Jardel Music

Música e Áudio

Archive for the ‘Equipamentos’ Category

Colaborar é preciso

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O vídeo que colocamos aqui abaixo é uma demonstração do Ohmstudio, uma estação de trabalho colaborativa que está sendo desenvolvida pelos caras da Ohmforce, que já faz alguns dos plug-ins mais legais do mundo, entre eles O MELHOR plug-in gratuito de todos, o Frohmage. Essa é uma tendência que já vem sido observada há um tempo, e vários desenvolvedores ao redor do mundo estão aparecendo com a sua proposta de um ambiente em que pessoas que não estejam no mesmo lugar possam colaborar fazendo música em tempo quase real. O site Indaba apresenta essa mesma proposta num formato de rede social, meio Orkut / Facebook, enquanto outros softwares como o Live já trazem em si mesmos opções de compartilhamento de sessões online.

Essa movimentação não chega a ser exatamente uma novidade, a grande diferença atualmente é que com um aumento na  velocidade média – digamos assim – de conexões à internet pelo mundo afora, ficou mais real a possibilidade de trabalhar com arquivos de áudio e vídeo em ambientes online ou, como preferem alguns, na famosa ‘nuvem’ de dados que está por aí em algum lugar nos mega-servidores espalhados pelo planeta. Justamente por causa desse aumento na transferência de dados, produtos COMERCIAIS, como são todos os mencionados acima, também passam a ser viáveis. A colaboração em tempo real via MIDI pela internet não é uma novidade há algum tempo – praticamente desde que existem redes de computadores, existem maneiras de se mexer uns nos outros à distância – é só perguntar pro usuário de Max/MSP ou PureData mais próximo. A outra grande diferença, é que num formato como o do Indaba, por exemplo, o processo para chegar até o seu projeto colaborativo é o mesmo de chegar até o seu e-mail e gravar alguma coisa no seu computador, você não precisa pegar gosto por  criar patches em Pd ou ainda implementar neles a transmissão de MIDI ou áudio.

Certamente quem acompanhar vai ver, nesse e nos próximos anos, grandes mudanças na oferta e no funcionamento dessas plataformas. Por exemplo, daqui a pouco vai ser possível ver uma webcam no cantinho da tela pra rolar um contato visual entre as pessoas que estão colaborando – o que nem sempre é uma boa idéia, especialmente pra quem tiver que me ver de pijama e cabelo arrepiado em casa, e obviamente, em algum momento alguém que tenha vários sintetizadores ou baterias eletrônicas  ou amplificadores vintage vai poder começar a alugar seus equipamentos sem precisar tirá-los de casa, é só puxar o MIDI, o CV ou o sinal de áudio diretamente da placa, e mandá-lo de volta devidamente processado – e o locatário ainda pode pedir pra mexer mais ou menos nisso ou naquilo ouvindo seus resultados em tempo real.

Pensando bem, acho que está na hora de pegar aquele Juno 106 de volta da assistência técnica

Written by missionariojose

July 5th, 2010 at 3:05 pm

Agora sim

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Desde o seu lançamento, esse é o primeiro motivo realmente sério que alguém teria pra comprar um iPhone

Muita coisa nasceu do Rebirth, inclusive boa parte das primeiras músicas do Bonsucesso Samba Clube

Written by missionariojose

May 12th, 2010 at 9:58 am

O supermercado da música

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Essa chamou a atenção do Édipo, o Teisco Del Rey brasileiro

Essa chamou a atenção do Édipo, o Teisco Del Rey brasileiro

Quinta-feira passada fomos eu, André e o grande Marcelo Birck até a Zona Norte conferir a Expomusic 2009, uma grande feira de equipamentos e instrumentos que acontece todo ano aqui na megalópole, e é talvez o maior evento do setor do ponto de vista de negócios. É um evento bem gigante mesmo, em que os fabricantes montam stands nababescos promovendo pocket-shows, palestras e encontros de negócios, com dois dias direcionados aos profissionais do setor, categoria em que nós três supostamente nos encaixamos, e mais três – a sexta e o fim de semana – voltados ao grande público, com apresentações de bandas e artistas e tudo mais o que se tem direito. Nesses dias inclusive a feira fica meio intransitável, de modo que a gente preferiu se valer desse raro privilégio.

Apesar de não termos conseguido olhar tudo o tanto quanto queríamos – muito por causa da briga de volumes entre expositores de um modo geral – algumas coisas chamaram a nossa atenção. André, um aficcionado de modelos pouco comuns, ficou muito interessado em alguns modelos de uma marca chamada Irvine, e também em umas guitarras elétricas da Taylor que estavam no estande da Condor. Eu tentei, mas o fluxo de gente não permitiu, trocar uma idéia com o Ivan, da Music Maker, um luthier de quem me falaram muito bem, e cujo estande também estava muito bacana. Onde eu consegui conversar um pouco até o barulho do vizinho atrapalhar foi no cantinho dos microfones Violet – a fábrica da Letônia onde se fabricavam os microfones Blue antes da marca ir pra China – cuja distribuição no Brasil é feita pelo Clement Zular, antigo proprietário do célebre Estúdio Anonimato – que eu infelizmente não conheci.

Ai, ai, ai um desses lá em Jardel...

Ai, ai, ai um desses lá em Jardel...

Outro aparato que chamou nossa atenção foi o Meteoro Classic V8, um amplificador valvulado de 25W, no tamanho certo para a maioria dos palcos que estamos acostumados a frequentar. Inclusive olhando o parque de diversões da Meteoro vimos o Luíz Carlini – que sem sombra de dúvida merecia um site melhor do que esse, mas a cabocla tiete não baixou em nenhum de nós três e deixamos o respeitável senhor em paz. Chamou a atenção também a já famosa APC 40 da AKAI, que promete ser a grande parada em termos de videogame para palcos nos próximos anos, mas que ainda não está disponível no Brasil, assim como tampouco estão os pimpolhos LPD8 e LPK25. E a pergunta que não quer calar persiste – porque ninguém comercializa decentemente um jogo de Pads de Bateria com conexão USB? O único modelo que eu encontrei até  o momento é um da Alesis – o ControlPad – que não é tão fácil assim de achar nem na gringa. Por mais que as piadas de baterista possam ter algum fundo de verdade – coisa que eu não acredito – é um contrasenso um negócio desses. A melhor opção disponível no mercado ainda é o SPD-S, onde você precisa gravar os samples um a um na memória, no melhor estilo medieval.

Além da questão extremamente incômoda da guerra sonora entre expositores – em alguns momentos a sensação é estar participando daquelas cenas de trincheira em filme de guerra, com o mundo caindo ao seu redor – eu observo uma outra questão que poderia ser discutida em relação à feira. O foco principal da feira são os lojistas – quem realmente vai efetuar a venda do seu produto, e em segundo plano as escolas de música – que compram normalmente em alguma quantidade. Depois disso vem os músicos amadores e iniciantes – razão pela qual existe tanto pocket-show com patrocinados famosos, como o Andreas Kisser, cuja estampa estava em pelo menos um estande de cada corredor da feira. Para os músicos no topo da cadeia alimentar, a feira é uma oportunidade de negociar justamente esses contratos e também alguns equipamentos  sui generis a preço de custo, e para os músicos no final da cadeia a feira é uma oportunidade de descobrir qual cabo o seu ídolo está dizendo que está usando, e em qual loja ele teoricamente pode ser vendido.

Além de tudo ela também faz X-Salada

Além de tudo ela também faz X-Salada

O que eu acho que falta é uma ‘terceira via’ que atenda à demanda gigantesca que representa o meio dessa escala – os músicos como eu, o André e o Marcelo, por exemplo. A feira poderia ser o ambiente para fazer negócio com esses caras – conosco – de uma maneira que fica mais difícil a não ser num momento convergente como esse. Por razões óbvias, eu não vou comprar 100 unidades da APC40, mas se as condições fossem favoráveis, eu poderia comprar uma ou duas a um preço convidativo – o que é bem diferente dos quase 1000% de acréscimo que a gente encontra na Teodoro Sampaio num dia de sorte.  Seria uma boa oportunidade da gente fazer negócio com os distribuidores, por exemplo, ao invés de fazer negócio com os muambeiros de plantão. Poderia existir uma iniciativa por parte dos expositores, e principalmente das grandes marcas que podem arcar com essas ações mais tranquilamente, de tentar colocar o seu produto pra girar com mais eficiência, através de algumas linhas de microcrédito, e conversando diretamente com o povo do meio do caminho. Até porque por mais que o Chaos A.D. seja um dos meus discos preferidos de todos os tempos, a minha fase de querer ter o mesmo baixo ou o mesmo amplificador do Paulo Jr. ou do Andreas já passou.

Independente disso eu acho importante ressaltar que existe um mercado, ou existem mercados, de música que é muito maior do que a gente imagina. Uma iniciativa desse tamanho não está somente apoiada nos ombros de meia dúzia de moleques procurando outra atividade para ocupar as mãos. Se existe tanto dinheiro pra movimentar uma feira desse tamanho, é porque existe um interesse maior em fazer e ouvir música. Como se vive disso como músico é uma questão de observar e entender esse fluxo de interesses e capitais, e achar em que parte do quebra-cabeças a gente se encaixa. É o nosso dever de casa, digamos assim. Que eu vou fazer assim que eu terminar as contas que eu estou fazendo pra ver se dá pra comprar o Amethyst ou a APC…

Written by missionariojose

September 30th, 2009 at 8:56 am

Lasanha da Sadia Sound System

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Um som, qualquer som, ele existe dentro da atmosfera que nos cerca. A proverbial árvore caindo dentro da floresta sem ninguém para ouvi-la ao cair, talvez não esteja soando por não ter ouvidos que a escutem, mas potencialmente será ouvida por uma sabiá, ou pela barriga de alguma cobra. Vai estar movimentando o ar à sua volta, e quem tiver alguma espécie de ouvido que escute. Quem tiver alguma espécie de microfone, que grave, e transforme sua queda não em um som, mas em oscilações de um campo magnético, ou em fileiras de zeros e uns agrupados em grupos de dezesseis ou vinte e quatro ou trinta e dois. Que podem ser reinterpretadas e ouvidas por orelhas crédulas que disponham de um pouco de tempo e atenção.

O que se faz com esse som, é problema de quem o manipula. Um som de árvore caindo pode ser só mais um som de árvore caindo dentro da pasta “Árvores Caindo” da sua biblioteca de sons. E pode virar outras coisas, pelas vias das mãos de quem está mexendo nele. Essa sempre foi uma possibilidade fascinante, que raramente consegue ser levada à exaustão, no mundo de hoje em dia em que as possibilidades são infinitas e se multiplicam infinitamente.

Bom mesmo era não ter que escolher e dispor de um Plate desses no quintal

Bom mesmo era não ter que escolher e dispor de um Plate desses no quintal

Essa multiplicação infinita de possibilidades gera uma necessidade nova – ou talvez nem tanto – do humano moderno, a de reduzir as opções de escolha, pois ninguém tem tempo de ficar escolhendo um dentre 45 sabores de sorvete, ou 30 tipos de equalizadores ou tempos ou algoritmos de reverb. Essa tendência está presente no sucesso do Google, por exemplo, que faz a tua barba, teu cabelo e teu bigode e não cobra nada porque na verdade ele ganha dinheiro com o anúncio de loção pós-barba que ele pendura no espelho na tua frente. E está presente no mundo do áudio digital nos pacotes que incluem tudo e um pouco mais em que se transformaram o Logic e o Pro-Tools. Mas não só nos mega-pacotes de coisas, mas principalmente em aplicativos e acessórios no estilo “melhorizer”, que podem facilitar a vida dos aspirantes no mundo da música e da produção fonográfica.

Eu tenho percebido uma certa tendência de facilitar demais a vida, justamente num momento – não do mundo, mas da vida individual de um aspirante a técnico de gravação, por exemplo – em que o que o cabra precisa é quebrar a cabeça pra entender como um compressor funciona. Um bom exemplo disso são as Signature Series da Waves, pacotes de plug-ins com a assinatura de grandes nomes do áudio mundial, como o Tony Maserati – responsável pelo som de arrasa-quarteirões como Black Eyed Peas e Destiny’s Child – e agora do Eddie Kramer, que dispensa apresentações. Esses pacotes oferecem, no lugar de ferramentas individuais como compressores, equalizadores e reverbs separados, combinações de processamentos em pacotes com nomes sugestivos como “Vocal Channel”, “Bass Channel” e “Drum Channel”, com um visual que lembra a cabine de comando do Nautilus no filme “Vinte Mil Léguas Submarinas”. Em resumo, é tipo um “Robert Plantizator” pra você passar o cantor expansivo daquela banda insossa de Hard-Rock, ou um “Fergierizer” pra você passar aquela popozuda meio desafinada que quer fazer sucesso a todo custo. Qual é o lugar dessas caixinhas em uma produção que se preze?

Relaxa aí, Nemo, que a gente ajeita na mix...

Relaxa aí, Nemo, que a gente ajeita na mix...

Veja bem, eu não tenho nada contra a Waves. Sou um usuário dentro dos conformes – pago pela minhas licenças em suaves prestações mensais – e devoto dos plug-ins deles, que são pau para quase toda obra. Acho o trabalho deles realmente fantástico, assim como o de outros fabricantes de Plug-ins como a Massey e a McDSP. Também não tenho nada contra o cara diversificar sua linha de negócios, criando novos produtos com a chancela de nomes que criaram sonoridades que se tornaram a referência de diversas gerações. E do Tony Maserati, e principalmente do Eddie Kramer eu não tenho nada a dizer de negativo, os caras estão lá no panteão dos nomes que nos ensinaram uma boa parte do que sabemos.

Kramer criando seus clássicos

Kramer criando seus clássicos

Mas eu acho um negócio meio destrambelhado o camarada sapecar um “Bass Channel” ali e um “Guitar Channel” aqui, e não se dar o trabalho de entender o que está acontecendo com o som que ele captou. O que seria um processo natural, eu creio, pois o pacote da Waves não vem com o John Bonham incluído, tampouco com a sala do Olympic, nem mesmo com uma Strato branca de canhoto pra você tocar de cabeça pra baixo e muito menos com os ouvidos do Eddie Kramer. Não vem com as manhas e mumunhas de produção do Will.I.Am ou do Jimmy Page. De modo que não vai fazer as coisas soarem do mesmo jeito por obra e graça do Espírito Santo. E se você não consegue desmontar a maquininha pra ver como funciona, como é que você vai aprender alguma coisa? Ou ainda, se você chegar num estúdio que te ofereça essas peças todas separadas, mas não o pacote, como é que se aprende a colocá-las na ordem certa?

O segredo não está em tocar ao contrário, acredite

O segredo não está em tocar ao contrário, acredite

Por outro lado, será que eu não estou sendo muito Caxias? É tão importante assim sofrer pra entender toda essa parafernália que nos rodeia? Será que se a gente perder menos tempo desvendando esses mistérios vamos fazer música melhor? Eu normalmente penso que essas coisas são como uma lasanha da Sadia – onde há claramente uma proporção inversa entre a facilidade de usar e a riqueza do sabor ou mesmo a diversão na feitura. Ao contrário, por exemplo, dos plug-ins do Live, que são ótimos pontos de partida pra você exercitar sua criatividade – ainda mais agora com essa integração com o Max – as lasanhas da Sadia não nos oferecem a chance de desmontar e remontar de outro jeito, de colocar um tempero no molho mas não massa.

Ou talvez esse seja um ótimo fiel pra nossa balança. De repente, testando um Drum Channel do Eddie Kramer a gente se sinta inspirado a usar nossos compressores e reverbs de outro jeito. Tem gente que, quando enjoa da lasanha da Sadia, chama um China In Box, mas tem gente que aprende a cozinhar.

Written by missionariojose

August 21st, 2009 at 11:56 am