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	<title>Jardel Music &#187; Internet</title>
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	<description>Música e Áudio</description>
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		<title>Colaborar é preciso</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 18:05:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>missionariojose</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O vídeo que colocamos aqui abaixo é uma demonstração do Ohmstudio, uma estação de trabalho colaborativa que está sendo desenvolvida pelos caras da Ohmforce, que já faz alguns dos plug-ins mais legais do mundo, entre eles O MELHOR plug-in gratuito de todos, o Frohmage. Essa é uma tendência que já vem sido observada há um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O vídeo que colocamos aqui abaixo é uma demonstração do Ohmstudio, uma estação de trabalho colaborativa que está sendo desenvolvida pelos caras da <a title="Ohmforce" href="http://www.ohmforce.com/HomePage.do" target="_blank">Ohmforce</a>, que já faz alguns dos plug-ins mais legais do mundo, entre eles O MELHOR plug-in gratuito de todos, o <a title="Frohmage" href="http://www.ohmforce.com/UseFreeSoftware.do?action=freeware" target="_blank">Frohmage</a>. Essa é uma tendência que já vem sido observada há um tempo, e vários desenvolvedores ao redor do mundo estão aparecendo com a sua proposta de um ambiente em que pessoas que não estejam no mesmo lugar possam colaborar fazendo música em tempo quase real. O site <a title="Indaba" href="http://www.indabamusic.com/" target="_blank">Indaba</a> apresenta essa mesma proposta num formato de rede social, meio Orkut / Facebook, enquanto outros softwares como o <a href="http://www.ableton.com/share" target="_blank">Live</a> já trazem em si mesmos opções de compartilhamento de sessões online.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/15ubx4rU4ug&amp;hl=en_US&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" src="http://www.youtube.com/v/15ubx4rU4ug&amp;hl=en_US&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Essa movimentação não chega a ser exatamente uma novidade, a grande diferença atualmente é que com um aumento na  velocidade média &#8211; digamos assim &#8211; de conexões à internet pelo mundo afora, ficou mais real a possibilidade de trabalhar com arquivos de áudio e vídeo em ambientes <em>online</em> ou, como preferem alguns, na famosa &#8216;nuvem&#8217; de dados que está por aí em algum lugar nos mega-servidores espalhados pelo planeta. Justamente por causa desse aumento na transferência de dados, produtos COMERCIAIS, como são todos os mencionados acima, também passam a ser viáveis. A colaboração em tempo real via MIDI pela internet não é uma novidade há algum tempo &#8211; praticamente desde que existem redes de computadores, existem maneiras de se mexer uns nos outros à distância &#8211; é só perguntar pro usuário de <a title="Max" href="http://cycling74.com/products/" target="_blank">Max/MSP</a> ou <a href="http://puredata.info/" target="_blank">PureData</a> mais próximo. A outra grande diferença, é que num formato como o do <a title="Indaba" href="http://www.indabamusic.com/" target="_blank">Indaba</a>, por exemplo, o processo para chegar até o seu projeto colaborativo é o mesmo de chegar até o seu e-mail e gravar alguma coisa no seu computador, você não precisa pegar gosto por  criar patches em Pd ou ainda implementar neles a transmissão de MIDI ou áudio.</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente quem acompanhar vai ver, nesse e nos próximos anos, grandes mudanças na oferta e no funcionamento dessas plataformas. Por exemplo, daqui a pouco vai ser possível ver uma <em>webcam</em> no cantinho da tela pra rolar um contato visual entre as pessoas que estão colaborando &#8211; o que nem sempre é uma boa idéia, especialmente pra quem tiver que me ver de pijama e cabelo arrepiado em casa, e obviamente, em algum momento alguém que tenha vários sintetizadores ou baterias eletrônicas  ou amplificadores <em>vintage</em> vai poder começar a alugar seus equipamentos sem precisar tirá-los de casa, é só puxar o MIDI, o CV ou o sinal de áudio diretamente da placa, e mandá-lo de volta devidamente processado &#8211; e o locatário ainda pode pedir pra mexer mais ou menos nisso ou naquilo ouvindo seus resultados em tempo real.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensando bem, acho que está na hora de pegar aquele Juno 106 de volta da <a href="http://www.vintagesynth.com.br" target="_blank">assistência técnica</a>&#8230;</p>
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		<title>House Full of Mirrors</title>
		<link>http://www.jardelmusic.com/2010/06/28/house-full-of-mirrors/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 01:35:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>missionariojose</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esse é um video do genial encontro do Gruff Rhys com o Tony da Gatorra. Onde tem um doido, tem dois. Share on Facebook]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object id="delve_playerf41db15d64b449eaa0064d5529d83f23334260o" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="430" height="275" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="window" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="flashvars" value="mediaId=ea4b73c66f664c57a690e6697c039c6d&amp;playerForm=88a26316a62d4655a806dda0da4e95ca&amp;autoplayNextClip=true" /><param name="src" value="http://assets.delvenetworks.com/player/loader.swf" /><param name="name" value="delve_playerf41db15d64b449eaa0064d5529d83f23334260e" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed id="delve_playerf41db15d64b449eaa0064d5529d83f23334260o" type="application/x-shockwave-flash" width="430" height="275" src="http://assets.delvenetworks.com/player/loader.swf" name="delve_playerf41db15d64b449eaa0064d5529d83f23334260e" flashvars="mediaId=ea4b73c66f664c57a690e6697c039c6d&amp;playerForm=88a26316a62d4655a806dda0da4e95ca&amp;autoplayNextClip=true" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" wmode="window"></embed></object></p>
<p>Esse é um video do genial encontro do Gruff Rhys com o Tony da Gatorra. Onde tem um doido, tem dois.</p>
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		<title>A turma da demolição</title>
		<link>http://www.jardelmusic.com/2010/05/27/a-turma-da-demolicao/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 02:09:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>missionariojose</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Descobri hoje, graças ao mailing da Izotope, que fizeram um documentário sobre uma das maiores bandas de apoio da história da música pop, a Wrecking Crew, mais ou menos na onda do documentário sobre os igualmente históricos Funk Brothers: Share on Facebook]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Descobri hoje, graças ao mailing da <a href="http://www.izotope.com/">Izotope</a>, que fizeram um documentário sobre uma das maiores bandas de apoio da história da música pop, a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Wrecking_Crew_%28music%29">Wrecking Crew</a>, mais ou menos na onda do documentário sobre  os igualmente históricos <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Funk_Brothers">Funk Brothers</a>:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yzP9-LJj-uY&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/yzP9-LJj-uY&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.jardelmusic.com/2010/05/27/a-turma-da-demolicao/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Esqueletos eletrônicos no armário</title>
		<link>http://www.jardelmusic.com/2010/05/20/esqueletos-eletronicos-no-armario/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 00:34:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>missionariojose</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na época em que eu me mudei pra São Paulo, minha grande amiga Florência Saravia me convidou para escrever alguns artigos que, não por culpa dela ou minha, nunca foram publicados em canto nenhum. Eu cheguei a escrever o primeiro de uma série sobre a história dos instrumentos eletrônicos, que eu estou publicando abaixo sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Na época em que eu me mudei pra São Paulo, minha grande amiga Florência Saravia me convidou para escrever alguns artigos que, não por culpa dela ou minha, nunca foram publicados em canto nenhum. Eu cheguei a escrever o primeiro de uma série sobre a história dos instrumentos eletrônicos, que eu estou publicando abaixo sem edições -  ainda não chequei os links pra ver se está tudo funcionando, ou se há alguma coisa faltando. Eventualmente a série poderia continuar por aqui, mas como esse ano ainda vamos ouvir várias promessas, não vou ser eu a fazer mais uma delas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sem mais delongas:</em></p>
<div style="text-align: justify;">
<p><span style="font-size: small;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Uma das coisas mais difíceis  que um indivíduo pode tentar fazer é chegar a uma definição satisfatória  sobre o que vem a ser &#8216;Música Eletrônica&#8217;. Para alguns, é aquilo que se  ouve em uma boate ou casa noturna, submetendo-se a níveis de pressão  sonora altíssimos &#8211; e perigosos &#8211; em uma catarse coletiva, que é  praticada cotidianamente na maioria das cidades do mundo. Para outros,  seria a evolução natural da música erudita durante e após o século XX,  criada e apreciada por grupos específicos de compositores, estudiosos e  também ouvintes dedicados. Outros ainda podem argumentar que hoje em dia  toda a música é eletrônica, a não ser que você esteja ouvindo vozes e  instrumentos em um espaço sem o recurso de nenhum tipo de amplificação,  como, por exemplo, ao assistir uma orquestra sinfônica numa sala de  concertos.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Por aqui, vamos sem dúvida falar  de música, mas sem nos ater à preocupação de definir o que é música  eletrônica. Nosso foco principal é no desenvolvimento de uma série de  instrumentos e ferramentas, surgidos ao longo de mais de um século com  os mais diversos propósitos, e que em sua maioria têm em comum a geração  ou reprodução de sons por meios eletrônicos. Certamente, alguns deles  foram utilizados pra criar aquilo que se encaixa na sua definição  favorita do que é ou do que deixa de ser &#8216;Música Eletrônica&#8217;.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Nossa  história começa em meados do século XIX entre a Europa e os Estados  Unidos, onde a sociedade ainda sentia o impacto da Revolução Industrial,  em meio à enxurrada de invenções e descobrimentos científicos que  revolucionaram a vida e o pensamento da época. Dois desses inventos  foram decisivos para o mundo da música e do áudio, o Telefone &#8211; cuja  invenção, oficialmente atribuída a Alexander Graham Bell em 1876, é um  tópico controverso &#8211; e o Fonógrafo, apresentado por Thomas Edison em  1877.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Ambos abriram as portas para fazer  com o som coisas até então inéditas, a partir da conversão das ondas  sonoras em outra forma de energia, a elétrica &#8211; que permitiu que o som  viajasse distâncias muito maiores, e é a base da amplificação tal qual a  conhecemos &#8211; e a mecânica, que tornou possível &#8216;fixar&#8217; as informações  em uma base tangível para uma posterior reprodução e/ou manipulação.</span></p>
<p><strong><span style="font-size: small;">1876 &#8211;  Música pelo telefone</span></strong></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 242px"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Elisha_Gray"><img class=" " src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4a/Portrait_elisha_gray.jpg" alt="" width="232" height="314" /></a><p class="wp-caption-text">Elisha Gray, o homem que não inventou o telefone</p></div>
<p>A grande frustração do  americano Elisha Gray (1835-1901) foi não conseguir assegurar para si o  título de inventor do telefone. Até tentara patentear um invento  bastante semelhante, mas perdeu no <em><span style="font-size: small;">timing</span></em><span style="font-size: small;"> pra  Graham Bell, que tinha passado mais cedo no escritório de patentes.  Acabou se conformando em ser o tataravô dos sintetizadores, pois ainda  em 1876 desenvolveu um tipo de oscilador elétrico para geração de sons, e  juntando vários deles, criou um instrumento conhecido como &#8216;Telégrafo  Musical&#8217;. De telegrafia mesmo o instrumento de Gray não fazia nada, mas  era dotado de um teclado de duas oitavas onde se podia tocar melodias,  que por sua vez eram transmitidas pela linha telefônica e reproduzidas à  distância nos aparelhos receptores.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">É  interessante notar que a transmissão de música à distância surge como  uma necessidade imediata, logo após o surgimento do telefone. Nos anos  anteriores à massificação das transmissões de música pelo rádio, foram  diversos os inventores que propuseram soluções para esta demanda, mas  nenhuma com tanto sucesso. Elisha Gray chegou a fazer turnês  apresentando seu invento, mas terminou voltando seus interesses para o  deselvolvimento da telefonia.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Modelos posteriores  do Telégrafo Musical já contavam com alto-falantes rudimentares,  semelhantes aos utilizados nos aparelhos de telefone, mas o primeiro  instrumento a ser amplificado sem o intermédio de um aparelho telefônico  surgiu por acidente, do outro lado do Oceano Atlântico.</span></p>
<p><strong><span style="font-size: small;">1899 &#8211;  Música nos postes</span></strong></p>
<p><span style="font-size: small;">Convocado para resolver o  problema do ruído excessivo do sistema de iluminação pública de Londres,  que utilizava lâmpadas de arco voltaico com eletrodos de carbono, o  britânico <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/William_Duddell" target="_blank">William Duddell (1872-1917)</a> descobriu que, ao variar a  voltagem fornecida às lâmpadas, ele poderia gerar e controlar  frequências sonoras. A partir dessa descoberta, criou um instrumento  conhecido como &#8216;</span><em><span style="font-size: small;">Singing Arc</span></em><span style="font-size: small;">&#8216;, ou  &#8216;Arco Cantante&#8217;, em que melodias eram executadas em um controlador no  formato de um teclado de piano, e no lugar do telefone, ou de um  alto-falante, lá estavam as lâmpadas de arco voltaico.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">A  invenção de Duddell não foi produzida comercialmente, apenas demonstrada  para o público da época na Grã-Bretanha, mas deu o pontapé inicial para  possibilidade de comunicação entre equipamentos através de uma voltagem  de controle, um recurso que na época de ouro dos sintetizadores teria  uma importância fundamental.</span></p>
<p><strong><span style="font-size: small;">1906 &#8211; Uma fábrica  de sons</span></strong></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 226px"><a href="http://www.discretesynthesizers.com/archives/miessner/em1936.htm"><img class="  " src="http://www.discretesynthesizers.com/archives/miessner/miessner01-5.jpg" alt="" width="216" height="167" /></a><p class="wp-caption-text">Haja roadie para carregar esse instrumento</p></div>
<p>Seguindo os passos de Elisha Gray,  intuito de Thaddeus Cahill (1867-1934) ao desenvolver o seu <em><span style="font-size: small;">Telharmonium </span></em><span style="font-size: small;">também era transmitir música pelas linhas  telefônicas, eventualmente desenvolvendo um serviço de música à  distância que pudesse ser utilizado por hotéis, restaurantes e demais  estabelecimentos, em tempos anteriores ao advento e à popularização da  radiofonia. Sua invenção se utilizava de dínamos adaptados, o que lhe  valeu também a alcunha de </span><em><span style="font-size: small;">Dynamophone</span></em><span style="font-size: small;">, que  funcionavam mais ou menos como as </span><em><span style="font-size: small;">Tonewheels</span></em><span style="font-size: small;"> de  um Órgão Hammond. Até aí, tudo relativamente simples. Mas só até aí.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Na  prática, Cahill registrou a patente de seu instrumento em 1897, mas o  primeiro protótipo funcional só foi apresentado em 1906, na cidade de  Holyoke, estado de Massachussets, nos EUA. Contava com 145 dínamos,  cobrindo um espectro de frequências de 40 a 4.000Hz, e os sons eram  acionados por um teclado de 7 oitavas dividido em 36 notas por oitava.  Essa opção do inventor estava em dia com as investigações no campo do  microtonalismo em voga na época, mas que acabou se mostrando  contraproducente pois poucos instrumentistas se dispunham a desenvolver  suas habilidades no instrumento.</span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 262px"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Telharmonium"><img class="  " src="http://www.ecrans.fr/local/cache-vignettes/L450xH386/arton4858-b4486.jpg" alt="" width="252" height="216" /></a><p class="wp-caption-text">Outro pedacinho do Telharmonium</p></div>
<p>Em  termos de dimensões físicas, o <em><span style="font-size: small;">Telharmonium</span></em><span style="font-size: small;"> era o  que podemos chamar, sem pudores, de um trambolho. Pesava 200 toneladas,  tinha aproximadamente 18 metros de extensão, e na única vez em que foi  transportado, de Holyoke para Nova Iorque, foram necessários tão somente  trinta vagões de trem. Com todo esse tamanho, potência não faltava, o  que acabou se tornando um problema, pois o instrumento interferia  drasticamente na rede telefônica nova-iorquina. E além de todos esses  empecilhos, havia também o custo de produção, estimado em torno de  duzentos mil dólares. Por essas e por outras, só três versões do  instrumento foram construídas, a última delas tendo funcionado até 1916.</span></p>
<p><strong><span style="font-size: small;">1912 &#8211;  A arte do ruído</span></strong></p>
<p><span style="font-size: small;">Gray, Duddell e Calhill  apresentaram para o mundo novos sons, gerados eletronicamente e  reproduzidos em aparatos eletroeletrônicos. No entanto, o que se sabe  sobre o repertório executado nessas novas máquinas é que este se  restringia à música dos compositores europeus de outrora, aquilo a que  normalmente nos referimos como &#8216;música clássica&#8217;, e quem sabe talvez  alguma canção popular aqui e ali. No campo da estética, poderia-se  argumentar que não houve grandes novidades, afinal de contas os novos  instrumentos tão somente executavam a música que já era executada  anteriormente pelos seus semelhantes mais convencionais.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">A  partir da segunda metade do séc. XVIII, compositores em diferentes  lugares estavam se ocupando de criar novos caminhos por onde a música  poderia seguir. Claude Debussy, Igor Stravinsky, Erik Satie, Arnold  Schönberg, Alban Berg, Anton Webern e muitos outros expandiram e  cruzaram as fronteiras da Música Tonal ocidental, e criaram, cada qual  na sua vez, um rebuliço no pensamento musical da época que tem  repercussão até hoje.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Já o italiano Luigi Russolo,  apareceu por volta da virada do século XX propondo que, além dos  elementos musicais já conhecidos por todos &#8211; leia-se notas musicais  organizadas em ritmo, melodia e harmonia &#8211; porque não adicionar à essa  paleta toda a variedade de ruídos, ou &#8216;não-sons&#8217;, presentes no mundo e  no dia-a-dia de cada um? Segundo ele, era fundamental conquistar a  infinita variedade dos &#8220;</span><em><span style="font-size: small;">sons-ruídos</span></em><span style="font-size: small;">&#8220;.</span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 377px"><span><a href="http://www.art-omma.org/NEW/past_issues/theory/09_The%20Art%20of%20Noises.htm"><img class=" " title="Intonarumori" src="http://www.art-omma.org/NEW/past_issues/theory/09_The%20Art%20of%20Noises_files/intonarumori.gif" alt="" width="367" height="242" /></a></span><p class="wp-caption-text">Luigi Russolo, um homem que entrou pra história fazendo barulho</p></div>
<p>Para  colocar em prática suas idéias, Russolo criou uma mini-orquestra à qual  deu o nome de <em><span style="font-size: small;">Intonarumori. </span></em><span style="font-size: small;">Consistia  em uma série de cones de metal aos quais estavam acoplados diafragmas  esticados com diferentes larguras, estes friccionados, percutidos e  utilizados como meio amplificação por seus executantes. O resultado  chocou o público, o que provavelmente ainda aconteceria nos dias de  hoje, quase um século depois.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Apesar do </span><em><span style="font-size: small;">Intonarumori</span></em><span style="font-size: small;"> não  ser exatamente um instrumento, tampouco um instrumento eletrônico, as  idéias de Russolo ecoam na música eletrônica até hoje. Sua proposição de  trabalhar com a manipulação de sons &#8216;não-musicais&#8217; foi uma grande  influência na obra de compositores como Edgar Varèse e Pierre Schaeffer e  também no desenvolvimento de equipamentos como o </span><em><span style="font-size: small;">sampler</span></em><span style="font-size: small;">. E  foi de um texto seu de 1913 que saiu o nome da banda inglesa de pop  eletrônico &#8216;Art of Noise&#8217;.</span></p>
<p><strong><span style="font-size: small;">1917 &#8211; O som do dia  em que a Terra parou</span></strong></p>
<p><span style="font-size: small;">Tudo o que foi falado até  agora faz referência a uma espécie de &#8216;pré-história&#8217; da música e dos  instrumentos eletrônicos. Principalmente porque nenhum dos instrumentos  mencionados teve uma continuidade histórica ou tecnológica direta. Os  casos mencionados ofereceram poucos resultados práticos tanto para a  sociedade como um todo, como para músicos em geral. E além do mais,  especialmente no caso do </span><em><span style="font-size: small;">Singing Arc</span></em><span style="font-size: small;"> e do </span><em><span style="font-size: small;">Telharmonium</span></em><span style="font-size: small;">, os instrumentos em questão  eram gigantes verdadeiramente impraticáveis, tanto física quanto  financeiramente. Parafraseando Robert Moog, certamente uma das pessoas  mais gabaritadas pra falar sobre a história dos instrumentos musicais  eletrônicos, foi com o Theremin que tudo começou de verdade. </span></p>
<p><span style="font-size: small;">Lev  Sergeyevich Termen (1896-1993), um cidadão russo que ficou conhecido  para a posteridade com o nome de Leon Theremin, era um músico e  cientista maluco que, como quase todos os inventores no princípio do  século XX, estava fascinado e envolvido com as descobertas ligadas à  radiofusão. Uma das descobertas da época foi o princípio da heterodinia  (intermodulação), segundo o qual duas frequências somadas geravam uma  terceira a partir dos batimentos de frequência entre si, essa terceira  tendo valor igual à diferença das duas frequências originais.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Um  dos problemas encontrados na época ao tentar aplicar esse princípio para  fins musicais era a influência do corpo humano, ou melhor, da interação  de sua capacitância com um circuito heteródino, quando ambos estavam  próximos. Lev, ou Leon, se valeu dessa característica para desenvolver  seu instrumento, utilizando um circuito com duas frequências, uma fixa  em 170.000 Hz, e a outra variável &#8211; através da interação com um corpo  humano próximo &#8211; entre 168.000 e 170.000 Hz. Podemos perceber, sem muito  esforço, que a diferença mínima entre as duas frequências é 0, e que  sua diferença máxima é 2.000 Hz, uma largura de banda que está quase  toda dentro do nosso campo auditivo, e que proporciona uma extensão  musical de mais ou menos 7 oitavas.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">A  grande idéia de Leon Theremin foi aplicar o princípio da heterodinia  para desenvolver um mecanismo de controle sobre essa frequência variável  que não envolvesse o contato físico entre o executante e o instrumento  em si. A partir de duas antenas, uma vertical para modulação de  frequência, e outra horizontal para modulação de amplitude, o executante  controlava as alturas musicais &#8211; sem precisar se limitar ao  temperamento da escala de 12 tons ocidental &#8211; e a dinâmica do  instrumento. Nascia o </span><em><span style="font-size: small;">Thereminvox</span></em><span style="font-size: small;">,  também chamado por seu criador de </span><em><span style="font-size: small;">Aetherophone</span></em><span style="font-size: small;"> &#8211;  termo que podemos traduzir mais ou menos como &#8216;som etéreo&#8217; &#8211; mas que  ficou mesmo conhecido simplesmente por </span><em><span style="font-size: small;">Theremin</span></em><span style="font-size: small;">.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Do  ponto de vista sonoro, o theremin é relativamente simples, sendo um  instrumento monofônico e com poucas possibilidades de variação  timbrística. As limitações nas características dos alto-falantes da  época também reduziam a extensão do instrumento, tanto no campo das  alturas como no campo dinâmico. Nada disso impediu, no entanto, que ao  ser apresentado para o grande público na Feira Industrial de Moscou no  ano de 1920, o instrumento começasse uma lenta revolução mundial. Tão  revolucionário era que o próprio Vladimir Lênin, embasbacado com a  novidade, quis aprender a tocá-lo e encomendou 600 unidades para serem  utilizadas em demostrações pela União Soviética.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Ainda  na década de 20, Leon Theremin se mudou para os Estados Unidos da  América, onde em 1928 patenteou seu instrumento e vendeu os direitos de  produção comercial para a RCA. O produto não chegou a ser um sucesso de  vendas, talvez devido à recessão que os EUA enfrentaram devido à quebra  da Bolsa de Valores em 1929, mas fascinou o mundo artístico e o público  em geral com sua sonoridade ímpar. Tanto que em 1930, um conjunto de 10  músicos tocando theremins se apresentou para o público no  conceituadíssimo Carnegie Hall.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Além do </span><em><span style="font-size: small;">Thereminvox</span></em><span style="font-size: small;">,  Theremin também desenvolveu outros instrumentos baseados em princípios  semelhantes de geração de som e controle. Entre eles está o primeiro  gerador eletrônico de ritmos, o </span><em><span style="font-size: small;">Rhythmcom</span></em><span style="font-size: small;">, que  gerava padrões rítmicos complexos seguindo o princípio da série  harmônica aplicados a uma batida constante. A partir de uma marcação  regular gerada a partir de uma frequência qualquer &#8211; tomemos por exemplo  1 Hz, o que equivale a um andamento igual a  60 bpm &#8211; o instrumentista  poderia ativar subdivisões equivalentes a valores múltiplos dessa  &#8216;fundamental&#8217;, de 2 a 16 vezes mais rápido.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Outros  mecanismos de controle também foram aplicados ao princípio do theremin  original, como no caso do </span><em><span style="font-size: small;">Theremin Cello,</span></em><span style="font-size: small;"> em  que a altura é controlada por uma superfície semelhante ao espelho de um  violoncello, e até mesmo um theremin controlado por um teclado de piano  convencional.</span> <span style="font-size: small;">Já o </span><em><span style="font-size: small;">Terpsitone</span></em><span style="font-size: small;"> era  uma espécie de theremin feito para dançarinos, onde uma das antenas era  substituída por uma grande placa metálica por cima da qual o executante  se movimentava, e ao se movimentar gerava sons de alturas diferentes.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Leon  Theremin retornou à União Soviética em 1938, em circunstâncias um tanto  quanto obscuras. Algumas fontes afirmam que Leon e sua esposa Lavinia  Williams teriam sido sequestrados por agentes soviéticos, outras que o  casal saiu sorrateiramente dos EUA devido a sérios problemas  financeiros. De um modo ou de outro, como resultado o gênio de Theremin  teve que servir aos propósitos da ditadura do regime soviético, só tendo  retornado aos EUA em 1991, pouco antes de sua morte.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">No  entanto, suas criações, em especial o theremin original, consagraram-se  em nível mundial. Ouve-se o theremin nos mais diversos contextos, desde  em obras de compositores eruditos até discos de rock e música pop,  passando por trilhas sonoras de filme e música para balés. Sendo um  instrumento fácil de tocar, mas muito difícil de dominar, o repertório  erudito para theremin é pouco conhecido, mas possui uma discografia de  tamanho considerável. Dentre os instrumentistas que decidiram encarar o  desafio de domar a fera destaca-se a lituana Clara Rockmore (1911-1998),  que participou dos conjuntos de theremin ao lado de seu criador, sendo  considerada a maior </span><em><span style="font-size: small;">virtuosa</span></em><span style="font-size: small;"> do  instrumento de todos os tempos. Aluna e sobrinha distante de Theremin,  Lydia Kavina é possivelmente a maior thereminista em atividade  atualmente, e uma de suas alunas, a alemã Carolina Eyck, já é uma  instrumentista consagrada no circuito de concertos internacional.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Na  próxima coluna vamos falar sobre o que aconteceu no período entre as  grandes guerras, e como elas acabaram colaborando para o surgimento de  novos equipamentos. Até lá.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Na Web:</span></p>
<p><span style="font-size: small;">http://www.obsolete.com/120_years/  &#8211; Site com um resumo da história da música e dos instrumentos  eletrônicos</span></p>
<p><span style="font-size: small;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Theremin" target="_blank">Artigo curto sobre o Theremin em português</a></span></p>
<p><span style="font-size: small;">http://www.thereminworld.com/</span><br />
<span style="font-size: small;">http://www.thereminvox.com/</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Dois  sites sobre contendo informações sobre instrumentos, instrumentistas e  bandas que usam theremins.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">http://www.thereminvox.com/filemanager/list/12/  &#8211; Mp3s raros com gravações do </span><em><span style="font-size: small;">Intonarumori</span></em><span style="font-size: small;">.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">http://musicmavericks.publicradio.org/rhythmicon/  &#8211; Um Rhythmicon online</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Para ver:</span></p>
<p><em><span style="font-size: small;">&#8220;Theremin:  An Electronic Odissey&#8221;</span></em><span style="font-size: small;"> &#8211; documentário de 1994,  dirigido por Steven Martin, com depoimentos de Leon Theremin, Clara  Rockmore, Robert Moog e Brian Wilson, entre outros</span></p>
<p><span style="font-size: small;">http://www.youtube.com/watch?v=ZI5xWbRXbU4  &#8211; Apesar da baixa qualidade de imagem e som, esse vídeo mostra Leon  Theremin ensinando uma música no instrumento, pouco antes de sua morte  em 1993</span></p>
<p><span style="font-size: small;">http://www.youtube.com/watch?v=Xn4TgYkqdi8  &#8211; Lydia Kavina toca &#8216;Clair de Lune&#8217; de Debussy ao Theremin</span></p>
<p><span style="font-size: small;">http://www.youtube.com/watch?v=Xeq6dN_YS-g&amp;eurl=  &#8211; Carolina Eyck toca theremin com uma orquestra de câmara</span></p>
<p><span style="font-size: small;">http://www.youtube.com/watch?v=lX8vrt3j1xc&amp;mode=related&amp;search=  &#8211; Matéria sobre o theremin na BBC inglesa, com o instrumentista Bruce  Wooley</span></p>
<p><strong><span style="font-size: small;"><br />
</span></strong></p>
</div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Agora sim</title>
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		<pubDate>Wed, 12 May 2010 12:58:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>missionariojose</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desde o seu lançamento, esse é o primeiro motivo realmente sério que alguém teria pra comprar um iPhone Share on Facebook]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o seu lançamento, <a href="http://www.propellerheads.se/products/rebirth/?short=8FE37F2A">esse é o primeiro motivo realmente sério</a> que alguém teria pra comprar um iPhone</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 637px"><a href="http://www.propellerheads.se/products/rebirth/"><img class=" " src="http://www.propellerheads.se/img/homepage/100429-rebirth-topstory.jpg" alt="" width="627" height="302" /></a><p class="wp-caption-text">Muita coisa nasceu do Rebirth, inclusive boa parte das primeiras músicas do Bonsucesso Samba Clube</p></div>
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		<title>Para onde vai a música em 2010?</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 22:35:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>missionariojose</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há uns 10 anos atrás, com a devida lambuja para um pouco a mais ou a menos, eu li uma entrevista do Thurston Moore onde ele mencionava determinado acontecimento de sua juventude quando, perambulando pela noite novaiorquina, se deparou com um amigo compositor, um par de décadas mais velho, visivelmente transtornado, em pé entre a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Há uns 10 anos atrás, com a devida lambuja para um pouco a mais ou a menos, eu li uma entrevista do Thurston Moore onde ele mencionava determinado acontecimento de sua juventude quando, perambulando pela noite novaiorquina, se deparou com um amigo compositor, um par de décadas mais velho, visivelmente transtornado, em pé entre a rua e a calçada parecedo um espantalho giratório. Indagado sobre a razão de tal transtorno, respondeu:</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu não sei para onde está indo a música do Século XX&#8230;</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 346px"><a href="http://www.beyondrace.com/articles/news/1685-reading-is-fundamental-with-thurston-moore"><img title="Thurston Moore" src="http://www.beyondrace.com/images/stories/thurston1.jpg" alt="Avalie se ele tivesse encontrado com Ivinho..." width="336" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Avalie se ele tivesse encontrado com Ivinho...</p></div>
<p style="text-align: justify;">Nosso título de hoje vem parafraseando o anônimo compositor da história, com os sinceros votos de que agora, dado que o Século XX acabou pra valer, esteja em paz neste ou em outro mundo. Talvez a fonte de seu transtorno comece no fato de que &#8220;música&#8221; é uma palavra tão corriqueira que normalmente perdemos a noção de sua abrangência. É como a expressão &#8220;todo mundo&#8221;. Às vezes eu me pego pensando sobre como seria se essa expressão realmente traduzisse o seu sentido literal, como por exemplo no comentário: &#8220;Todo mundo vai pra festa na casa de fulaninho, pô, vamo lá&#8221;. Aí você vai pra tal festa e encontra com o presidente Obama na fila do banheiro, amparando um desabrigado do Haiti com a ajuda de voluntários de São Luis do Paraitinga e da Hebe Camargo. Todo mundo é muita gente, e Música quer dizer muita coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é por acaso que em civilizações mais antigas a Música seja assunto dos deuses, e na nossa &#8211; a saber, ocidental e eurocêntrica &#8211; tenha justamente sido sistematizada primeiramente dentro da Igreja Católica e em seguida pelas diversas denominações protestantes &#8211; que diga-se de passagem fizeram um serviço muito melhor. A Música, assim com letra maíuscula, é muito maior do que todos nós, pois possui a capacidade de operar em diversos níveis e instrumentalizar diversos propósitos, e se faz independente da nossa predisposição indiviual de fazê-la. Nós que trabalhamos nos diversos ofícios ligados à Música por vezes acreditamos na ilusão de que ela nos pertença, cometendo o mesmo erro que um padre, um pastor ou uma mãe-de-santo cometem ao acreditar serem administradores do Divino.</p>
<p style="text-align: justify;">A pergunta do título se desdobra em várias outras, assim como o problema que lhe dá origem não é um só. Provavelmente para nós que trabalhamos com isso, a pergunta é como vamos sobreviver, ou idealmente viver com um mínimo de conforto, de Música em 2010. E nos anos seguintes também, se não for assim tão impossível. Mas para uma pessoa que consome música, esse desdobramento da pergunta não faz muito sentido. A pergunta para esse pessoal é como eles vão ter acesso às faixas dos seus artistas favoritos. Para um jornalista que escreve sobre música, tampouco, assim como para o dono de um bar. Eles dependem da música em seus ofícios, mas estão em outros pontos na cadeia produtiva da música, um ganha salário, o outro ganha dinheiro vendendo bebida.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 339px"><img title="Johnny Rotten" src="http://ivarfjeld.files.wordpress.com/2009/07/johnny-rotten1.jpg" alt="John Lydon, a maior prova de que quem chora direito pode mamar pro resto da vida" width="329" height="248" /><p class="wp-caption-text">John Lydon, a maior prova de que quem chora direito pode mamar pro resto da vida</p></div>
<p style="text-align: justify;">Outro desdobramento dessa pergunta é, para onde vai a música em 2010, esteticamente? Essa é fácil de responder, pois vai para todos os lados, como sempre foi. Durante o Século XX se estabeleceu um formato, que já vinha se consolidando há algum tempo, de canais de distribuição de conteúdo que atingiam um número gigantesco de pessoas. Esses canais &#8211; a imprensa, o rádio e a televisão &#8211; sempre estiveram condicionados a uma equação em que os altos custos de implantação, manutenção e geração de conteúdo precisavam ser subsidiados por terceiros, normalmente o Estado ou a iniciativa privada. O acesso a esses canais também sofria de limitações &#8211; poder aquisitivo, localização geográfica, pra citar alguns &#8211; e consequentemente a quantidade e a diversidade de conteúdo que poderia ser distribuído por esses canais também precisava ser limitado.</p>
<p style="text-align: justify;">O que estas limitações técnicas e financeiras criaram em nós foi uma sensação fictícia de que diferentes tendências e gêneros não podem coexistir. Outro dia, por exemplo, no intervalo de um noticiário, um comercial do portal &#8220;Transparência Brasil&#8221; foi ao ar poucos minutos após mais um replay dos sensacionais vídeos do Governador Arruda distribuindo dinheiro dos contribuintes para seus chapas enfiarem onde bem entendiam. Na segunda metade da década de 70, em pleno auge da disco music, foram feitos discos clássicos de praticamente qualquer outro gênero musical. E o próprio Punk Rock, que no fundo não era novidade alguma, apareceu pro mundo dizendo que nada prestava. Nossa percepção do mundo à nossa volta não precisa estar condicionada àquilo que vemos na televisão, do mesmo modo que o melhor crítico musical do planeta sempre vai ter suas limitações, de tempo, de estilo, condicionadas às suas escolhas.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 178px"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Euterpe"><img class="  " title="Euterpe" src="http://www.goddessaday.com/images/euterpe.jpg" alt="Euterpe, uma das responsáveis por estarmos nessa" width="168" height="288" /></a><p class="wp-caption-text">Euterpe, uma das responsáveis por estarmos nessa</p></div>
<p style="text-align: justify;">Hoje em dia não é diferente. Embora o Emocore brasileiro esteja circulando livremente pelas rádios e palcos do país, eu não sei direito a diferença entre seus principais artistas &#8211; e muito menos cantar o refrão de qualquer um dos seus sucessos. Nenhum deles figura na lista dos 10 melhores discos brasileiros de 2009 da Folha de São Paulo, que contém de fato 10 discos muito bons, mas que provavelmente não agradaram aos adolescentes que gostam dos Emos. Também não vão agradar a todos, e poderiam certamente ser substituídos por quaisquer um dos outros 100 grandes discos que certamente foram feitos no Brasil em 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">A boa parte destes nem eu nem você tivemos acesso, inclusive, e o importante dessa constatação é que essa comunicação em diversos níveis está acontecendo. Antes mesmo das questões mercadológicas e monetárias que nos atormentam se resolverem, há Música sendo feita e ouvida como nunca antes, e talvez seja um bom sinal que a melhor parte disso tudo não esteja vinculada aos grandes canais de distribuição. No final das contas, a Música é um canal de comunicação direto entre o músico, a obra e o ouvinte, que se estabelece no momento da audição, em tempo real. Por mais grandioso, endinheirado ou incensado que possa ser, qualquer outro elemento dessa cadeia é meramente secundário.</p>
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		<title>Visite a Luliândia e seja feliz</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 13:11:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Como já é praxe nos dias 13 de cada mês, hoje Lulina também aprontou mais uma. No caso, a inauguração oficial da Lulilândia online. O site é um ótimo exemplo de como um artista pode, nos dias de hoje, trabalhar fora dos limites do esquema disco físico / rede social sem ser redundante. A autoria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como já é praxe nos dias 13 de cada mês, hoje Lulina também aprontou mais uma. No caso, a inauguração oficial da <a title="Lulilandia" href="http://www.lulilandia.com.br/" target="_blank">Lulilândia</a> online. O site é um ótimo exemplo de como um artista pode, nos dias de hoje, trabalhar fora dos limites do esquema disco físico / rede social sem ser redundante. A autoria é da Luci Kidaka, do <a title="Okiru" href="http://www.okiru.com.br/" target="_blank">Okiru Studio</a>. Visite-nos e divirta-se!!</p>
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		<title>Arriando a Lombra</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 17:11:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Para o dia de hoje eu prometi voltar da viagem que comecei há quinze dias, trazendo a conversa para o nosso quintal, onde estamos falando de música e produção fonográfica / musical. Imaginando uma balança cujos pratos representariam as necessidades de divagar e experimentar do músico / artista de um lado, e a obrigatoriedade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 224px"><a href="http://blip.fm/~doaqc" target="_blank"><img class="     " title="George Martin" src="http://johnniecraig.files.wordpress.com/2008/09/sir_george_martin.jpg" alt="O produtor dos produtores, Sir George Martin" width="214" height="292" /></a><p class="wp-caption-text">O produtor dos produtores, Sir George Martin</p></div>
<p style="text-align: justify;">Para o dia de hoje eu prometi voltar da viagem que comecei há quinze dias, trazendo a conversa para o nosso quintal, onde estamos falando de música e produção fonográfica / musical. Imaginando uma balança cujos pratos representariam as necessidades de divagar e experimentar do músico / artista de um lado, e a obrigatoriedade de colocar os pés no chão e focar do outro, podemos tentar visualizar a leitura dessa balança ocorrendo em diversos níveis. Existe música cuja finalidade é extremamente prática &#8211; por exemplo, satisfazer a necessidade humana de dançar &#8211; mas cujo processo de criação envolve uma quantidade generosa de abstração, o que é comum em vários segmentos da música eletrônica focada nas pistas. Do mesmo modo, a abordagem de produção pode pesar pra qualquer um dos lados, sendo que o fiel da balança é o resultado de uma equação complexa envolvendo prazos, orçamentos e o estágio da cadeia alimentar em que um determinado projeto esteja localizado. E para tornar a sua experiência aqui em Jardel mais aprazível, em cada foto de produtor nesta página, e em alguns dos links, você pode ouvir uma faixa produzida por ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Entender exatamente o que um produtor musical, o produtor &#8220;de discos&#8221;, não é uma tarefa fácil para quem nunca esteve envolvido em uma produção. Eu mesmo estou tentando há uns 15 anos explicar pra o meu pai, e ainda não consegui. Historicamente, o produtor surge como uma espécie de advogado do diabo, lidando com uns 4 ou 5 diabos ao mesmo tempo. É mais ou menos como se ele fosse o <a title="Peixe Babel" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Peixe_Babel" target="_blank">Peixe Babel</a> no ouvido de todos dentro do estúdio, fazendo com que as coisas funcionem. Na época em que as gravadoras cantavam de galo, o produtor também era o camarada que precisava traduzir as intenções desta para com o artista e vice-versa, e transformar o resultado deste diálogo, de preferência, em um disco de vendagem significativa. Mesmo lá no extinto mundo dourado das gravadoras, não era tão fácil definir exatamente o que um produtor faz, pois desde sempre a quantidade de exceções impede a cristalização de quaisquer regras. Como se chega à função de produtor por um sem-número de caminhos, de um modo geral o máximo que se pode determinar é que um produtor é um grande acumulador e redistribuidor de tarefas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl class="wp-caption alignright" style="width: 234px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://blip.fm/~doc05" target="_blank"><img class="  " title="Lee Perry" src="http://2.bp.blogspot.com/_IuOf44xFFYw/SHXJVmCsvPI/AAAAAAAAAGE/N3I7yefyAzc/s400/lee_perry.jpg" alt="Lee Perry demonstra a melhor técnica pra descobrir se a mix tá batendo" width="224" height="320" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Lee Perry demonstra a melhor técnica pra descobrir se a mix tá &#8220;batendo&#8221;</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">A abordagem de cada um nesse processo varia, da mesma forma, entre os dois lados da nossa balança lá de cima. <a title="Lee Perry" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lee_%22Scratch%22_Perry" target="_blank">Lee Perry</a>, por exemplo, sempre esteve firme e forte pesando no lado pró-viagem. Com um cardápio de técnicas em estúdio que vão do uso um tanto pioneiro de samples &#8211; como é o caso do bebê chorando em &#8220;People Funny Boy&#8221;, a faixa da foto ao lado &#8211; até procedimentos menos ortodoxos como enterrar os rolos de fita no quintal para a música gravada neles &#8216;apurar&#8217;, Perry não poupava esforços nem tempo para transformar em som suas idéias. Essa atitude quase xiita, compartilhada por outros medalhões como o <a title="Phil Spector" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Phil_Spector" target="_blank">Phil Spector</a>, normalmente rende histórias lendárias e uma corrente de desafetos, mas também resultados atemporais, vide a seqüência de singles dos <a title="Dreamland - The Wailers" href="http://www.youtube.com/watch?v=gGFiYRKVQsc" target="_blank">Wailers</a> que ele produziu antes do pau cantar entre Scratch e os rapazes.</p>
<p style="text-align: justify;">O exemplo clássico do desequilíbrio pro lado viajandão é o do turbulento <a title="Brian Wilson" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Brian_Wilson" target="_blank">Brian Wilson</a>, que levou 37 anos pra terminar um <a title="Smile" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Smile_%28Beach_Boys_album%29" target="_blank">disco</a>, que afinal de contas não ficou nem tão legal assim. Tudo bem que Wilson produzia a si mesmo e sua banda, e que a fórmula já tinha dado ao mundo e aos <a title="Beach Boys" href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Beach_Boys" target="_blank">Beach Boys</a> sua <a title="Pet Sounds" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pet_Sounds" target="_blank">obra-prima</a>, mas que o caldo entornou, entornou e foi de muito.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Do outro lado, os produtores &#8220;no-nonsense&#8221; são devotos ferrenhos da crença que é com sangue, suor e muita pré-produção que alcançaremos o paraíso. Esse é o caso do <a title="Rick Rubin" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rick_Rubin" target="_blank">Rick Rubin</a>, famoso por passar bastante tempo em ensaios resolvendo  problemas antes mesmo que eles aconteçam. Um adepto da meditação transcedental, Rubin acredita que não se deve perder tempo girando lâmpada em estúdio, e que boa música se faz com bons músicos se sentindo à vontade para dar o melhor de si. Funcionou com o <a title="RHCP" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Red_Hot_Chili_Peppers" target="_blank">Red Hot Chilli Peppers</a>, mais de uma vez, e acrescentou logo <a title="American Series" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Johnny_Cash_discography#American_Recordings" target="_blank">5 grandes discos</a> à discografia de <a title="Johnny Cash" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Johnny_Cash" target="_blank">Johnny Cash</a>, onde disco bom não é exatamente um item em falta.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 280px"><a href="http://blip.fm/~dofs8" target="_blank"><img class=" " title="Rick Rubin" src="http://transitoriamente.files.wordpress.com/2008/09/rick-rubin.jpg" alt="Eu sempre quis ser que nem o Rick Rubin quando crescesse. Pelo menos na barba eu sei que eu me garanto" width="270" height="312" /></a><p class="wp-caption-text">Eu sempre quis ser que nem o Rick Rubin quando crescesse. Pelo menos na barba eu sei que eu me garanto</p></div>
<p style="text-align: justify;">Se a balança pesar muito pra esse lado, vamos encontrar camaradas como o multimilionário <a title="Timbaland" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Timbaland" target="_blank">Timbaland</a>, ou mesmo o celebrado <a title="Butch Vig" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Butch_Vig" target="_blank">Butch</a> &#8216;E não é que o som de bateria do Nevermind é o mesmo do Siamese Dream?&#8217; <a title="Butch Vig" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Butch_Vig" target="_blank">Vig</a> -  a prova do apelido você confere <a title="Smells Like Teen Spirit Excerpt" href="http://blip.fm/~doguo" target="_blank">aqui</a> e <a title="Quiet Excerpt" href="http://blip.fm/~dogyv" target="_blank">aqui</a>. Nesses casos, é comum que o artista se encaixe em alguns &#8216;presets&#8217; do <em>modus operandi </em>do produtor, alguns truques que já tenham se provado mais certeiros. Também dá certo, eu mesmo acho <a title="SexyBack" href="http://blip.fm/~doh9i" target="_blank">SexyBack</a> um single muito decente e bem-resolvido. Coincidentemente, ambos também tem a sua própria carreira como artistas <em>per se</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">E como o próprio rumo da conversa sugere, a fauna é bastante rica entre um extremo e outro, com espécimes realmente interessantes, como <a title="Brian Eno" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Brian_Eno" target="_blank">Brian Eno</a>, que tem no seu cardápio de especialidades o truqe de tirar os músicos da sua &#8216;zona de conforto&#8217; através de boas doses de diletantismo e distração, pra então cair matando e espremer um disco na pressão. Foi assim que saíram alguns dos melhores discos do <a title="Talking Heads" href="http://blip.fm/~dohz8" target="_blank">Talking Heads</a> e na minha opinião o melhor do U2, mas do mesmo modo saiu um &#8220;Viva La Vida&#8221;, que é uma prova cabal que time que está ganhando merece levar um puxão de orelha de quando em vez.</p>
<p style="text-align: justify;">E é no meio do caminho que encontramos o mestre do equilíbrio, Sir George Martin, cujas produções dentro e fora da franquia Beatles são uma aula em vários sentidos. Ele foi capaz de extrair o &#8220;Please Please Me&#8221; na base do fórceps em mais ou menos 12 horas, e também administrar a mega viagem coletiva de &#8220;Tomorrow Never Knows&#8221;. E quando as complicações dos quatro fabulosos se mostraram demais pra aguentar, ele mandou o lima, e fez bastante falta, mostrando que até os Beatles precisavam de alguém no pé do ouvido dizendo pra onde ir.</p>
<p style="text-align: justify;">Passando em revista os nossos convidados de hoje, temos exemplos práticos e funcionais em cada parada dessa escala entre os pés no chão e a cabeça nas nuvens. É interessante perceber que em alguns momentos, todos estes indivíduos acertaram na mosca, e criaram sonoridades e faixar atemporais. Também é curioso ver que a abordagem de cada um não está condicionada à sua porta de entrada no mundo da produção, pois temos desde um &#8216;não-músico&#8217; assumido, como o Eno &#8211; talvez isso explique o Coldplay, de repente &#8211; até um músico com todos os predicados da erudição disponíveis, como o cavaleiro George. Talvez eu tenha acertado ao dizer que um produtor é basicamente um acumulador e redistribuidor de tarefas, uma espécie de gerente multifacetado. Talvez daqui a uns 40, 50 anos essa figura tenha novamente se diluído entre outras novas funções que vão aparecendo à medida que o mercado da música como o conhecemos se transforma naquele ao qual vamos ter que nos adaptar. O certo mesmo é que alguém sempre vai ter que escolher qual take foi a boa.</p>
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		<title>Ao vivo hoje, pela internê</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 14:15:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>missionariojose</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Opa turmas Hoje estaremos ao vivo no Showlivre, às 15h, tocando músicas do &#8220;Mustang Bar&#8221; com a Stela Campos. Assistam! Share on Facebook]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Opa turmas</p>
<p>Hoje estaremos ao vivo no <a title="Showlivre" href="http://showlivre.oi.com.br/canais.php?canal=1" target="_blank">Showlivre</a>, às 15h, tocando músicas do &#8220;Mustang Bar&#8221; com a Stela Campos. Assistam!</p>
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		<title>Lasanha da Sadia Sound System</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2009 14:56:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>missionariojose</dc:creator>
				<category><![CDATA[Equipamentos]]></category>
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		<category><![CDATA[Produções]]></category>
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		<description><![CDATA[Um som, qualquer som, ele existe dentro da atmosfera que nos cerca. A proverbial árvore caindo dentro da floresta sem ninguém para ouvi-la ao cair, talvez não esteja soando por não ter ouvidos que a escutem, mas potencialmente será ouvida por uma sabiá, ou pela barriga de alguma cobra. Vai estar movimentando o ar à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um som, qualquer som, ele existe dentro da atmosfera que nos cerca. A proverbial árvore caindo dentro da floresta sem ninguém para ouvi-la ao cair, talvez não esteja soando por não ter ouvidos que a escutem, mas potencialmente será ouvida por uma sabiá, ou pela barriga de alguma cobra. Vai estar movimentando o ar à sua volta, e quem tiver alguma espécie de ouvido que escute. Quem tiver alguma espécie de microfone, que grave, e transforme sua queda não em um som, mas em oscilações de um campo magnético, ou em fileiras de zeros e uns agrupados em grupos de dezesseis ou vinte e quatro ou trinta e dois. Que podem ser reinterpretadas e ouvidas por orelhas crédulas que disponham de um pouco de tempo e atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">O que se faz com esse som, é problema de quem o manipula. Um som de árvore caindo pode ser só mais um som de árvore caindo dentro da pasta &#8220;Árvores Caindo&#8221; da sua biblioteca de sons. E pode virar outras coisas, pelas vias das mãos de quem está mexendo nele. Essa sempre foi uma possibilidade fascinante, que raramente consegue ser levada à exaustão, no mundo de hoje em dia em que as possibilidades são infinitas e se multiplicam infinitamente.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption alignright" style="width: 200px"><a href="http://mixonline.com/TEC20/tecnology-hall-of-fame/"><img title="Plate Reverb" src="http://mixonline.com/TEC20/emt-140.WEB1.jpg" alt="Bom mesmo era não ter que escolher e dispor de um Plate desses no quintal" width="190" height="175" /></a><p class="wp-caption-text">Bom mesmo era não ter que escolher e dispor de um Plate desses no quintal</p></div>
<p style="text-align: justify;">Essa multiplicação infinita de possibilidades gera uma necessidade nova &#8211; ou talvez nem tanto &#8211; do humano moderno, a de <strong>reduzir</strong> as opções de escolha, pois ninguém tem tempo de ficar escolhendo um dentre 45 sabores de sorvete, ou 30 tipos de equalizadores ou tempos ou algoritmos de reverb. Essa tendência está presente no sucesso do Google, por exemplo, que faz a tua barba, teu cabelo e teu bigode e não cobra nada porque na verdade ele ganha dinheiro com o anúncio de loção pós-barba que ele pendura no espelho na tua frente. E está presente no mundo do áudio digital nos pacotes que incluem tudo e um pouco mais em que se transformaram o Logic e o Pro-Tools. Mas não só nos mega-pacotes de coisas, mas principalmente em aplicativos e acessórios no estilo &#8220;melhorizer&#8221;, que podem facilitar a vida dos aspirantes no mundo da música e da produção fonográfica.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Eu tenho percebido uma certa tendência de facilitar demais a vida, justamente num momento &#8211; não do mundo, mas da vida individual de um aspirante a técnico de gravação, por exemplo &#8211; em que o que o cabra precisa é quebrar a cabeça pra entender como um compressor funciona. Um bom exemplo disso são as <a title="Waves Signature Series" href="http://signatureseries.waves.com/default.aspx" target="_blank">Signature Series </a>da <a title="Waves" href="http://www.waves.com" target="_blank">Waves</a>, pacotes de plug-ins com a assinatura de grandes nomes do áudio mundial, como o <a title="Tony Maserati" href="http://allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&amp;sql=11:gifwxqqgldae~T4" target="_blank">Tony Maserati</a> &#8211; responsável pelo som de arrasa-quarteirões como Black Eyed Peas e Destiny&#8217;s Child &#8211; e agora do <a title="Eddie Kramer" href="http://allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&amp;searchlink=EDDIE|KRAMER&amp;sql=11:kjfuxqr5ldhe~T4" target="_blank">Eddie Kramer,</a> que dispensa apresentações. Esses pacotes oferecem, no lugar de ferramentas individuais como compressores, equalizadores e reverbs separados, combinações de processamentos em pacotes com nomes sugestivos como &#8220;Vocal Channel&#8221;, &#8220;Bass Channel&#8221; e &#8220;Drum Channel&#8221;, com um visual que lembra a cabine de comando do Nautilus no filme &#8220;Vinte Mil Léguas Submarinas&#8221;.  Em resumo, é tipo um &#8220;Robert Plantizator&#8221; pra você passar o cantor expansivo daquela banda insossa de Hard-Rock, ou um &#8220;Fergierizer&#8221; pra você passar aquela popozuda meio desafinada que quer fazer sucesso a todo custo. Qual é o lugar dessas caixinhas em uma produção que se preze?</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 290px"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/20,000_Leagues_Under_the_Sea_%281954_film%29"><img class=" " title="20,000 Léguas" src="http://www.mpimages.net/mp/compressed/promotional/20000LeaguesUSeaPhoto1.jpg" alt="Relaxa aí, Nemo, que a gente ajeita na mix..." width="280" height="219" /></a><p class="wp-caption-text">Relaxa aí, Nemo, que a gente ajeita na mix...</p></div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Veja bem, eu não tenho nada contra a Waves. Sou um usuário dentro dos conformes &#8211; pago pela minhas licenças em suaves prestações mensais &#8211; e devoto dos plug-ins deles, que são pau para quase toda obra. Acho o trabalho deles realmente fantástico, assim como o de outros fabricantes de Plug-ins como a <a title="Massey" href="http://www.masseyplugins.com/" target="_blank">Massey</a> e a <a title="McDSP" href="http://www.mcdsp.com/" target="_blank">McDSP</a>. Também não tenho nada contra o cara diversificar sua linha de negócios, criando novos produtos com a chancela de nomes que criaram sonoridades que se tornaram a referência de diversas gerações. E do Tony Maserati, e principalmente do Eddie Kramer eu não tenho nada a dizer de negativo, os caras estão lá no panteão dos nomes que nos ensinaram uma boa parte do que sabemos.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 234px"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Eddie_Kramer"><img class=" " title="Eddie Kramer" src="http://www.storyofthestars.com/ekramer.jpg" alt="Kramer criando seus clássicos" width="224" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Kramer criando seus clássicos</p></div>
<p style="text-align: justify;">Mas eu acho um negócio meio destrambelhado o camarada sapecar um &#8220;Bass Channel&#8221; ali e um &#8220;Guitar Channel&#8221; aqui, e não se dar o trabalho de entender o que está acontecendo com o som que ele captou. O que seria um processo natural, eu creio, pois o pacote da Waves não vem com o John Bonham incluído, tampouco com a sala do Olympic, nem mesmo com uma Strato branca de canhoto pra você tocar de cabeça pra baixo e muito menos com os ouvidos do Eddie Kramer. Não vem com as manhas e mumunhas de produção do Will.I.Am ou do Jimmy Page. De modo que não vai fazer as coisas soarem do mesmo jeito por obra e graça do Espírito Santo. E se você não consegue desmontar a maquininha pra ver como funciona, como é que você vai aprender alguma coisa? Ou ainda, se você chegar num estúdio que te ofereça essas peças todas separadas, mas não o pacote, como é que se aprende a colocá-las na ordem certa?</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 279px"><a href="http://www.jimihendrix.com/"><img class=" " title="Strato" src="http://www.guitarsandeffects.com/images/whendrix.jpg" alt="O segredo não está em tocar ao contrário, acredite" width="269" height="202" /></a><p class="wp-caption-text">O segredo não está em tocar ao contrário, acredite</p></div>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, será que eu não estou sendo muito Caxias? É tão importante assim sofrer pra entender toda essa parafernália que nos rodeia? Será que se a gente perder menos tempo desvendando esses mistérios vamos fazer música melhor? Eu normalmente penso que essas coisas são como uma lasanha da Sadia &#8211; onde há claramente uma proporção inversa entre a facilidade de usar e a riqueza do sabor ou mesmo a diversão na feitura. Ao contrário, por exemplo, dos plug-ins do <a title="Live" href="http://www.ableton.com/products" target="_blank">Live,</a> que são ótimos pontos de partida pra você exercitar sua criatividade &#8211; ainda mais agora com essa integração com o <a title="Max for Live" href="http://www.ableton.com/extend" target="_blank">Max</a> &#8211; as lasanhas da Sadia não nos oferecem a chance de desmontar e remontar de outro jeito, de colocar um tempero no molho mas não massa.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou talvez esse seja um ótimo fiel pra nossa balança.  De repente, testando um Drum Channel do Eddie Kramer a gente se sinta inspirado a usar nossos compressores e reverbs de outro jeito. Tem gente que, quando enjoa da lasanha da Sadia, chama um China In Box,  mas tem gente que aprende a cozinhar.</p>
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