentação e hospedagem dos participantes, sem que precisem pagar imposto, por exemplo, sobre uma movimentação onde não houve arrecadação. E ajuda também a organizar a bagunça que naturalmente se instaura quando músicos longe de casa se encontram num bar e podem beber de graça. Agora volte algumas linhas para a parte onde eu escrevi “durante a vigência de um festival”. É importante que ambos os lados da discussão se lembrem que esta é uma contingência válida tão somente para este fim, e nesse sentido ajuda de certa forma a promover o encontro de agentes produtores de todo o país num mesmo local, ouvindo e tocando música bacana. Mas se algum dia eu receber o meu cachê em Patativas o custo de levar minha família pra almoçar nos arredores do Dragão do Mar, onde elas são aceitas, seriam proibitivos.
Eu particularmente acho que se a idéia é não pagar cachê para quem vai estar tocando em cima do palco, então todo mundo tem que ser voluntário na mesma medida. Todos os artistas, técnicos e produtores deveriam ter seus custos cobertos pelo evento, para poder fazer a sua parte sem gastar nada com isso. O complicado é quando uns ganham dinheiro para fazer o seu trabalho, e outros tantos não. Se a visibilidade, a articulação profissional e a experiência são os proventos que podemos receber em eventos dessa natureza, tudo bem, mas que o músico não seja o único a ter que viabilizar o seu sustento a partir da complexidade desse processo. Ainda nessa temática, e conectando com o Kayapy, acho complicado a postura de tentar definir o que é “Músico de Verdade” para as multidões, como se fosse um verbete de um dicionário ou enciclopédia. Acho que a Ordem dos Músicos já fracassa o bastante nesse sentido para servir de exemplo. Certamente eu e você e o Kayapy temos nossas maneiras de interpretar quais os músicos que fazem música relevante pra nós, e eu creio que esse julgamento pode e deve parar por aí. Conheço muitos músicos excelentes que vivem felizes como músicos de estúdio, e acompanhando outros músicos – como sidemen ou sidewomen, porque é fundamental lembrar que também existem mulheres que dedicam suas vidas à música. Eu não li o Diário Oficial da União no dia em que baixou a portaria informando que o músico é menos músico por acompanhar outros, ou gravar mais do que tocar ao vivo.
Voltando à primeira coisa que eu falei, o que eu acho que está faltando não é só cachê, é discussão aberta, conversa. Colocar as cartas na mesa sobre FDE, sobre ABRAFIN, sobre o dinheiro público, sobre como toda essa energia, tempo e dinheiro podem ajudar no processo de construir um circuito musical em que possamos divulgar nossa produção sem depender de rádio, TV, jabá, Faustão e Rodrigo Faro. Porque daí vai vir a consolidação de um mercado, de um público, que podem gerar algum dinheiro, pois dinheiro não é tudo, mas em algum momento ele vai precisar existir. Parafraseando o China, eu não posso usar nem o Cubo Card nem as Patativas para pagar a Eletropaulo, ou a pensão alimentícia, então em algum momento eu preciso transformar aquilo que eu sei fazer melhor em moeda corrente. Não acho que isso vai me transformar num mercenário, nem no Eike Batista.
Finalmente, acrescento que eu particularmente acredito e gosto muito da expressão “Artista igual Pedreiro”, por vários motivos. Primeiro por entender que ambas as categorias são fundamentais para a estruturação de qualquer sociedade. Segundo pois vivemos nós, pedreiros e artistas, literalmente daquilo que construímos dia após dia – todo artista e todo pedreiro sabem o quanto custa um dia de folga. Mas o pedreiro, normalmente, não trabalha de graça.
Limando o inglês – ou quase

Sem inglês, por favor
Diretamente inspirado pelas coletâneas do Tarta lá em seu blog Ferro Extra, comecei a carregar algumas coletâneas passadas na minha conta do Grooveshark. Começo com essa aqui, que eu fiz no ano passado pra um programa da Radio Levi’s, em que a condição que eu mesmo me impus foi de não usar músicas no idioma inglês, e mesmo assim construir uma coleção de faixas bacanas e internacionais. Tem japonês, galês, alemão, português sem dúvida, mas com exceção de um verso aqui e ali em “Santa Maradona” e “Sénegal Fast-food” – coincidentemente duas faixas da lavra do sempre poliglota Manu Chao – o inglês é ausente.
Outro objetivo nessa coleta foi juntar faixas e artistas que eu tivesse ouvido muito em algum momento da minha vida, longínquo ou recente, o que acabou se confirmando mesmo no caso da minha própria banda de tempos idos, os Supersoniques, sendo esta uma das faixas que eu mais ouvi do disco que leva o seu nome, e que até hoje a gente nunca lançou.
Sem mais delongas, vão lá e ouçam: Limando o inglês – ou quase
O poder mágico das situações adversas
O título desse texto me ocorreu numa conjunção de fatores, especificamente ouvindo o Machine Head do Deep Purple no metrô, voltando pra casa depois da master do disco da Alessandra Leão. O Machine Head é um desses discos “lenda viva” – que transcendem a categoria de disco clássico, e se torna parte das entranhas da nossa cultura, surgindo em todo canto, desse moleque aqui testando uma Les Paul coreana na Rua da Concórdia com o riff-haikai de “Smoke on the Water“, até um anúncio de algum carro-família que eu vi ano passado, tocando “Highway Star”. Sem o Machine Head, o DP provavelmente seria uma banda de Hard Rock / Metal da segundona, brigando ali com o Dio e o Quiet Riot por um lugar na eternidade, e fornecendo mão-de-obra especializada para os deuses da primeira divisão.
Mas o Machine Head é um senhor disco, e não foi fácil de fazer. Na época, o Deep Purple ainda era uma banda que pegava no pesado, e na maior parte do tempo viajava de ônibus. Emendando uma turnê na outra, tinham pouco tempo pra perder em estúdio, pois eles – como nós hoje em dia – ganhavam dinheiro mesmo tocando, e não vendendo disco. A solução foi alugar a unidade móvel dos Rolling Stones e gravar na estrada, numa pausa nos trabalhos após o Festival de Montreux de 1971, no Cassino onde o festival acontecia – nessa época o festival era pequeno e durava uns dois ou três dias. Sendo que o cassino pegou fogo, durante o show do Frank Zappa, e como diz o ditado, fudeu. A solução foi um hotel que estava fechado, onde fazia frio e as condições não só não eram as melhores como eram ruins pacas, e o jeito foi improvisar com colchões, camas e lençóis. O resumo da ópera, inclusive, é a própria Smoke on the Water, que conta direitinho como tudo aconteceu.
Comparado com o Machine Head, Dois Cordões, o disco novo da Alessandra, é como o Tusk do Fleetwood Mac, para o qual se construiu um estúdio só pra começo de conversa. Mas nem tanto, nem tão pouco. A adversidade mágica no caso foi conseguir gravar e mixar um disco cheio de detalhes em pouco tempo, desde o começo, aqui em SP – onde gravamos todas as percussões e vocais principais em menos de uma semana, ainda por cima fazendo umas duas música do zero – até o final – a participação de Jorge Du Peixe no disco foi gravada aqui DURANTE a mixagem da mesma música em Recife. Ninguém teve que passar frio – acho que só a Alê reclamou um pouquinho do ar-condicionado lá da YB, mas também ninguém ficou de bobeira. Esses e alguns outros exemplos – que eu testemunhei até hoje, ou sobre os quais eu li ou assisti, me colocaram uma pulga atrás da orelha perguntando: “Será que músico só trabalha bem sob pressão?”.
Talvez sim, talvez não. Eu normalmente estimo que, uma vez que a música esteja pronta do ponto de vista de melodia, ritmo, arranjo e forma, ela leva entre 6 a 12 horas pra “florescer” em estúdio – entre gravar tudo o que precisa ser gravado, aparar as arestas de performance e arranjo, e mixar. Isso é uma média no melhor estilo “ou dá, ou desce”, porque baseado nisso você planeja 100, 150 ou 200 horas pra fazer um disco inteiro, e isso é o que você tem, pro bem ou pro mal. Normalmente, a sempre presente culpa recai sobre o dever de casa malfeito, a música que não chegou pronta no estúdio, o músico que na hora H não compareceu, o café que tava morno, o cachorro que latiu. Sendo que cada exemplo de problema, há outro mostrando que esse não é um problema tão grande assim.
A minha teoria propõe que sob pressão, perdemos menos tempo explorando as infinitas possibilidades do mundo pós-moderno. Mas se o importante – eu mesmo falei isso duas semanas atrás – é saber explorar as possibilidades, experimentar novas idéias, como é que fica esse negócio? Aí é que entra uma habilidade difícil de medir, e que a gente só desenvolve na lida: a nossa capacidade de fazer escolhas. Fazendo um paralelo, seria o equivalente na música e no áudio do “olho clínico”. Você não precisa ter 20 sons de caixa ou 30 takes de uma voz, o que você precisa é saber qual é o que presta. De preferência, sem ter que ouvir tudo de novo umas 30 vezes. Para este ponto, vamos recorrer à categoria “analogias úteis entre música e culinária”: É o ponto da massa e do tempero que diferenciam uma iguaria de uma papa intragável, ou mesmo de um prato bem-servido, mas sem graça.
Esse “ouvido clínico” também é quem liga os neurônios certos na hora de inventar alguma coisa inusitada mesmo quando o bicho está pegando, e nos permite aferir se a idéia está ajudando ou é melhor parar enquanto é tempo. Eu não creio que isso seja alguma espécie de poder Jedi conferido a alguns poucos premiados pelo destino. Acho que é algo que a gente desenvolve, num processo que pode ser mais rápido ou mais lento de acordo – aí sim – com a predisposição natural de cada um. Apelando para a categoria “analogias úteis entre música e futebol”, é feito o gol de bicicleta – primeiro você precisa aprender a fazer, depois você precisa saber se é a hora certa de arriscar.
Pegando emprestado a metalinguagem do Ian Gillan na faixa lá de cima, eu confesso que não posso me alongar muito nesse momento, estou quase me atrasando pra uma reunião. Como esse post é a parte 1 de uma conversa maior sobre as relações entre pragmatismo e divagação, na música e nas artes em geral, talvez seja bacana também ficar divagando – se eu disser filosofando eu vou apanhar da Júlia Grande – sobre essas questões. Modos que pra fechar a conversa do dia eu deixo a pergunta: Você trabalha melhor sob pressão?
O mundo e as coisas (de Lulina)
Lulina, como muitos sabem, é Jardelense de alma e coração. Portanto, idéias boas não faltam e eis mais uma. Participem. Isso vai ser muito bom. Jardel participará.
Hoje é dia 13. Dia perfeito para se começar um projeto pirado.
Funciona assim: você nem precisa sair dessa cadeira em que você está.
Basta escrever uma frase sobre o seu dia 13 (hoje) e mandar para lulilandiatown@gmail.com, com o subject “meu dia 13”.
Não precisa pensar muito, o importante é que seja uma frase sobre como você está se sentindo hoje, ou sobre alguma coisa que aconteceu ao seu redor, enfim. Nada de poesia ou frase bem construída, o importante é o conteúdo dela. Eu vou ler a frase que todo mundo mandou e, a partir delas, fazer uma música. Posso usar ou não a frase exatamente como foi escrita, mas se eu usar ao menos a idéia/sentimento contidos nela, a pessoa que mandou já faz parte automaticamente do rall dos “compositores” da música.
No próximo dia 13 (de junho), vou disponibilizar a música gravada, com o crédito de todos os autores das frases que usei como inspiração (vai ser um método bem subjetivo, não vou poder usar a frase de todo mundo, senão a música vai ter duas horas de duração, mas vou tentar usar o máximo de frases e idéias que puder, creditando sempre seus autores).
A pessoa vai poder ouvir a música e reconhecer que parte do dia dela está ali, na canção.
E no próximo dia 13 de junho, novamente vocês podem mandar frases sobre o dia 13 que vocês estão vivendo naquele momento. E, novamente, farei uma outra música com elas, para disponibilizar no dia 13 seguinte. Resumindo: todo dia 13 temos um encontro nesse blog, para ouvir a música composta por todos nós e para movimentar novos emails com frases. No final de 13 meses, reunirei todas as músicas feitas em um único disco, chamado “Meus dias 13”, composto por um número recorde de compositores: eu e todo mundo que mandou alguma frase que foi usada.
Então, daqui a 13 meses, depois do disco ficar pronto, farei um show de lançamento, o primeiro COMPOSISHOW, onde todos os compositores poderão pegar o seu disco de graça. Fale frisar que o disco vai ser um cd-r, obviamente (já que todas as gravações serão realizadas de forma caseira, mas com uma boa qualidade). Mas, se ao final de 13 meses, todos estiverem bastante felizes com o resultado, quem sabe não fazemos uma vaquinha para prensar em SMD? Tudo depende do resultado que obteremos. Por enquanto, vamos pensar pequenininho e ver no que dá essa brincadeira. Algo me diz que vai dar pelo menos um belo disco sobre os nossos dias 13 na Lulilândia.
Atenção: só valem frases mandadas até a meia-noite de cada dia 13.
O mundo e as coisas (dos jovens), Pt. 1.

O mundo e as coisas é assim mesmo. Estão por aí e a gente tem que prestar atenção e se adaptar. Se ficar emburrado e reclamando, achando difícil ou complicado, vai perder o bonde. Na humildade a gente vai tentando entender essas doideras do mundo. E das coisas.
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No final de março desse ano, saiu uma pesquisa que mostram alguns dados alarmantes pro já cambaleante mercado fonográfico. Resumindo é isso aqui:
Adolescentes (entre 13 e 17 anos) adquiriram 19% menos música em 2008 do que em 2007. Em qualquer formato. A venda de CDs caiu 26% e a de downloads pagos caiu 13% no mesmo período. Do grupo que afirmou ter feito menos downloads pagos, 32% se mostrou insatisfeito com a qualidade das músicas disponíveis e 23% disse já ter uma quantidade ideal de música em seus HDs, ou seja, não se interessam em baixar mais nada.
Até aí tudo (relativamente) bem, mas essa queda em downloads pagos foi acompanhada também por uma queda de 6% em downloads feitos em redes P2P (peer-to-peer, os famosos soulseeks e afins). Até o número de músicas que esses jovens estão pegando pra copiar (do computador de amigo, de CDs) também caiu. Em 28%.
O que é isso? É lugar comum dizer que os jovens não têm (F**K U, nova ortografia) mais interesse em comprar discos físicos. Ok. Eles não pagarem por isso na internet também faz algum sentido. A questão é que eles não estão nem baixando música de graça, nem pegando com os amigos.
De repente, quando estávamos todos rindo da desgraça das grandes gravadoras, estamos vendo que o principal canal de divulgação de nosso trabalho não está mais servindo pra nada.
Será que é isso mesmo? Será que os jovens realmente não estão atraídos pelo que há de novo na música de hoje? O problema são eles ou a gente? Será que são as grandes corporações malígnas do mundo? Ou não há problema algum nisso?
Por enquanto há mais perguntas que respostas, mas uma das respostas parece ser nosso amigo Myspace.
Como?!
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Semana que vem segue a questão.



