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Música e Áudio

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Para onde vai a música em 2010?

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Há uns 10 anos atrás, com a devida lambuja para um pouco a mais ou a menos, eu li uma entrevista do Thurston Moore onde ele mencionava determinado acontecimento de sua juventude quando, perambulando pela noite novaiorquina, se deparou com um amigo compositor, um par de décadas mais velho, visivelmente transtornado, em pé entre a rua e a calçada parecedo um espantalho giratório. Indagado sobre a razão de tal transtorno, respondeu:

- Eu não sei para onde está indo a música do Século XX…

Avalie se ele tivesse encontrado com Ivinho...

Avalie se ele tivesse encontrado com Ivinho...

Nosso título de hoje vem parafraseando o anônimo compositor da história, com os sinceros votos de que agora, dado que o Século XX acabou pra valer, esteja em paz neste ou em outro mundo. Talvez a fonte de seu transtorno comece no fato de que “música” é uma palavra tão corriqueira que normalmente perdemos a noção de sua abrangência. É como a expressão “todo mundo”. Às vezes eu me pego pensando sobre como seria se essa expressão realmente traduzisse o seu sentido literal, como por exemplo no comentário: “Todo mundo vai pra festa na casa de fulaninho, pô, vamo lá”. Aí você vai pra tal festa e encontra com o presidente Obama na fila do banheiro, amparando um desabrigado do Haiti com a ajuda de voluntários de São Luis do Paraitinga e da Hebe Camargo. Todo mundo é muita gente, e Música quer dizer muita coisa.

Não é por acaso que em civilizações mais antigas a Música seja assunto dos deuses, e na nossa – a saber, ocidental e eurocêntrica – tenha justamente sido sistematizada primeiramente dentro da Igreja Católica e em seguida pelas diversas denominações protestantes – que diga-se de passagem fizeram um serviço muito melhor. A Música, assim com letra maíuscula, é muito maior do que todos nós, pois possui a capacidade de operar em diversos níveis e instrumentalizar diversos propósitos, e se faz independente da nossa predisposição indiviual de fazê-la. Nós que trabalhamos nos diversos ofícios ligados à Música por vezes acreditamos na ilusão de que ela nos pertença, cometendo o mesmo erro que um padre, um pastor ou uma mãe-de-santo cometem ao acreditar serem administradores do Divino.

A pergunta do título se desdobra em várias outras, assim como o problema que lhe dá origem não é um só. Provavelmente para nós que trabalhamos com isso, a pergunta é como vamos sobreviver, ou idealmente viver com um mínimo de conforto, de Música em 2010. E nos anos seguintes também, se não for assim tão impossível. Mas para uma pessoa que consome música, esse desdobramento da pergunta não faz muito sentido. A pergunta para esse pessoal é como eles vão ter acesso às faixas dos seus artistas favoritos. Para um jornalista que escreve sobre música, tampouco, assim como para o dono de um bar. Eles dependem da música em seus ofícios, mas estão em outros pontos na cadeia produtiva da música, um ganha salário, o outro ganha dinheiro vendendo bebida.

John Lydon, a maior prova de que quem chora direito pode mamar pro resto da vida

John Lydon, a maior prova de que quem chora direito pode mamar pro resto da vida

Outro desdobramento dessa pergunta é, para onde vai a música em 2010, esteticamente? Essa é fácil de responder, pois vai para todos os lados, como sempre foi. Durante o Século XX se estabeleceu um formato, que já vinha se consolidando há algum tempo, de canais de distribuição de conteúdo que atingiam um número gigantesco de pessoas. Esses canais – a imprensa, o rádio e a televisão – sempre estiveram condicionados a uma equação em que os altos custos de implantação, manutenção e geração de conteúdo precisavam ser subsidiados por terceiros, normalmente o Estado ou a iniciativa privada. O acesso a esses canais também sofria de limitações – poder aquisitivo, localização geográfica, pra citar alguns – e consequentemente a quantidade e a diversidade de conteúdo que poderia ser distribuído por esses canais também precisava ser limitado.

O que estas limitações técnicas e financeiras criaram em nós foi uma sensação fictícia de que diferentes tendências e gêneros não podem coexistir. Outro dia, por exemplo, no intervalo de um noticiário, um comercial do portal “Transparência Brasil” foi ao ar poucos minutos após mais um replay dos sensacionais vídeos do Governador Arruda distribuindo dinheiro dos contribuintes para seus chapas enfiarem onde bem entendiam. Na segunda metade da década de 70, em pleno auge da disco music, foram feitos discos clássicos de praticamente qualquer outro gênero musical. E o próprio Punk Rock, que no fundo não era novidade alguma, apareceu pro mundo dizendo que nada prestava. Nossa percepção do mundo à nossa volta não precisa estar condicionada àquilo que vemos na televisão, do mesmo modo que o melhor crítico musical do planeta sempre vai ter suas limitações, de tempo, de estilo, condicionadas às suas escolhas.

Euterpe, uma das responsáveis por estarmos nessa

Euterpe, uma das responsáveis por estarmos nessa

Hoje em dia não é diferente. Embora o Emocore brasileiro esteja circulando livremente pelas rádios e palcos do país, eu não sei direito a diferença entre seus principais artistas – e muito menos cantar o refrão de qualquer um dos seus sucessos. Nenhum deles figura na lista dos 10 melhores discos brasileiros de 2009 da Folha de São Paulo, que contém de fato 10 discos muito bons, mas que provavelmente não agradaram aos adolescentes que gostam dos Emos. Também não vão agradar a todos, e poderiam certamente ser substituídos por quaisquer um dos outros 100 grandes discos que certamente foram feitos no Brasil em 2009.

A boa parte destes nem eu nem você tivemos acesso, inclusive, e o importante dessa constatação é que essa comunicação em diversos níveis está acontecendo. Antes mesmo das questões mercadológicas e monetárias que nos atormentam se resolverem, há Música sendo feita e ouvida como nunca antes, e talvez seja um bom sinal que a melhor parte disso tudo não esteja vinculada aos grandes canais de distribuição. No final das contas, a Música é um canal de comunicação direto entre o músico, a obra e o ouvinte, que se estabelece no momento da audição, em tempo real. Por mais grandioso, endinheirado ou incensado que possa ser, qualquer outro elemento dessa cadeia é meramente secundário.

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February 3rd, 2010 at 7:35 pm

Visite a Luliândia e seja feliz

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Como já é praxe nos dias 13 de cada mês, hoje Lulina também aprontou mais uma. No caso, a inauguração oficial da Lulilândia online. O site é um ótimo exemplo de como um artista pode, nos dias de hoje, trabalhar fora dos limites do esquema disco físico / rede social sem ser redundante. A autoria é da Luci Kidaka, do Okiru Studio. Visite-nos e divirta-se!!

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January 13th, 2010 at 10:11 am

Arriando a Lombra

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O produtor dos produtores, Sir George Martin

O produtor dos produtores, Sir George Martin

Para o dia de hoje eu prometi voltar da viagem que comecei há quinze dias, trazendo a conversa para o nosso quintal, onde estamos falando de música e produção fonográfica / musical. Imaginando uma balança cujos pratos representariam as necessidades de divagar e experimentar do músico / artista de um lado, e a obrigatoriedade de colocar os pés no chão e focar do outro, podemos tentar visualizar a leitura dessa balança ocorrendo em diversos níveis. Existe música cuja finalidade é extremamente prática – por exemplo, satisfazer a necessidade humana de dançar – mas cujo processo de criação envolve uma quantidade generosa de abstração, o que é comum em vários segmentos da música eletrônica focada nas pistas. Do mesmo modo, a abordagem de produção pode pesar pra qualquer um dos lados, sendo que o fiel da balança é o resultado de uma equação complexa envolvendo prazos, orçamentos e o estágio da cadeia alimentar em que um determinado projeto esteja localizado. E para tornar a sua experiência aqui em Jardel mais aprazível, em cada foto de produtor nesta página, e em alguns dos links, você pode ouvir uma faixa produzida por ele.

Entender exatamente o que um produtor musical, o produtor “de discos”, não é uma tarefa fácil para quem nunca esteve envolvido em uma produção. Eu mesmo estou tentando há uns 15 anos explicar pra o meu pai, e ainda não consegui. Historicamente, o produtor surge como uma espécie de advogado do diabo, lidando com uns 4 ou 5 diabos ao mesmo tempo. É mais ou menos como se ele fosse o Peixe Babel no ouvido de todos dentro do estúdio, fazendo com que as coisas funcionem. Na época em que as gravadoras cantavam de galo, o produtor também era o camarada que precisava traduzir as intenções desta para com o artista e vice-versa, e transformar o resultado deste diálogo, de preferência, em um disco de vendagem significativa. Mesmo lá no extinto mundo dourado das gravadoras, não era tão fácil definir exatamente o que um produtor faz, pois desde sempre a quantidade de exceções impede a cristalização de quaisquer regras. Como se chega à função de produtor por um sem-número de caminhos, de um modo geral o máximo que se pode determinar é que um produtor é um grande acumulador e redistribuidor de tarefas.

Lee Perry demonstra a melhor técnica pra descobrir se a mix tá batendo
Lee Perry demonstra a melhor técnica pra descobrir se a mix tá “batendo”

A abordagem de cada um nesse processo varia, da mesma forma, entre os dois lados da nossa balança lá de cima. Lee Perry, por exemplo, sempre esteve firme e forte pesando no lado pró-viagem. Com um cardápio de técnicas em estúdio que vão do uso um tanto pioneiro de samples – como é o caso do bebê chorando em “People Funny Boy”, a faixa da foto ao lado – até procedimentos menos ortodoxos como enterrar os rolos de fita no quintal para a música gravada neles ‘apurar’, Perry não poupava esforços nem tempo para transformar em som suas idéias. Essa atitude quase xiita, compartilhada por outros medalhões como o Phil Spector, normalmente rende histórias lendárias e uma corrente de desafetos, mas também resultados atemporais, vide a seqüência de singles dos Wailers que ele produziu antes do pau cantar entre Scratch e os rapazes.

O exemplo clássico do desequilíbrio pro lado viajandão é o do turbulento Brian Wilson, que levou 37 anos pra terminar um disco, que afinal de contas não ficou nem tão legal assim. Tudo bem que Wilson produzia a si mesmo e sua banda, e que a fórmula já tinha dado ao mundo e aos Beach Boys sua obra-prima, mas que o caldo entornou, entornou e foi de muito.

Do outro lado, os produtores “no-nonsense” são devotos ferrenhos da crença que é com sangue, suor e muita pré-produção que alcançaremos o paraíso. Esse é o caso do Rick Rubin, famoso por passar bastante tempo em ensaios resolvendo  problemas antes mesmo que eles aconteçam. Um adepto da meditação transcedental, Rubin acredita que não se deve perder tempo girando lâmpada em estúdio, e que boa música se faz com bons músicos se sentindo à vontade para dar o melhor de si. Funcionou com o Red Hot Chilli Peppers, mais de uma vez, e acrescentou logo 5 grandes discos à discografia de Johnny Cash, onde disco bom não é exatamente um item em falta.

Eu sempre quis ser que nem o Rick Rubin quando crescesse. Pelo menos na barba eu sei que eu me garanto

Eu sempre quis ser que nem o Rick Rubin quando crescesse. Pelo menos na barba eu sei que eu me garanto

Se a balança pesar muito pra esse lado, vamos encontrar camaradas como o multimilionário Timbaland, ou mesmo o celebrado Butch ‘E não é que o som de bateria do Nevermind é o mesmo do Siamese Dream?’ Vig -  a prova do apelido você confere aqui e aqui. Nesses casos, é comum que o artista se encaixe em alguns ‘presets’ do modus operandi do produtor, alguns truques que já tenham se provado mais certeiros. Também dá certo, eu mesmo acho SexyBack um single muito decente e bem-resolvido. Coincidentemente, ambos também tem a sua própria carreira como artistas per se.

E como o próprio rumo da conversa sugere, a fauna é bastante rica entre um extremo e outro, com espécimes realmente interessantes, como Brian Eno, que tem no seu cardápio de especialidades o truqe de tirar os músicos da sua ‘zona de conforto’ através de boas doses de diletantismo e distração, pra então cair matando e espremer um disco na pressão. Foi assim que saíram alguns dos melhores discos do Talking Heads e na minha opinião o melhor do U2, mas do mesmo modo saiu um “Viva La Vida”, que é uma prova cabal que time que está ganhando merece levar um puxão de orelha de quando em vez.

E é no meio do caminho que encontramos o mestre do equilíbrio, Sir George Martin, cujas produções dentro e fora da franquia Beatles são uma aula em vários sentidos. Ele foi capaz de extrair o “Please Please Me” na base do fórceps em mais ou menos 12 horas, e também administrar a mega viagem coletiva de “Tomorrow Never Knows”. E quando as complicações dos quatro fabulosos se mostraram demais pra aguentar, ele mandou o lima, e fez bastante falta, mostrando que até os Beatles precisavam de alguém no pé do ouvido dizendo pra onde ir.

Passando em revista os nossos convidados de hoje, temos exemplos práticos e funcionais em cada parada dessa escala entre os pés no chão e a cabeça nas nuvens. É interessante perceber que em alguns momentos, todos estes indivíduos acertaram na mosca, e criaram sonoridades e faixar atemporais. Também é curioso ver que a abordagem de cada um não está condicionada à sua porta de entrada no mundo da produção, pois temos desde um ‘não-músico’ assumido, como o Eno – talvez isso explique o Coldplay, de repente – até um músico com todos os predicados da erudição disponíveis, como o cavaleiro George. Talvez eu tenha acertado ao dizer que um produtor é basicamente um acumulador e redistribuidor de tarefas, uma espécie de gerente multifacetado. Talvez daqui a uns 40, 50 anos essa figura tenha novamente se diluído entre outras novas funções que vão aparecendo à medida que o mercado da música como o conhecemos se transforma naquele ao qual vamos ter que nos adaptar. O certo mesmo é que alguém sempre vai ter que escolher qual take foi a boa.

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September 21st, 2009 at 2:11 pm

Ao vivo hoje, pela internê

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Opa turmas

Hoje estaremos ao vivo no Showlivre, às 15h, tocando músicas do “Mustang Bar” com a Stela Campos. Assistam!

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August 26th, 2009 at 11:15 am

Lasanha da Sadia Sound System

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Um som, qualquer som, ele existe dentro da atmosfera que nos cerca. A proverbial árvore caindo dentro da floresta sem ninguém para ouvi-la ao cair, talvez não esteja soando por não ter ouvidos que a escutem, mas potencialmente será ouvida por uma sabiá, ou pela barriga de alguma cobra. Vai estar movimentando o ar à sua volta, e quem tiver alguma espécie de ouvido que escute. Quem tiver alguma espécie de microfone, que grave, e transforme sua queda não em um som, mas em oscilações de um campo magnético, ou em fileiras de zeros e uns agrupados em grupos de dezesseis ou vinte e quatro ou trinta e dois. Que podem ser reinterpretadas e ouvidas por orelhas crédulas que disponham de um pouco de tempo e atenção.

O que se faz com esse som, é problema de quem o manipula. Um som de árvore caindo pode ser só mais um som de árvore caindo dentro da pasta “Árvores Caindo” da sua biblioteca de sons. E pode virar outras coisas, pelas vias das mãos de quem está mexendo nele. Essa sempre foi uma possibilidade fascinante, que raramente consegue ser levada à exaustão, no mundo de hoje em dia em que as possibilidades são infinitas e se multiplicam infinitamente.

Bom mesmo era não ter que escolher e dispor de um Plate desses no quintal

Bom mesmo era não ter que escolher e dispor de um Plate desses no quintal

Essa multiplicação infinita de possibilidades gera uma necessidade nova – ou talvez nem tanto – do humano moderno, a de reduzir as opções de escolha, pois ninguém tem tempo de ficar escolhendo um dentre 45 sabores de sorvete, ou 30 tipos de equalizadores ou tempos ou algoritmos de reverb. Essa tendência está presente no sucesso do Google, por exemplo, que faz a tua barba, teu cabelo e teu bigode e não cobra nada porque na verdade ele ganha dinheiro com o anúncio de loção pós-barba que ele pendura no espelho na tua frente. E está presente no mundo do áudio digital nos pacotes que incluem tudo e um pouco mais em que se transformaram o Logic e o Pro-Tools. Mas não só nos mega-pacotes de coisas, mas principalmente em aplicativos e acessórios no estilo “melhorizer”, que podem facilitar a vida dos aspirantes no mundo da música e da produção fonográfica.

Eu tenho percebido uma certa tendência de facilitar demais a vida, justamente num momento – não do mundo, mas da vida individual de um aspirante a técnico de gravação, por exemplo – em que o que o cabra precisa é quebrar a cabeça pra entender como um compressor funciona. Um bom exemplo disso são as Signature Series da Waves, pacotes de plug-ins com a assinatura de grandes nomes do áudio mundial, como o Tony Maserati – responsável pelo som de arrasa-quarteirões como Black Eyed Peas e Destiny’s Child – e agora do Eddie Kramer, que dispensa apresentações. Esses pacotes oferecem, no lugar de ferramentas individuais como compressores, equalizadores e reverbs separados, combinações de processamentos em pacotes com nomes sugestivos como “Vocal Channel”, “Bass Channel” e “Drum Channel”, com um visual que lembra a cabine de comando do Nautilus no filme “Vinte Mil Léguas Submarinas”. Em resumo, é tipo um “Robert Plantizator” pra você passar o cantor expansivo daquela banda insossa de Hard-Rock, ou um “Fergierizer” pra você passar aquela popozuda meio desafinada que quer fazer sucesso a todo custo. Qual é o lugar dessas caixinhas em uma produção que se preze?

Relaxa aí, Nemo, que a gente ajeita na mix...

Relaxa aí, Nemo, que a gente ajeita na mix...

Veja bem, eu não tenho nada contra a Waves. Sou um usuário dentro dos conformes – pago pela minhas licenças em suaves prestações mensais – e devoto dos plug-ins deles, que são pau para quase toda obra. Acho o trabalho deles realmente fantástico, assim como o de outros fabricantes de Plug-ins como a Massey e a McDSP. Também não tenho nada contra o cara diversificar sua linha de negócios, criando novos produtos com a chancela de nomes que criaram sonoridades que se tornaram a referência de diversas gerações. E do Tony Maserati, e principalmente do Eddie Kramer eu não tenho nada a dizer de negativo, os caras estão lá no panteão dos nomes que nos ensinaram uma boa parte do que sabemos.

Kramer criando seus clássicos

Kramer criando seus clássicos

Mas eu acho um negócio meio destrambelhado o camarada sapecar um “Bass Channel” ali e um “Guitar Channel” aqui, e não se dar o trabalho de entender o que está acontecendo com o som que ele captou. O que seria um processo natural, eu creio, pois o pacote da Waves não vem com o John Bonham incluído, tampouco com a sala do Olympic, nem mesmo com uma Strato branca de canhoto pra você tocar de cabeça pra baixo e muito menos com os ouvidos do Eddie Kramer. Não vem com as manhas e mumunhas de produção do Will.I.Am ou do Jimmy Page. De modo que não vai fazer as coisas soarem do mesmo jeito por obra e graça do Espírito Santo. E se você não consegue desmontar a maquininha pra ver como funciona, como é que você vai aprender alguma coisa? Ou ainda, se você chegar num estúdio que te ofereça essas peças todas separadas, mas não o pacote, como é que se aprende a colocá-las na ordem certa?

O segredo não está em tocar ao contrário, acredite

O segredo não está em tocar ao contrário, acredite

Por outro lado, será que eu não estou sendo muito Caxias? É tão importante assim sofrer pra entender toda essa parafernália que nos rodeia? Será que se a gente perder menos tempo desvendando esses mistérios vamos fazer música melhor? Eu normalmente penso que essas coisas são como uma lasanha da Sadia – onde há claramente uma proporção inversa entre a facilidade de usar e a riqueza do sabor ou mesmo a diversão na feitura. Ao contrário, por exemplo, dos plug-ins do Live, que são ótimos pontos de partida pra você exercitar sua criatividade – ainda mais agora com essa integração com o Max – as lasanhas da Sadia não nos oferecem a chance de desmontar e remontar de outro jeito, de colocar um tempero no molho mas não massa.

Ou talvez esse seja um ótimo fiel pra nossa balança. De repente, testando um Drum Channel do Eddie Kramer a gente se sinta inspirado a usar nossos compressores e reverbs de outro jeito. Tem gente que, quando enjoa da lasanha da Sadia, chama um China In Box, mas tem gente que aprende a cozinhar.

Written by missionariojose

August 21st, 2009 at 11:56 am

L’eau Life

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amanhã, tem conversa. hoje tem essa animação, que mandou a chapa lá pra parelheiros:

Written by missionariojose

August 20th, 2009 at 1:29 pm

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Voltage

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Como só tem amigo safado quem pode, só hoje eu consegui parar para assistir ao Voltage, o mais recente curta de animação dos estúdios de animação da Barros Melo, com direção de William Paiva e Filippe Lyra, animado por eles, mais Leo D e mais um bocado de gente – que você pode conferir lendo a ficha técnica lá no Vimeo, e trilha de William e Leo.

Eu diria que o único defeito desta animação é a curta duração, mas não muito, porque sei do trabalho desgraçado que é fazer os meros 3 minutos e tanto que podemos assistir aqui. Outro defeito, obviamente, é o fato de o Diversitronica não estar completo na trilha sonora, mas esse defeito é mais culpa minha mesmo, na verdade. Fora isso, achei muito bonito e muito bem-feito, e saber que isso é obra de pessoas que vivem a mesma realidade da gente é muito inspirador.

É interessante perceber ao mesmo tempo influências de baluartes consagrados como Otomo e a turma do Japão, e detalhes sutis de traço e estética que mostram bem onde é que o filme foi feito, e subvertem nosso eterno paradigma de “foi feito em Recife mas poderia ter sido em Londres”. Pelo contrário é uma das provas cabais de que, dadas as mínimas condições, o material humano recifense é potencialmente uma referência internacional.

Sobre o Filippe, não posso falar nada além de elogiar o trabalho que eu conheci através do Voltage, indo direto para os favoritos. Sobre William e Leo, sou suspeito pra falar qualquer coisa, pois o que não fosse influenciado pela nossa amizade seria pela admiração inconteste que tenho pelos dois. Fico muito feliz de ver que num meio em que frequentemente vemos a carapuça de gênio adornar cabeças mais hábeis na arte de dar chilique do que em qualquer outra propriamente dita, vejo meus amigos tranquilos e calmos fazendo coisas geniais.

Voltage from Bam Studio on Vimeo.

Written by missionariojose

August 5th, 2009 at 9:50 am

Links Rápidos para quem tem Pressa

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Esse vídeo do Bernard Purdie é um dos diversos vídeos dele dando toques para bateristas aspirantes disponíveis no YouTube, mas virou o favorito da semana aqui em Jardel pelas interjeições do Purdie ao demostrar suas contribuições ao mundo das batidas fantásticas. Assitam até o final:

Saiu na revista Continente desse mês uma matéria sobre produção musical, com depoimentos deste que vos escreve, e também do Leo D, Beto Villares, Jeff Moura e Kassin. A matéria não está online – sem dúvida uma iniciativa que a revista já poderia ter tomado – mas há uma prévia aqui, e quem quiser pode sempre tentar comprar a revista.

E por fim, no MySpace do Cidadão Instigado já tem uma música do disco novo que sai agora em Agosto ou Setembro, “UHUUU!”.

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July 30th, 2009 at 7:31 pm

Botando em Dia

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  • No site da Trama Virtual, hoje e nos próximos dias temos uma entrevista do Profiterolis e outra da Stela Campos sobre seus mais recentes trabalhos, que contaram com a participação do Missionário na produção, e também tocando coisas aqui e ali. Lembrando que você pode ouvir e baixar coisas aqui e aqui, dos dois discos respectivamente.
  • Ainda falando da Stela, ela e sua banda estarão na Livraria da Esquina nas quintas-feiras 25/06 e 02/07 com o show do Mustang Bar, contando com as participações especiais do Departamento Celeste e dos Black Horses, com discotecagem do Bruno Orsini e da Katia Mello. A Livraria fica na Rua do Bosque, 1254, na Barra Funda.
  • Ainda essa semana em Jardel  estamos terminando e mandando pra fábrica o disco de estréia de Biu Roque, uma das grandes vozes do Brasil, que muitos provavelmente já conhecem dos discos do Siba e do Beto Villares, entre outros. O disco conta com a participação destes e de vários outros aprendizes do grande Biu Roquinha, e é uma produção em parceria do Missionário com Caçapa e Alessandra Leão, que também aparecem tocando e cantando em várias faixas.
  • Ainda sobre mandar pra fábrica, fontes fidedignas confirmam que o Cristalina, disco “de estréia” da Lulina, seguiu pra prensagem e brevemente chega ao público em geral.
  • Boa parte da nossa ausência aqui em nosso espaço virtual deveu-se ao espetáculo “Lo Cor de La Rosa”, que percorreu agora, na primeira quinzena do mês, boa parte do interior Paulista, a Capital e também foi até o Recife. O projeto consiste na associação do grupo vocal de Marselha Lo Cor de La Plana com a Renata Rosa e seu conjunto. Pra quem não teve a oportunidade de assistir aos shows da turnê, recomendo buscar vídeos do Lo Cor na internet para conhecer os caras, que entendem um bocado de gogó:

Written by missionariojose

June 21st, 2009 at 1:25 pm

Guerreiros do passado, hoje.

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Rough Trade

“If music is my religion, Rough Trade is my church” – Don Letts

Rough Trade é uma das melhores lojas de disco do mundo. Essa loja inglesa abriu suas portas em 1976, logo ali no comecinho do punk.

Inicialmente ela praticamente só importava discos americanos e jamaicanos. Sendo bem frequentada e com a ética punk do DIY pairando no ar, ela virou point de encontro pra quem fazia e queria comprar discos e fazines. Quando alguma banda nova, tosca, queria vender seus discos elas o faziam lá. Em 78 era assim. Banda nova? Tosca? A Rough Trade vende. Todo mundo vai lá mesmo.

Como eram as coisas antigamente, dois anos depois surgiu a Rough Trade Records e poucos anos depois eles assinavam com uma tal de The Smiths. Algo tipo Os Silvas aqui. Nome horrível. Provavelmente um desastre comercial.

Acontece que hoje em dia, ninguém mais compra discos. Dizem que ninguém nem escuta mais discos. Mas há quem venda. Em 2004 eles lançaram um negócio chamado The Album Club. Nele, você, por 12 libras mensais, tem acesso a uma lista de 10 discos e pode escolher um que eles entregam em sua casa. Esse disco vem com material bônus e um textinho do artista dizendo o que é o disco, qual foi a viagem, etc. Qualquer um dos outros 9 discos a pessoa também pode comprar por 12 libras. Já com taxa de entrega.

É aquela velha estória do vendedor que te indica uns discos. As últimas coisas boas que saíram. Algo que ainda ninguém conhece. Os últimos artistas/bandas que eles indicaram foram: The Felice Brothers, Camera Obscura, The Horrors, Blue Roses, entre outros. Conhecem? Foi um som que o vendendor me indicou.

Não sei se ainda há comprador pra isso e não sei se isso funcionaria no Brasil. Será que é isso o que é um blip.fm hoje? Você fica andando e vai vendo músicas boas aqui e ali e, se interessar, você coloca ela na sua playlist e escuta ela umas duas vezes até enjoar. Talvez você até coloque outras músicas do mesmo disco ou do mesmo artista lá.

Vi que eles estão vendendo o disco novo do Jarvis Cocker. Eu não tou nem aí pro Jarvis Cocker, nunca gostei do Pulp, mas vi que o disco foi produzido, ou melhor, gravado por Steve Albini, esse também, um guerreiro do passado. Vivo. E eis aqui um documentário tosco que fizeram sobre o cara.

Vou tentar baixar esse disco. Será que eu consigo?

Written by edipo

May 20th, 2009 at 7:29 pm