Jardel Music

Música e Áudio

Archive for the ‘Portfolio’ Category

Limando o inglês – ou quase

without comments

Sem inglês, por favor

Diretamente inspirado pelas coletâneas do Tarta lá em seu blog Ferro Extra, comecei a carregar algumas coletâneas passadas na minha conta do Grooveshark. Começo com essa aqui, que eu fiz no ano passado pra um programa da Radio Levi’s, em que a condição que eu mesmo me impus foi de não usar músicas no idioma inglês, e mesmo assim construir uma coleção de faixas bacanas e internacionais. Tem japonês, galês, alemão, português sem dúvida, mas com exceção de um verso aqui e ali em “Santa Maradona” e “Sénegal Fast-food” – coincidentemente duas faixas da lavra do sempre poliglota Manu Chao – o inglês é ausente.

Outro objetivo nessa coleta foi juntar faixas e artistas que eu tivesse ouvido muito em algum momento da minha vida, longínquo ou recente, o que acabou se confirmando mesmo no caso da minha própria banda de tempos idos, os Supersoniques, sendo esta uma das faixas que eu mais ouvi do disco que leva o seu nome, e que até hoje a gente nunca lançou.

Sem mais delongas, vão lá e ouçam: Limando o inglês – ou quase

Written by missionariojose

August 29th, 2010 at 12:20 pm

Seu Jorge and Almaz

without comments

Almaz

Almaz, devidamente encarnadas

Essa semana começa nos Estados Unidos a turnê do Seu Jorge and Almaz, uma banda que se formou há uns dois anos atrás, durante a produção de uma trilha que acabou não sendo, pro filme Linha de Passe, do Walter Salles, Jr. e da Daniela Thomas. Essa ‘trilha perdida’ foi composta pelo trio Lúcio Maia, Pupillo e Antônio Pinto, com trabalhos técnicos, logísticos e psicológicos deste que vos escreve, e durante o processo surgiu a idéia de colocar nos créditos finais uma versão de ‘Juízo Final’ - de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares – que Lúcio já tocava no seu projeto paralelo, o Maquinado. A versão partiu de um Loop de Bateria gravado nas sessões que tínhamos feito no Fábrica, antes do Carnaval de 2008, que foi onde a produção da trilha começou, e surgiu a idéia de convidarmos alguém pra colocar a voz.

Num golpe fortuito do acaso, Jorge ligou pra tratar de outros assuntos com Antônio, e a idéia da participação se cristalizou. No mesmo dia ele veio ao estúdio e gravou a voz literalmente de primeira – o que se ouve no disco é, de fato, o primeiro take de voz. Em seguida, pintou a idéia de fazermos ‘Errare Humanum Est’, do Jorge Ben, também pro filme, e como o processo estava fluindo, ficou combinado de acontecerem outras sessões partindo do mesmo princípio.

Em questão de duas semanas, o disco já estava 90% pronto, num esquema espartano em que normalmente eu começava os trabalhos da trilha por volta das 10 da manhã, Antônio chegava por volta da hora do almoço, pouco depois chegavam Lúcio e Pupillo, e seguíamos em frente com a Linha de Passe. À noite chegava o Jorge, e aí a sessão do Almaz se estendia até umas 3 da matina. Cada um trazia algumas idéias de músicas pra tocar, tirava na hora, montava o arranjo e já gravava também. Montamos um esquema bacana, gravando a bateria com 5 canais e usando os outros três que tínhamos pra voz, baixo e guitarra, com Lúcio e Antônio tocando na técnica e Jorge gravando em uma sala separada da bateria. Dessas sessões já saiu muita coisa de guitarra e voz que ficou valendo pro disco, inclusive. A maioria das guitarras foi reprocessada – a gente pegou o sinal original que tinha sido gravado direto sem efeitos e regravou mandando pra um amplificador, e algumas poucas foram dobradas ou regravadas. Tempos depois, ainda rolou uma outra sessão com o Mário Caldato – que mixou o disco em casa – pra regravar ‘Cristina’ e  ‘Girl You Move Me’, e foi esse o processo.

Durante esses dois anos que se passaram desde então, muito se especulou por aí sobre a própria existência do disco / projeto, e por aqui sobre a possibilidade desse disco vir a sair algum dia. Em se tratando de um disco de covers feito por quatro pessoas que já tem carreiras devidamente estabelecidas, as possíveis complicações em diversos níveis assustam qualquer um. Eu de minha parte, fiquei muito feliz quando recebi as notícias do lançamento, e mais ainda quando tive o compacto de estréia em minhas mãos, não é todo dia em que eu divido os créditos com nomes tão ilustres, ainda mais pelo mundo afora. Ouçam e aproveitem: www.seujorgealmaz.com

P.S.: Da trilha, no final das contas, ficaram uns dois trechos curtinhos durante o filme, e “Juízo Final” nos créditos, com o detalhe de que alguém na montagem final colocou uma cópia de monitor que tínhamos mandado pro Walter no lugar da mix mesmo.

Written by missionariojose

July 22nd, 2010 at 11:48 am

Visite a Luliândia e seja feliz

without comments

Como já é praxe nos dias 13 de cada mês, hoje Lulina também aprontou mais uma. No caso, a inauguração oficial da Lulilândia online. O site é um ótimo exemplo de como um artista pode, nos dias de hoje, trabalhar fora dos limites do esquema disco físico / rede social sem ser redundante. A autoria é da Luci Kidaka, do Okiru Studio. Visite-nos e divirta-se!!

Written by missionariojose

January 13th, 2010 at 10:11 am

Projeto Guri Convida

without comments

Eis aqui um video bacana com o Making-of do disco “Projeto Guri Convida”. O disco já está disponível nas melhores lojas do ramo!

Aventuras em Diversos Canais, Cap. 4 – Rodrigo Campos – Brother José

with 2 comments

Essa faixa do primeiro disco de Rodrigo Campos, “São Mateus não é um lugar assim tão longe”, foi produzida pela Jardel em parceria com Beto Villares, que produziu todo o disco. Em “Brother José” temos, além de Rodrigo na voz e cavacos, Curumin na bateria, Missionário José no baixo e André Édipo na guitarra. Groove bom e certeiro.

Brother José by jardel

Rodrigo e o Cavaco, em São Mateus

Dando seguimento aqui a esse post, vou complementar com algumas explicações sobre como fizemos essa faixa, há pouco mais de um ano. “Brother José” como a conhecemos acabou virando o meu primeiro trabalho como freelancer para a Ambulante, e começou meio de repente num dia em que o Curumin passou por lá pra gravar algumas participações no disco do Rodrigo. Subindo e descendo as escadas da Ambula fazendo alguma coisa que não me lembro – provavelmente eu devia estar organizando alguma coisa do Antônio pra deixar o meu ex-cargo de assistente devidamente assistido – o Beto me chamou pra gravar um baixo numa base junto com o Curumin, em cima de uma guia de voz, violão e click do Rodrigo. O baixo em questão foi um Hofner viola, de destro mesmo e que eu toquei de cabeça pra baixo, um processo meio alienígena que é a segunda coisa que todo canhoto aprende a fazer quando começa a tocar. E tocando com um baterista do quilate do Curumin, também, o camarada toca até sem baixo.

Tudo isso vira som, e muito mais

Tudo isso vira som, e muito mais

Pra base, fizemos uns três takes, e creio que o que ficou foi o terceiro. Eu peguei um DVD com as faixas todas e a sessão, e fui cuidar da vida, pra terminar a canção em Jardel. O próximo passo foi ouvir os takes, e aí eu fiz um mix rápido de alguns loops da levada, pra criar outros efeitos fora do ProTools, em alguns outros brinquedos favoritos: O MetaSynth e o SoundHack. Ambos são dois companheiros fiéis dos meus tempos de Bangor, onde eu passei diversas madrugadas transformando gravações de ambiência, voz e objetos diversos em sons de berimbau interplanetário e sapo-boi marciano, entre outras coisas. Se o que você precisa é de um som maluco doidão on-demand, vá de SoundHack e MetaSynth. Aproveite e saia um pouco de dentro da sua Workstation preferida e experimente brincar com sons de um jeito diferente.

Dentro do SoundHack, uma das melhores coisas é a parte de Convolução, que na prática é uma maneira de imprimir as características de um determinado som – digamos uma bateria – em um outro som – digamos um feedback de guitarra. É mais ou menos como se fosse um vocoder extremamente complexo e imprevisível, numa definição meio grosseira que ninguém deve sair por aí dizendo que é uma explicação plausível e suficiente pra o que é convolução. Até porque o SoundHack também tem um setor de Phase Vocoding que é uma coisa linda do Senhor.

O responsável por estes e alguns outros grandes sons

O responsável por estes e alguns outros grandes sons

Depois de alguns dias no parque de diversões, nestes dois e também no Live – que roda dentro do PT, mas não abre plugins externos, como esse belo Fuzz gratuito da Audio Damage, por exemplo – chegou a hora de editar toda essa brincadeira e jogar de volta na sessão, ver o que casa, o que não casa, e assim por diante. Também chegara a hora de acrescentar mais umas coisas pra  vestir a música, no que justamente ajudou o André com sua nossa Craviola fiel, passando pelo também fiel escudeiro Bass Driver  SansAmp da Tech21, uma das caixinhas de melhor custo-benefício do mundo inteiro.

A estratégia do Édipo partiu de um dos mandamentos / axiomas  Jardelenses – “Colarás no Bumbo sobre todas as coisas”. A partir disso, o desenho da guitarra deu aquele movimento que estava faltando nos versos e na introdução. Aquele famoso gancho que puxa você pela orelha e empurra pra pista de dança. Para os refrões, eu usei uma técnica que eu apelido de “Mellotron Rural”, pra criar umas cordas fictícias e dar um clima mais épico para essas passagens da música, e complementar as guitarras ascendentes. Nestas, a cada volta do refrão a gente foi gravando com o vibrato mais rápido, um detalhe que não fica claro na mix – nem é pra ficar – mas que colabora pra o sentimento de urgência que vai se acumulando à medida que o tempo vai passando.

ナカターさん

Curumin, sempre resolvendo

Passado este estágio, mandei a música de volta pra Ambulante, onde voltamos a trabalhar nela alguns meses depois, que foi quando o Rodrigo gravou seu cavaco e um repique de mão pra garantir a metalinguagem. Gravou também a voz principal, e fez algumas modificações na melodia até chegar a essa que ficou na música. Nessa etapa, passamos por mais um processo de seleção, tirando e recolocando elementos pra música não ficar enfeitada demais, nem vazia de menos. Isso incluiu também diversos takes de cavaco com efeito do Rodrigo, gravados lá no começo do processo, que foram se refinando até chegar a alguns comentários e um riff que aparece de vez em quando. Para fecharmos de vez o refrão, contamos novamente com o auxílio luxuoso do Curumin, mandando ver no vocal e conferindo ainda mais austeridade à faixa.

A mix ficou por conta do Dr. Lenza, que é um mestre na arte de colocar cada qual em seu devido lugar, em mono e stereo. Como normalmente acontece quando eu estou produzindo e outra pessoa está mixando, eu gosto de deixar pra dar pitaco quando a impressão digital do responsável pela mix já apareceu – eu acho que o legal do processo colaborativo é justamente você poder se surpreender com o trabalho dos outros, o que não acontece se você vira aquele “produtor papagaio” que fica dependurado no ombro do  engenheiro o tempo todo. No final das contas, em um disco com várias participações especiais, produtores e músicos, ficou também na mão de Lenza a responsabilidade de costurar o disco todo em uma peça coesa, como ficou no final.

Uma das coisas que eu achei mais interessantes nessa produção foi como a música do Rodrigo veio ‘de fábrica’ com uma personalidade que integrou elementos e pessoas diferentes, em lugares e tempos diferentes, e resultou numa faixa em que você tem a nítida impressão de que está todo mundo tocando ali junto. Ouçam, e aproveitem pra ouvir as outras faixas de “São Mateus não é um lugar assim tão longe”.

BrotherJose

Written by missionariojose

August 28th, 2009 at 10:00 am

Voltage

without comments

Como só tem amigo safado quem pode, só hoje eu consegui parar para assistir ao Voltage, o mais recente curta de animação dos estúdios de animação da Barros Melo, com direção de William Paiva e Filippe Lyra, animado por eles, mais Leo D e mais um bocado de gente – que você pode conferir lendo a ficha técnica lá no Vimeo, e trilha de William e Leo.

Eu diria que o único defeito desta animação é a curta duração, mas não muito, porque sei do trabalho desgraçado que é fazer os meros 3 minutos e tanto que podemos assistir aqui. Outro defeito, obviamente, é o fato de o Diversitronica não estar completo na trilha sonora, mas esse defeito é mais culpa minha mesmo, na verdade. Fora isso, achei muito bonito e muito bem-feito, e saber que isso é obra de pessoas que vivem a mesma realidade da gente é muito inspirador.

É interessante perceber ao mesmo tempo influências de baluartes consagrados como Otomo e a turma do Japão, e detalhes sutis de traço e estética que mostram bem onde é que o filme foi feito, e subvertem nosso eterno paradigma de “foi feito em Recife mas poderia ter sido em Londres”. Pelo contrário é uma das provas cabais de que, dadas as mínimas condições, o material humano recifense é potencialmente uma referência internacional.

Sobre o Filippe, não posso falar nada além de elogiar o trabalho que eu conheci através do Voltage, indo direto para os favoritos. Sobre William e Leo, sou suspeito pra falar qualquer coisa, pois o que não fosse influenciado pela nossa amizade seria pela admiração inconteste que tenho pelos dois. Fico muito feliz de ver que num meio em que frequentemente vemos a carapuça de gênio adornar cabeças mais hábeis na arte de dar chilique do que em qualquer outra propriamente dita, vejo meus amigos tranquilos e calmos fazendo coisas geniais.

Voltage from Bam Studio on Vimeo.

Aventuras em Diversos Canais, Cap. 3 – Mundo Livre S/A – Deixa essa Vergonha de Lado

without comments

As coisas no mundo misterioso da produção fonográfica não tendem a ser rápidas. Pelo contrário, elas dependem de um emaranhado de variáveis sobre as quais raramente a gente consegue ter algum controle, seja o tempo que leva pra terminar um arranjo, achar o clima certo pra gravar uma voz, acertar algumas palavras na letra ou notas na melodia, essas coisas realmente não são rápidas, mesmo pros mais rápidos. Parafraseando o Beto Villares, fazer coisa boa leva tempo. Do mesmo modo, por vezes o acaso nos dá um fôlego extra, ou uma combinação de fatores incomum em que as coisas andam bem e rápido ao mesmo tempo. É o caso da faixa deste capítulo, uma versão de um clássico do grande Odair José, feita pelo Mundo Livre S/A.

Eu nunca me questionei muito o porquê, mas o MLSA é uma banda muito rápida em estúdio. Talvez por causa da experiência do “Samba Esquema Noise”, em que o pessoal passou – segundo uma lenda da época no Jornal do Commercio recifense – umas seiscentas horas no estúdio. Eu nunca parei pra confirmar com nenhum dos envolvidos quanto tempo o disco levou de fato, mas em se tratando de uma obra-prima, sem dúvida valeu a pena. De qualquer modo, em todas as vezes que eu trabalhei gravando a banda, foi tudo muito rápido. E dessa vez, especificamente, foi tudo muito rápido mesmo, 6 horas desde começar do zero até a mix final, no caso.

Nessa sessão o Mundo Livre foi o Fred Zeroquatro e o Areia, um dos meus maiores ídolos, com quem eu tive a sorte de trabalhar muitas vezes, e o estúdio foi o Fábrica velho de guerra. Como referência pra o que a gente ia fazer, o Fred trouxe o Trans do Neil Young, sugerindo alguns detalhes de programação e também usar um vocoder na voz. Programamos a batida e a estrutura do arranjo no Reason, usando alguns sons de baterias eletrônicas antigas, um sintetizador arpejado e outro numa cama para satisfazer qualquer fã do Mr. Mister.

Em seguida, gravamos o baixo com um dos ‘frankensteins’ de Areia, direto no Avalon 737sp com uma compressão supimpa ali na casa dos 4:1. O cavaco foi gravado da mesma maneira, usando um cavaco JB que o Fred usa ao vivo, cheio de espuma pra evitar feedback, o que foi ótimo pra dar o timbre mezzo guitarrada paraense – mezzo guitarra africana que a música pedia – complementado por um delayzinho curto na mix. A voz foi gravada num Neumann TLM 103 também no Avalon, mas com um pouco menos de compressão.

O vocoder infelizmente não foi esse da foto. Ou felizmente, porque um bicho desse tamanho deve levar umas 3 horas só pra ligar e deixar funcionando. Usamos mesmo o bom e velho Orange Vocoder, que não fica devendo nada a nenhum vocoder de hardware, só chama menos atenção dos clientes. Nesse caso específico usamos três regulagens, um mais ‘Robô Gigante’ pra voz principal na primeira estrofe e refrão, outro meio ‘Coral de Robôs’ pra segunda, e uma terceira mais tradicional pro refrão final, onde a voz de Fred também aparece ao natural.

A mixagem, do ponto de vista de equilíbrio dos elementos, foi simples. O que é difícil quando temos poucos elementos em jogo é manter a atenção do ouvinte durante dois ou três minutos. Pra isso, e como a música tem uma forma bem básica – Intro + AB + ABB, o truque foi colocar alguma coisa nova a cada parte, e brincar com o som da voz também, que estaria no centro das atenções como lhe é peculiar.

Outro fator importante na mix foi a abordagem ‘Rudy Van Gelder‘ de Areia, segundo a qual as coisas que soam simples e bem funcionam melhor do que acrobacias na mix. Achando o canto de cada um, todo mundo fica feliz, em outras palavras. Para ressaltar o aspecto baile da canção, apertamos tudo um pouco mais do que costumamos, mas nada demais para não atrapalhar a poesia e o comentário social da faixa, que você pode ouvir abaixo, e na coletânea “Eu vou tirar você desse lugar“, produzida pela Allegro Discos com distribuição da Tratore.

DeixaEssaVergonha

Não, não foi esse o nosso vocoder

Não, não foi esse o nosso vocoder

P.S.: Buscando o link da Propellerhead, eu me deparei com isso aqui. Ai, ai, ai…

Written by missionariojose

July 22nd, 2009 at 12:27 pm

Botando em Dia

without comments

  • No site da Trama Virtual, hoje e nos próximos dias temos uma entrevista do Profiterolis e outra da Stela Campos sobre seus mais recentes trabalhos, que contaram com a participação do Missionário na produção, e também tocando coisas aqui e ali. Lembrando que você pode ouvir e baixar coisas aqui e aqui, dos dois discos respectivamente.
  • Ainda falando da Stela, ela e sua banda estarão na Livraria da Esquina nas quintas-feiras 25/06 e 02/07 com o show do Mustang Bar, contando com as participações especiais do Departamento Celeste e dos Black Horses, com discotecagem do Bruno Orsini e da Katia Mello. A Livraria fica na Rua do Bosque, 1254, na Barra Funda.
  • Ainda essa semana em Jardel  estamos terminando e mandando pra fábrica o disco de estréia de Biu Roque, uma das grandes vozes do Brasil, que muitos provavelmente já conhecem dos discos do Siba e do Beto Villares, entre outros. O disco conta com a participação destes e de vários outros aprendizes do grande Biu Roquinha, e é uma produção em parceria do Missionário com Caçapa e Alessandra Leão, que também aparecem tocando e cantando em várias faixas.
  • Ainda sobre mandar pra fábrica, fontes fidedignas confirmam que o Cristalina, disco “de estréia” da Lulina, seguiu pra prensagem e brevemente chega ao público em geral.
  • Boa parte da nossa ausência aqui em nosso espaço virtual deveu-se ao espetáculo “Lo Cor de La Rosa”, que percorreu agora, na primeira quinzena do mês, boa parte do interior Paulista, a Capital e também foi até o Recife. O projeto consiste na associação do grupo vocal de Marselha Lo Cor de La Plana com a Renata Rosa e seu conjunto. Pra quem não teve a oportunidade de assistir aos shows da turnê, recomendo buscar vídeos do Lo Cor na internet para conhecer os caras, que entendem um bocado de gogó:

Written by missionariojose

June 21st, 2009 at 1:25 pm

As duas semanas dos presidentes – 06.05.09

without comments

  • Recebemos, ainda em Abril, uma cópia de “São Mateus não é um lugar assim tão longe”, disco de estréia de Rodrigo Campos, bastante noticiado na imprensa local e nacional, inclusive. A terceira faixa do mesmo, de título ‘Brother José’, contou com produção e baixo elétrico do Missionário homônimo – que não é o brother em questão, apesar da amizade iniciada com o compositor por ocasião desta empreitada – e guitarras embaladas do André Édipo. A faixa, que também conta com a bateria e os vocais magistrais do Curumin,  pode ser ouvida no nosso Myspace, e também no site da Ambulante.
  • Segunda, dia 27, o Missionário foi até Pirassununga conferir um ensaio dos meninos do Projeto Guri, pra música ‘Os Fugitivos’, do Maurício Pereira, que será produzida por Jardel no disco “Guri Convida”, cujas gravações começam no mês que vem. Quarta, dia 29, foi a vez do Pólo Mazzaropi, na capital, pra conferir a música do Curumin, e fechando o mês o Pólo Júlio Prestes, pra conferir como vai a do Siba.
  • Em Recife, no dia 25, houve a primeira edição do festival Quintal PE, que contou com shows de Nação Zumbi, Eddie, Otto, Blind Date (Naná Vasconcelos + DJ Dolores), Eta Carinae, Bonsucesso e Vargas. Neste festival houve a reedição do show China+Mombojó que foi feito ano passado em algumas cidades – Recife, São Paulo, Rio e Curitiba. André tocou com China e os Mombojós e o show foi muito bom.
  • Também em Recife, um dia antes do festival, foi inaugurado o Memorial Chico Science onde a Jardel fez o sound design para ambiente imersivo que conta com projeção e utilização do Vimus, do grande Jarbinhas.
  • Outro disco que está em processo de lançamento – digamos assim, é o novo do Profiterolis, produzido pelo Missionário junto com a banda, e gravado ao vivo (com e sem platéia) no teatro do SESC de Casa Amarela no meio do ano passado. Por enquanto você pode baixar um single no site da banda – www.profiterolis.com – e também assistir a um trecho de um making-of que está sendo feito pela nossa querida Tatiana Almeida:

  • Voltamos hoje de um breve período de visitas no Rio de Janeiro, aos amigos das antigas e também a novos amigos e parceiros. Jardel presente e no resumo seguinte, mais novidades.

Aventuras em Diversos Canais, Cap. 2 – Sivuca & OSR – João e Maria

with one comment

Voltando à nossa série, e também a 2004, resolvi buscar uma faixa que pra mim teve um significado muito importante, de uma forma quase multidisciplinar, digamos assim. Não é todo o dia em que você grava uma das suas músicas favoritas com o próprio compositor dela. E João e Maria é uma das minhas músicas preferidas, desde sempre, fato devidamente documentado em alguma fita K7 onde estou eu lá cantando com uns três anos de idade.

Numa das diversas pausas no disco d’Azabumba, eu fui convidado pelo Paulo Lima – possivelmente o melhor diretor que o Depto. de Música da UFPE já teve, sem dúvida o mais camarada – e pelo Osman Gioia – que foi meu professor na especialização e também é o Regente da Orquestra Sinfônica do Recife – pra gravar um disco da OSR com o Sivuca, executando um repertório que já fazia tempo que era executado em seus concertos com Orquestras em geral, e da OSR com ele – que também foi responsável por todas as orquestrações.

A idéia seria gravar no Teatro do Centro de Convenções da UFPE, que não é a melhor das salas, mas também está longe de ser a pior. Na verdade, é uma sala bem-comportada, talvez com uma reverberação um pouco longa demais. Definitivamente não é tão suscetível aos ruídos do exterior quanto o Sta. Isabel, por exemplo, que tem uma acústica muito legal, mas um isolamento de mentira, e é bem mais útil pra gravação do que o Teatro Guararapes, talvez grande demais. E bom, faz parte do conglomerado UFPE, então ficava bem mais acessível para o Depto., pra começo de conversa.

O equipamento para a gravação foi o do próprio estúdio, devidamente desmontado e levado pro teatro, e ficou sob os cuidados meus, do grande Adriano Nascimento, e do Marcílio. Gravamos com um par espaçado, tendo a opção de um terceiro microfone central caso o centro ficasse muito vazio, e alguns microfones pontuais por naipe, além de um microfone para a Sanfona solo. O Adriano e o Marcílio ficaram cuidando da botoeira e dos níveis, e eu cuidei de olhar as grades e acompanhar a orquestra pra ninguém passar a perna na gente. O disco foi todo feito em uma semana, começando com a montagem e ajustes na segunda-feira, e na quinta já tínhamos tudo no HD.

Gravar orquestra é um dos maiores exercícios de organização e foco, e uma aula de como resolver os problemas de uma produção antes que eles se tornem problemas. Antes de mais nada, o empenho de reunir uma Orquestra Sinfônica, em qualquer lugar do mundo, está além das forças de qualquer indivíduo. Depois de reunido, acomodado e microfonado, é sempre bom lembrar que estamos falando de umas duzentas pessoas, e não de quatro ou cinco. Pra mandar rodar um take, é melhor checar algumas vezes se está tudo ligado, com exceção dos celulares. E ouvir – e anotar – o que acontece no take, pra saber se precisa refazer tudo, só um pedaço. E lembrar que uma parada pro cafezinho tende a levar entre 40 minutos e uma hora. Mais ainda quando a orquestra é repleta de figuras do naipe de Homero Basílio e João do Cello.

Por outro lado, é um som que tá ali, tá pronto. Ao contrário de uma mixagem de música popular, em que você normalmente constrói um som ancorado em alguns elementos, com a orquestra você parte de uma perspectiva que já existe, é só não estragar. No nosso caso particular, usamos a técnica de gravar uma claquete pra alinhar todos os microfones pontuais com os microfones do ambiente, que economizou um bocado de tempo na preparação das faixas pra edição e mixagem. A edição foi quase nenhuma, meramente juntar algum material que tenha chamado mais atenção de um take com outro, e a mixagem foi praticamente um passeio no Parque da Jaqueira ao por-do-sol.

Ainda tivemos a sorte de conseguir lançar o disco com o Sivuca no Teatro Sta. Isabel, em uma de suas últimas apresentações. Impecável, como sempre.

João e Maria

Procure saber:

Sivuca – Site Oficial

Verbete da Wikipédia

Written by missionariojose

April 13th, 2009 at 9:22 pm