Archive for April, 2009
A semana dos presidentes – 17.04.09
Em resumo vos digo que a semana foi deveras cheia. E não termina por aqui, mas como sempre, vamos por partes:
- Terminamos a trilha interativa para o ambiente imersivo do Memorial Chico Science que, esperamos, será inaugurado semana que vem no Pátio de São Pedro em Recife. A trilha que você vai ouvir quando visitar o memorial é uma combinação de uma trilha convencional – que acompanha o vídeo exibido no mesmo ambiente – e pedaços que serão ouvidos de acordo com a sua posição na sala. Se der tudo certo, a experiência será única para todos os visitantes, a qualquer momento.
- Tivemos também a visita – que foi na semana passada, mas como esse é o nosso primeiro resumo semanal nós nos demos o direito de incluir atividades de outras semanas – da ilustríssima Cláudia D’Orei, pra trabalhar em um tema com o Édipo, que falhou heroicamente em registrar o evento.
- Da mesma rapeize, mas nessa semana agora, veio também o Gil Duarte, flautista e trombonista de primeira, conhecer as instalações e trocar umas idéias. Devidamente registrado e futuramente postado.
- Na segunda e na quarta – e também na quarta que vem – o Missionário foi até a Faculdade Anhembi-Morumbi conversar sobre Produção fonográfica com os alunos do curso de Produção Fonográfica, e também de Música Brasileira.
- Agora no final da semana apareceu uma trilha pra um vídeo de 8 minutos. É um editorial de moda que será gravado a partir de quase um mash-up de canções do primeiro disco de Bruno Morais. No resumo da semana que vem com certeza já teremos essa trilha pronta por aqui.
- E hoje a noite estaremos ao vivo acompanhando a Stela Campos no “Baile Folk no Inferno“, lá pras tantas da madrugada:
É isso, turma. Até semana que vem!
O mundo e as coisas (dos jovens), Pt. 1.

O mundo e as coisas é assim mesmo. Estão por aí e a gente tem que prestar atenção e se adaptar. Se ficar emburrado e reclamando, achando difícil ou complicado, vai perder o bonde. Na humildade a gente vai tentando entender essas doideras do mundo. E das coisas.
*
No final de março desse ano, saiu uma pesquisa que mostram alguns dados alarmantes pro já cambaleante mercado fonográfico. Resumindo é isso aqui:
Adolescentes (entre 13 e 17 anos) adquiriram 19% menos música em 2008 do que em 2007. Em qualquer formato. A venda de CDs caiu 26% e a de downloads pagos caiu 13% no mesmo período. Do grupo que afirmou ter feito menos downloads pagos, 32% se mostrou insatisfeito com a qualidade das músicas disponíveis e 23% disse já ter uma quantidade ideal de música em seus HDs, ou seja, não se interessam em baixar mais nada.
Até aí tudo (relativamente) bem, mas essa queda em downloads pagos foi acompanhada também por uma queda de 6% em downloads feitos em redes P2P (peer-to-peer, os famosos soulseeks e afins). Até o número de músicas que esses jovens estão pegando pra copiar (do computador de amigo, de CDs) também caiu. Em 28%.
O que é isso? É lugar comum dizer que os jovens não têm (F**K U, nova ortografia) mais interesse em comprar discos físicos. Ok. Eles não pagarem por isso na internet também faz algum sentido. A questão é que eles não estão nem baixando música de graça, nem pegando com os amigos.
De repente, quando estávamos todos rindo da desgraça das grandes gravadoras, estamos vendo que o principal canal de divulgação de nosso trabalho não está mais servindo pra nada.
Será que é isso mesmo? Será que os jovens realmente não estão atraídos pelo que há de novo na música de hoje? O problema são eles ou a gente? Será que são as grandes corporações malígnas do mundo? Ou não há problema algum nisso?
Por enquanto há mais perguntas que respostas, mas uma das respostas parece ser nosso amigo Myspace.
Como?!
*
Semana que vem segue a questão.
Aventuras em Diversos Canais, Cap. 2 – Sivuca & OSR – João e Maria
Voltando à nossa série, e também a 2004, resolvi buscar uma faixa que pra mim teve um significado muito importante, de uma forma quase multidisciplinar, digamos assim. Não é todo o dia em que você grava uma das suas músicas favoritas com o próprio compositor dela. E João e Maria é uma das minhas músicas preferidas, desde sempre, fato devidamente documentado em alguma fita K7 onde estou eu lá cantando com uns três anos de idade.
Numa das diversas pausas no disco d’Azabumba, eu fui convidado pelo Paulo Lima – possivelmente o melhor diretor que o Depto. de Música da UFPE já teve, sem dúvida o mais camarada – e pelo Osman Gioia – que foi meu professor na especialização e também é o Regente da Orquestra Sinfônica do Recife – pra gravar um disco da OSR com o Sivuca, executando um repertório que já fazia tempo que era executado em seus concertos com Orquestras em geral, e da OSR com ele – que também foi responsável por todas as orquestrações.
A idéia seria gravar no Teatro do Centro de Convenções da UFPE, que não é a melhor das salas, mas também está longe de ser a pior. Na verdade, é uma sala bem-comportada, talvez com uma reverberação um pouco longa demais. Definitivamente não é tão suscetível aos ruídos do exterior quanto o Sta. Isabel, por exemplo, que tem uma acústica muito legal, mas um isolamento de mentira, e é bem mais útil pra gravação do que o Teatro Guararapes, talvez grande demais. E bom, faz parte do conglomerado UFPE, então ficava bem mais acessível para o Depto., pra começo de conversa.
O equipamento para a gravação foi o do próprio estúdio, devidamente desmontado e levado pro teatro, e ficou sob os cuidados meus, do grande Adriano Nascimento, e do Marcílio. Gravamos com um par espaçado, tendo a opção de um terceiro microfone central caso o centro ficasse muito vazio, e alguns microfones pontuais por naipe, além de um microfone para a Sanfona solo. O Adriano e o Marcílio ficaram cuidando da botoeira e dos níveis, e eu cuidei de olhar as grades e acompanhar a orquestra pra ninguém passar a perna na gente. O disco foi todo feito em uma semana, começando com a montagem e ajustes na segunda-feira, e na quinta já tínhamos tudo no HD.
Gravar orquestra é um dos maiores exercícios de organização e foco, e uma aula de como resolver os problemas de uma produção antes que eles se tornem problemas. Antes de mais nada, o empenho de reunir uma Orquestra Sinfônica, em qualquer lugar do mundo, está além das forças de qualquer indivíduo. Depois de reunido, acomodado e microfonado, é sempre bom lembrar que estamos falando de umas duzentas pessoas, e não de quatro ou cinco. Pra mandar rodar um take, é melhor checar algumas vezes se está tudo ligado, com exceção dos celulares. E ouvir – e anotar – o que acontece no take, pra saber se precisa refazer tudo, só um pedaço. E lembrar que uma parada pro cafezinho tende a levar entre 40 minutos e uma hora. Mais ainda quando a orquestra é repleta de figuras do naipe de Homero Basílio e João do Cello.
Por outro lado, é um som que tá ali, tá pronto. Ao contrário de uma mixagem de música popular, em que você normalmente constrói um som ancorado em alguns elementos, com a orquestra você parte de uma perspectiva que já existe, é só não estragar. No nosso caso particular, usamos a técnica de gravar uma claquete pra alinhar todos os microfones pontuais com os microfones do ambiente, que economizou um bocado de tempo na preparação das faixas pra edição e mixagem. A edição foi quase nenhuma, meramente juntar algum material que tenha chamado mais atenção de um take com outro, e a mixagem foi praticamente um passeio no Parque da Jaqueira ao por-do-sol.
Ainda tivemos a sorte de conseguir lançar o disco com o Sivuca no Teatro Sta. Isabel, em uma de suas últimas apresentações. Impecável, como sempre.
Procure saber:
Stela em Jardel
Tremenda foto do show que rolou com Stela Campos no Centro Cultural São Paulo.
Momento de concentração total da Jardel. (Na verdade, concentração do sub – eu – pra não vacilar na música).
Visitas ilustres, Pt. 4 – Lulina+Léo Monstro
Estiveram hoje (ontem) aqui na Jardel a senhora Lulina e o senhor Leonardo. Isso por um motivo muito nobre, ensaiar para o primeiro show do Orçamento Participativo que acontecerá amanhã (hoje) no Café Elétrico.
Toda e qualquer pessoa será convidada a pegar algum instrumento e participar do show. Quem participar ganhará, ao final da temporada, um DVD com os melhores momentos deste que já está a fazer estória na noite paulistana.
Eis as turma, depois de muito trabalho.


