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Música e Áudio

Archive for the ‘Aventuras em Diversos Canais’ Category

Coincidentes

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Recebi do Tomaz, do Profiterolis, esse recorte com duas resenhas positivas de discos que eu produzi e que saíram neste ano, o próprio Pare e Siga, e também o Cristalina.

É nois no Grobis

É nois no Grobis

Written by missionariojose

November 9th, 2009 at 7:09 pm

Aventuras em Diversos Canais, Cap. 3 – Mundo Livre S/A – Deixa essa Vergonha de Lado

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As coisas no mundo misterioso da produção fonográfica não tendem a ser rápidas. Pelo contrário, elas dependem de um emaranhado de variáveis sobre as quais raramente a gente consegue ter algum controle, seja o tempo que leva pra terminar um arranjo, achar o clima certo pra gravar uma voz, acertar algumas palavras na letra ou notas na melodia, essas coisas realmente não são rápidas, mesmo pros mais rápidos. Parafraseando o Beto Villares, fazer coisa boa leva tempo. Do mesmo modo, por vezes o acaso nos dá um fôlego extra, ou uma combinação de fatores incomum em que as coisas andam bem e rápido ao mesmo tempo. É o caso da faixa deste capítulo, uma versão de um clássico do grande Odair José, feita pelo Mundo Livre S/A.

Eu nunca me questionei muito o porquê, mas o MLSA é uma banda muito rápida em estúdio. Talvez por causa da experiência do “Samba Esquema Noise”, em que o pessoal passou – segundo uma lenda da época no Jornal do Commercio recifense – umas seiscentas horas no estúdio. Eu nunca parei pra confirmar com nenhum dos envolvidos quanto tempo o disco levou de fato, mas em se tratando de uma obra-prima, sem dúvida valeu a pena. De qualquer modo, em todas as vezes que eu trabalhei gravando a banda, foi tudo muito rápido. E dessa vez, especificamente, foi tudo muito rápido mesmo, 6 horas desde começar do zero até a mix final, no caso.

Nessa sessão o Mundo Livre foi o Fred Zeroquatro e o Areia, um dos meus maiores ídolos, com quem eu tive a sorte de trabalhar muitas vezes, e o estúdio foi o Fábrica velho de guerra. Como referência pra o que a gente ia fazer, o Fred trouxe o Trans do Neil Young, sugerindo alguns detalhes de programação e também usar um vocoder na voz. Programamos a batida e a estrutura do arranjo no Reason, usando alguns sons de baterias eletrônicas antigas, um sintetizador arpejado e outro numa cama para satisfazer qualquer fã do Mr. Mister.

Em seguida, gravamos o baixo com um dos ‘frankensteins’ de Areia, direto no Avalon 737sp com uma compressão supimpa ali na casa dos 4:1. O cavaco foi gravado da mesma maneira, usando um cavaco JB que o Fred usa ao vivo, cheio de espuma pra evitar feedback, o que foi ótimo pra dar o timbre mezzo guitarrada paraense – mezzo guitarra africana que a música pedia – complementado por um delayzinho curto na mix. A voz foi gravada num Neumann TLM 103 também no Avalon, mas com um pouco menos de compressão.

O vocoder infelizmente não foi esse da foto. Ou felizmente, porque um bicho desse tamanho deve levar umas 3 horas só pra ligar e deixar funcionando. Usamos mesmo o bom e velho Orange Vocoder, que não fica devendo nada a nenhum vocoder de hardware, só chama menos atenção dos clientes. Nesse caso específico usamos três regulagens, um mais ‘Robô Gigante’ pra voz principal na primeira estrofe e refrão, outro meio ‘Coral de Robôs’ pra segunda, e uma terceira mais tradicional pro refrão final, onde a voz de Fred também aparece ao natural.

A mixagem, do ponto de vista de equilíbrio dos elementos, foi simples. O que é difícil quando temos poucos elementos em jogo é manter a atenção do ouvinte durante dois ou três minutos. Pra isso, e como a música tem uma forma bem básica – Intro + AB + ABB, o truque foi colocar alguma coisa nova a cada parte, e brincar com o som da voz também, que estaria no centro das atenções como lhe é peculiar.

Outro fator importante na mix foi a abordagem ‘Rudy Van Gelder‘ de Areia, segundo a qual as coisas que soam simples e bem funcionam melhor do que acrobacias na mix. Achando o canto de cada um, todo mundo fica feliz, em outras palavras. Para ressaltar o aspecto baile da canção, apertamos tudo um pouco mais do que costumamos, mas nada demais para não atrapalhar a poesia e o comentário social da faixa, que você pode ouvir abaixo, e na coletânea “Eu vou tirar você desse lugar“, produzida pela Allegro Discos com distribuição da Tratore.

DeixaEssaVergonha

Não, não foi esse o nosso vocoder

Não, não foi esse o nosso vocoder

P.S.: Buscando o link da Propellerhead, eu me deparei com isso aqui. Ai, ai, ai…

Written by missionariojose

July 22nd, 2009 at 12:27 pm

Aventuras em Diversos Canais, Cap. 2 – Sivuca & OSR – João e Maria

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Voltando à nossa série, e também a 2004, resolvi buscar uma faixa que pra mim teve um significado muito importante, de uma forma quase multidisciplinar, digamos assim. Não é todo o dia em que você grava uma das suas músicas favoritas com o próprio compositor dela. E João e Maria é uma das minhas músicas preferidas, desde sempre, fato devidamente documentado em alguma fita K7 onde estou eu lá cantando com uns três anos de idade.

Numa das diversas pausas no disco d’Azabumba, eu fui convidado pelo Paulo Lima – possivelmente o melhor diretor que o Depto. de Música da UFPE já teve, sem dúvida o mais camarada – e pelo Osman Gioia – que foi meu professor na especialização e também é o Regente da Orquestra Sinfônica do Recife – pra gravar um disco da OSR com o Sivuca, executando um repertório que já fazia tempo que era executado em seus concertos com Orquestras em geral, e da OSR com ele – que também foi responsável por todas as orquestrações.

A idéia seria gravar no Teatro do Centro de Convenções da UFPE, que não é a melhor das salas, mas também está longe de ser a pior. Na verdade, é uma sala bem-comportada, talvez com uma reverberação um pouco longa demais. Definitivamente não é tão suscetível aos ruídos do exterior quanto o Sta. Isabel, por exemplo, que tem uma acústica muito legal, mas um isolamento de mentira, e é bem mais útil pra gravação do que o Teatro Guararapes, talvez grande demais. E bom, faz parte do conglomerado UFPE, então ficava bem mais acessível para o Depto., pra começo de conversa.

O equipamento para a gravação foi o do próprio estúdio, devidamente desmontado e levado pro teatro, e ficou sob os cuidados meus, do grande Adriano Nascimento, e do Marcílio. Gravamos com um par espaçado, tendo a opção de um terceiro microfone central caso o centro ficasse muito vazio, e alguns microfones pontuais por naipe, além de um microfone para a Sanfona solo. O Adriano e o Marcílio ficaram cuidando da botoeira e dos níveis, e eu cuidei de olhar as grades e acompanhar a orquestra pra ninguém passar a perna na gente. O disco foi todo feito em uma semana, começando com a montagem e ajustes na segunda-feira, e na quinta já tínhamos tudo no HD.

Gravar orquestra é um dos maiores exercícios de organização e foco, e uma aula de como resolver os problemas de uma produção antes que eles se tornem problemas. Antes de mais nada, o empenho de reunir uma Orquestra Sinfônica, em qualquer lugar do mundo, está além das forças de qualquer indivíduo. Depois de reunido, acomodado e microfonado, é sempre bom lembrar que estamos falando de umas duzentas pessoas, e não de quatro ou cinco. Pra mandar rodar um take, é melhor checar algumas vezes se está tudo ligado, com exceção dos celulares. E ouvir – e anotar – o que acontece no take, pra saber se precisa refazer tudo, só um pedaço. E lembrar que uma parada pro cafezinho tende a levar entre 40 minutos e uma hora. Mais ainda quando a orquestra é repleta de figuras do naipe de Homero Basílio e João do Cello.

Por outro lado, é um som que tá ali, tá pronto. Ao contrário de uma mixagem de música popular, em que você normalmente constrói um som ancorado em alguns elementos, com a orquestra você parte de uma perspectiva que já existe, é só não estragar. No nosso caso particular, usamos a técnica de gravar uma claquete pra alinhar todos os microfones pontuais com os microfones do ambiente, que economizou um bocado de tempo na preparação das faixas pra edição e mixagem. A edição foi quase nenhuma, meramente juntar algum material que tenha chamado mais atenção de um take com outro, e a mixagem foi praticamente um passeio no Parque da Jaqueira ao por-do-sol.

Ainda tivemos a sorte de conseguir lançar o disco com o Sivuca no Teatro Sta. Isabel, em uma de suas últimas apresentações. Impecável, como sempre.

João e Maria

Procure saber:

Sivuca – Site Oficial

Verbete da Wikipédia

Written by missionariojose

April 13th, 2009 at 9:22 pm

Não é só a gente que é doido – Pt. 2

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Por falar em véio louco. Esse aqui é master big crazy of the universe. Mais uma genialidade de um caba que soube envelhecer.

Written by edipo

March 17th, 2009 at 3:09 pm

Aventuras em Diversos Canais, Cap. 1 – Azabumba – Corte Agudo

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Como eu estou mesmo mixando um EP novo pr’Azabumba, resolvi começar com eles uma série de pequenas memórias sobre faixas e outras empreitadas ao longo do tempo. Essa faixa, parte integrante do disco de estréia da banda, é uma das minhas preferidas do disco, talvez por ser uma das que eu tenha metido mais a mão, ou por ser mais representativa do que a banda veio a ser, depois do disco, do que o que a banda era antes dele.

Em diversos momentos eu havia sido chamado pra trabalhar nesse disco, desde antes do começo das gravações, mas por um problema aqui, outro ali, acabou que eu peguei o disco pra mixar, já com o bonde andando um bocado, sem saber que a gente iria na verdade fazer outro disco quase inteiro no processo. Das gravações até eu entrar de vez no projeto participaram principalmente Lindemberg Oliveira, PiR e talvez Marcílio Moura também. Digo talvez porque, entre o estúdio do Depto. de Música da UFPE e o Fábrica são uns poucos quilômetros, e eu e Marcílio já substituímos um ao outro tanto em ambos que ao longo dos anos a gente começa a esquecer quem fez exatamente o que, e quando. E essa dança das cadeiras entre eu, Marcílio, Linde e Pierre não aconteceu só nesse disco tampouco

2004 não foi um ano muito fácil pra a maioria dos envolvidos no processo de feitura de “Azabumba”, o disco. E por algum acaso desses do destino, juntou-se uma banda em crise com um produtor / mixador que também não estava na melhor de suas fases. Guardadas as devidas proporções, a gente estava meio que se sentindo os Beatles no Let it Be, sem os milhões de dólares e de fãs. Mas se, por um lado, tava meio ruim pra todo mundo, por outro a gente tinha motivos de sobra pra se enfiar no estúdio e esquecer o que estava se passando da porta pra fora. E isso é muito fácil no estúdio da UFPE, que fica no final de um corredor escuro que a maioria das pessoas nem sabe que existe, mesmo aquelas que frequentam o CAC há anos. Em um determinado momento a gente começou também a inventar senhas como Peixe-Espada e “A vaquinha dá leite” pra limitar o acesso ao estúdio, inclusive.

Então, durante o processo de mixagem, a banda começou a descartar algumas músicas que sentia-se que não representavam mais tão bem sua sonoridade. Outras estavam um tanto quanto bagunçadas de overdubs e arranjos que precisaram de alguns dias de edição pra parecer música de novo. E começamos a gravar algumas músicas novas, pra suprir o corte de outras. Foi aí que apareceu “Corte Agudo”. A percussão é bem simples,  vinda um dos kits mágicos de Bubu e Rudá, os percussionistas da banda então, com uma antena de TV a cabo, um reco-reco e um caixa. Baixo, bandolim, e vozes. E muitos, muitos efeitos, alguns feitos à mão, outros usando um dos nossos brinquedos favoritos da época – e pra mim, até hoje – o Antares kantos, que infelizmente deixou de ser produzido, mas que participou a três por dois, do disco e da faixa.

Após um bocado de idas e vindas, mudanças repentinas da formação da banda e no conteúdo do disco, mixagens e remixagens, acabamos “abandonando” o disco no momento certo. Ou quando precisava ser, porque o disco precisava sair, e a gente precisava também seguir em frente.

Corte Agudo

Written by missionariojose

February 19th, 2009 at 12:15 am